Só pela pergunta que ele fez, Sara percebeu que Renato tinha, sim, escutado alguma coisa sobre ela estar ali com Humberto. E o fato de ela não ter inventado nenhuma história, nem mentido, já a aliviava muito.
— Sim — declarou.
— Isso faz todo sentido — ele disse, mais para si do que para ela.
Sara franziu o cenho.
— O que faz sentido, Renato? — perguntou, curiosa.
— Não é nada — ele respondeu, ignorando a pergunta. — Vamos até ali.
Ele voltou a se mover, seguindo pelo caminho.
Mesmo tentada a insistir, ela sabia que seria em vão. Renato não era do tipo que falava mais do que queria, mesmo que fosse pressionado.
Quando chegaram perto da água, ele parou e se levantou da cadeira. Ela se apressou na mesma hora, preocupada com a possibilidade de ele cair, e se aproximou para auxiliá-lo a se apoiar.
— Pode segurar no meu ombro — disse ela.
Renato viu o semblante preocupado dela e não deixou de sorrir.
— Acha mesmo que, se eu cair, você consegue me segurar? — Brincou.
— Não, eu não consigo — ela assumiu. — Mas pelo menos amorteço a sua queda — respondeu, no mesmo tom bem-humorado.
Naquele instante, um sorriso escapou dos lábios dela, e isso não passou despercebido aos olhos dele. Era a primeira vez que Renato a via sorrindo daquele jeito. E ele não pôde deixar de notar o quanto ela ficava ainda mais linda assim.
De repente, o coração dele bateu mais descompassado, e aquilo o perturbou. Por isso, tentou ignorar aqueles lábios…
— Eu não vou cair — disse ele, virando o rosto para a paisagem.
— Sei que não, mas é só por precaução — ela insistiu.
Sem questionar, Renato fez o que ela pediu e se apoiou no ombro dela. Aquela proximidade o fez sentir o perfume doce que ela exalava e aquilo o hipnotizava.
Havia uma enorme pedra próxima à água, e ele pediu que fossem até ali. Quando chegaram, ele se apoiou nela, quase sentado.
Vendo que ele estava seguro, Sara tentou se afastar… mas ele a segurou pela cintura.
— Não precisa ir tão longe — ele disse, sem soltar.
Sara engoliu em seco, sentindo o toque firme na cintura.
— Renato… você já está bem apoiado — ela murmurou, tentando manter a voz normal.
Ele inclinou o rosto de leve, e o olhar dele desceu lentamente pelo rosto dela, como se estivesse observando algo que havia acabado de notar.
— Eu sei — respondeu, simples.
O modo como ele disse aquilo a deixou ainda mais confusa.
Sara tentou afastar a mão dele com cuidado, mas Renato a puxou um pouco mais para perto, sem pressa, como se quisesse que ela entendesse que não era uma ordem. Era uma decisão dele.
— Por que está me segurando assim? — ela perguntou, com o coração acelerado.
Soltando uma risada baixa, ele respondeu com a voz rouca:
— Você fala como se não soubesse.
No mesmo instante, ela sentiu o rosto queimar.
— Eu não sei.
Renato sustentou o olhar dela por alguns segundos. Depois, passou o polegar devagar pela lateral do corpo dela, no mesmo lugar em que a segurava, fazendo um arrepio subir pela pele de Sara.
— Acho que ainda não te agradeci pelo que fez por mim naquela noite, não é mesmo?
— Não precisa me agradecer por nada. Eu só fiz o que achei que era certo naquele momento.
— Eu sei… mas confesso que eu nunca esperaria que a ajuda viesse de você.
Sara franziu levemente o cenho.
— Me acha tão ruim assim?
— Não, eu não acho — ele confessou, levando a mão até o rosto dela e colocando uma mecha do cabelo para trás da orelha. — Na verdade… quanto mais eu te conheço, mais eu te acho boa demais.
A confissão a pegou de surpresa.
— Você está diferente hoje — ela comentou.
— Diferente como? — perguntou, desconfiado.
— Mais calmo… e ao mesmo tempo mais atento.
— Eu estou normal.
Sara estreitou os olhos, como se achasse graça.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!