Sentindo o olhar ameaçador que ele lhe lançava, Lorena nem esperou que ele dissesse mais nada. Somente começou.
— Renato, eu posso explicar — disse, se aproximando da cama com o olhar assustado.
— Eu não quero as suas explicações — ele respondeu depressa. — Você sabe muito bem como eu sou. Se quer viver na mentira, siga em frente, mas não me envolva mais nisso.
— Eu só pensei no seu bem! — ela rebateu, já com os olhos cheios de lágrimas.
— Pare de dizer que faz as coisas pensando em mim! — ele gritou, nervoso. — Se pensasse realmente em mim, não mentiria.
Sem entender o que estava se passando entre eles, Sara apenas escutava a conversa, sentindo-se no olho do furacão.
— Não grite comigo como se eu fosse a errada da história — ela continuou. — Quando digo que me preocupo com você, estou sendo sincera. Eu só fiz isso porque achei que a minha presença era mais importante do que a dessa mulher, que nem sequer faz parte da sua vida — disse, apontando para Sara.
— Meça suas palavras agora mesmo, Lorena! — disse ele, sem paciência.
Lorena queria expor Sara naquele mesmo instante, contar a ele como Sara havia ficado bem à vontade na fazenda com Humberto enquanto Renato estava no hospital. Mas a conversa que teve mais cedo com Constança a fez se lembrar de que devia ter sangue-frio e usar as armas certas no momento propício.
— Tudo bem — disse, resignada. — Eu assumo que menti, que inventei toda aquela história de que fui eu quem te levou para o hospital… porque a verdade é que eu estava com medo de admitir que fiquei em estado de choque ao ver você tão mal, a ponto de não conseguir ter nenhuma reação.
Enquanto confessava aquilo, as lágrimas não paravam de cair de seus olhos.
Naquele momento, Sara teve uma noção do que estava acontecendo e, por mais que não gostasse de Lorena, sabia que aquilo era verdade. Lorena havia ficado tão nervosa ao ver Renato todo ensanguentado, que se desesperou, sem saber o que fazer ou como reagir.
— Isso não justifica você ter inventado toda uma narrativa de heroína na minha frente, quando, na verdade, a pessoa que salvou a minha vida estava sendo julgada como alguém que não se preocupava comigo — confessou.
Sem saber o que dizer, Lorena apenas deixou a bandeja com o copo ao lado da cama, ainda chorando.
— Eu sei — disparou. — Eu não quero repetir sobre as minhas desconfianças, mas você sabe muito bem qual foi o meu medo naquele instante. Quando cuidei de você aqueles dias no hospital, acabei me esquecendo de que você já é homem suficiente para resolver os próprios problemas. Eu assumo o meu erro e estou disposta a ser punida, de acordo com o que você achar melhor.
Ele estreitou os olhos, raivoso, mas não queria dizer nada de cabeça quente naquele momento.
— A partir de agora, você não é mais responsável por cuidar de mim. Volte aos seus afazeres na casa.
— Mas quem vai cuidar de você? — Ela perguntou.
— Tenho uma esposa que pode muito bem fazer isso — declarou, desviando o olhar para Sara, que permanecia calada no meio de toda aquela conversa.
O olhar de Lorena pegou fogo no mesmo instante.
— Pode se retirar agora mesmo — disse Renato, ignorando-a.
Lorena apenas assentiu e saiu dali.
Quando fechou a porta atrás de si, rangeu os dentes.
No quarto, Sara não sabia o que dizer. Apenas continuou em silêncio, enquanto Renato mergulhava nos próprios pensamentos.
— Tem um remédio na gaveta. Pode pegá-lo para mim? — perguntou, depois de um tempo.
— Claro.
Ela se levantou no mesmo instante, abriu a gaveta e achou um frasco de remédio. Abriu, pegou uma cápsula e a entregou a ele, junto com o copo que Lorena havia trazido.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!