Na enorme sala de visitas da casa, havia uma fileira de funcionárias em silêncio, observando o chefe sentado na cadeira de rodas. Renato mantinha o olhar frio e sério, enquanto tamborilava os dedos com impaciência no apoio da cadeira.
O silêncio dele só causava aflição na maioria delas, incluindo as que estavam com a consciência pesada. A única que parecia tranquila com toda a situação era Odete, parada no final da fileira. Ao lado dela estava Lorena, que parecia suar frio.
Na cabeça de Lorena, Renato iria anunciar a sua demissão ali. Por isso, ela maquinava um discurso para impedir aquilo, a ponto de estar pronta para mostrar a foto de Sara e Humberto e mentir que os dois eram amantes.
— Já estão todas aqui? — ele perguntou, após um tempo.
— Sim — disse Lorena, engolindo em seco.
— Muito bem —, Renato começou. — Em primeiro lugar, eu quero saber se há alguém aqui insatisfeita com o trabalho.
As mulheres se entreolharam, mas ninguém respondeu.
— Eu sempre tratei vocês com respeito — ele disse, com a voz firme. — Nunca faltou nada do que era meu dever oferecer.
As funcionárias continuaram caladas, algumas olhando para o chão, outras mantendo os olhos fixos nele, tensas.
Ele apoiou a mão no braço da cadeira e tamborilou os dedos mais uma vez, controlando o próprio nervosismo.
— Eu sempre fui justo — continuou. — Quem trabalhou direito, foi valorizada. Quem precisou de ajuda, eu ajudei.
Respirando fundo, seu olhar ficou ainda mais sério.
— Eu nunca humilhei ninguém aqui. Nunca gostei de gritaria dentro da minha casa. E, principalmente, eu nunca permiti desrespeito entre vocês.
Algumas mulheres engoliram em seco. Outras ficaram ainda mais rígidas, como se soubessem exatamente para onde aquilo estava indo. Entretanto, ninguém ali estava mais nervosa do que Lorena, pois ela sentia que tudo o que Renato dizia estava sendo direcionado a ela.
Ele inclinou levemente o corpo para frente, encarando o grupo com frieza.
— Então eu pergunto de novo… tem alguém aqui que ache que eu não sou um patrão correto?
O silêncio permaneceu.
Lorena apertou os dedos na própria saia, nervosa, tentando se manter firme. Odete, ao contrário, não desviou o olhar.
Renato passou a língua pelos dentes, impaciente.
— Ótimo — disse ele, por fim. — Então significa que todo mundo aqui entende muito bem o que é respeito. E todo mundo sabe o que acontece quando esse respeito acaba.
Ele deixou a frase no ar. E, no mesmo instante, algumas das mulheres começaram a demonstrar incômodo, como se a aflição aumentasse sem que ele precisasse dizer mais nada.
— Hoje presenciei uma coisa que, eu juro para vocês, não esperava. Eu sei que conversas sempre rolam por aí, mas eu não vou admitir que falem de mim dentro da minha própria casa. Eu não me meto na vida pessoal de nenhuma de vocês e, no mínimo, espero que façam o mesmo.
Uma das mulheres que estavam fofocando na cozinha quando ele chegou começou a se coçar de nervoso.
— A minha vida não é um reality show para ser comentado por aí… e nem as minhas escolhas devem ser questionadas, porque eu não solicitei a opinião de ninguém.
Passando o olhar por todas elas mais uma vez, devagar, como se quisesse gravar cada rosto ali, continuou:
— Eu trabalho desde cedo, eu sustento essa casa, eu pago cada centavo do salário de vocês… e, ainda assim, tem gente aqui achando que tem direito de abrir a boca para falar de mim pelas costas? — A voz dele subiu um pouco, cortante. — Achando que pode rir, zombar e comentar como se eu fosse motivo de piada? Eu não sou criança. Eu não sou bobo. E eu não sou cego.
O silêncio ficou ainda mais pesado.
— A partir de hoje, eu quero uma coisa muito clara aqui dentro: quem não consegue trabalhar com respeito, não trabalha mais aqui. Simples assim.



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