Estreitando os olhos, Renato questionou a mãe:
— De que está falando?
Ao perceber que havia conseguido a atenção total do filho, Constança mordeu os lábios para conter o sorriso que quase escapou. Então, fingindo seriedade, continuou:
— É a verdade, meu filho. Quando cheguei aqui, foi a primeira coisa que escutei.
— Quem te falou um absurdo desses?
— Ninguém me falou. Eu ouvi algumas funcionárias conversando, dizendo que, enquanto você estava fora, ela e o capataz estavam muito próximos.
Irritado, ele soltou uma risada curta.
— Pelo amor de Deus… você sabe que as mulheres dessa casa vivem de fofoca pelos cantos. Foi por isso mesmo que acabei de fazer uma reunião naquela sala!
Constança sustentou o olhar dele.
— Sim, eu sei que muitas fofocam… mas elas não abordam coisas que supõem. Elas falam do que veem. E elas viram a Sara e o capataz na beira da nascente do rio se beijando!
— Isso é uma calúnia — rebateu Renato, tirando a mão da mãe de cima da sua.
Constança o encarou, fria.
— Você tem realmente tanta confiança nela?
Ele ficou em silêncio, sem responder nada, apenas imerso nos próprios pensamentos. Não conhecia Sara tão bem, mas, pelo pouco que se permitiu enxergar, percebeu que suas atitudes eram bem diferentes das atitudes da irmã.
Sara era recatada, séria, não gostava de chamar a atenção. Além disso, ela nunca havia tido ninguém… ele havia sido o primeiro em sua vida, e aquilo já demonstrava a sua boa índole.
Ele também se lembrou do desespero nos olhos dela na filmagem, durante o trajeto até o hospital. Uma pessoa que agiu tão preocupada como ela teria mesmo coragem de enganá-lo?
A resposta o deixou confuso, e isso não passou despercebido aos olhos de Constança. Ela percebeu que o filho já não parecia tão seguro como antes, e, para ela, aquilo era um bom começo.
— Não precisa me responder nada se não quiser — disse ela, após o longo período de silêncio do filho. — Eu só quero que você abra os olhos e veja com atenção a índole da mulher com quem está dividindo a cama.
Ela se levantou para sair dali, mas, antes, tocou o ombro do filho e declarou:
— Sou a sua mãe, Renato. Sou a única mulher nesse mundo que quer realmente o seu bem… sem nada em troca.
Ao dizer isso, Constança saiu caminhando pelo corredor da casa, com a cabeça erguida, ciente de que havia feito a sua parte naquele momento.
Ao chegar à sala, percebeu que todas as funcionárias já tinham saído dali, menos Lorena, que ainda estava de pé no canto, observando uma foto de Renato em um porta-retrato. Quando notou a presença da patroa, Lorena enxugou as lágrimas discretamente e se virou para Constança.
— Precisa de algo, senhora?
— Não, não preciso.
Fazendo menção de ir embora, Lorena deu um passo, mas parou no mesmo instante ao ouvir Constança dizer:
— Ele já sabe.
Lorena virou o rosto devagar, franzindo a testa.
— De que está falando?
— O Renato já sabe que a rata e o capataz estão tendo um caso.
A declaração fez Lorena se aproximar, com a expressão curiosa.
— A senhora mostrou a foto para ele?
— Sim… dormi tanto que nem vi quando você se levantou. Por que não me despertou para ajudá-lo?
Renato negou com a cabeça.
— Não precisa se preocupar com isso. Eu ainda consigo fazer muitas coisas sozinho.
Sara assentiu, cautelosa.
— Precisa de alguma coisa?
— Não… só estou entediado de ficar dentro de casa — ele confessou. — Eu já fiquei dias demais trancado num quarto de hospital. Não quero fazer o mesmo aqui. Quero sair, espairecer um pouco.
— É uma boa ideia — ela concordou.
Renato a encarou por um instante em silêncio, antes de propor.
— Você quer vir comigo?
O convite a pegou de surpresa. Mesmo assim, ela assentiu.
— Claro… onde quer ir?
— Quero ir até a nascente que tem aqui perto.
— A nascente? — ela repetiu, e então abriu um sorriso discreto. — É uma ótima escolha. Aquele lugar é muito lindo.
— É mesmo? — ele perguntou, interessado. — Por acaso, você já esteve lá?
A pergunta fez Sara sentir algo estranho, mas ela não soube dizer o que era naquele momento.

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