Ela abriu a boca para rebater, mas as palavras morreram antes mesmo de nascer. No instante seguinte, ele segurou sua nuca e a puxou para um beijo.
Quando sentiu os lábios quentes de Renato nos seus, todo o corpo dela se arrepiou no mesmo instante. Aquele beijo não era como os outros que já tinha recebido; havia nele algo mais delicado, mais profundo, não apenas desejo. E isso a deixou confusa… tão confusa que o coração errou o ritmo.
O toque dele, a proximidade, tudo parecia diferente.
Depois de um tempo, envolta por aquelas emoções, Sara sentiu Renato se afastar. Abriu os olhos no mesmo instante e deu de cara com aqueles olhos intensos, atentos demais, encarando-a de perto.
Ela estava tão confusa que não sabia o que dizer, nem no que pensar. A cabeça parecia vazia e pesada ao mesmo tempo.
Então, um galho estalou ao longe, atrás das árvores.
Os dois ficaram imóveis no mesmo instante.
Renato se virou e perguntou em voz alta:
— Quem está aí?
No mesmo instante, Humberto surgiu de entre as árvores, com a expressão envergonhada.
— Sou eu, senhor — disse, com a voz baixa. — Sinto muito se atrapalhei. Ouvi um movimento por aqui e vim conferir se era alguém da fazenda ou algum invasor.
Enquanto ele se explicava, Renato percebeu Sara se afastando, como se tivesse vergonha de estar tão próxima. O gesto o deixou desconfortável e levemente desconfiado, ainda que se recusasse a admitir isso de imediato.
— Não precisa se preocupar com nada. Não há nenhum invasor por aqui. Somos apenas eu e minha esposa, aproveitando um pouco dessa bela vista.
Ao ouvir a palavra “esposa”, Humberto desviou o olhar para Sara, como se esperasse alguma reação contrária, um protesto ou uma negação. Mas ela apenas permaneceu em silêncio, encarando-o.
— Tudo bem, senhor. Se não precisa de mim, vou indo então — disse ele, ainda sem tirar os olhos de Sara. — Mais uma vez, peço desculpas caso tenha atrapalhado alguma coisa.
Sentindo o olhar do capataz queimando sobre si, Sara abaixou a cabeça, meio envergonhada. Não sabia por que ele a encarava daquele jeito, ainda mais na frente de Renato.
Quando viu o homem se afastar, Renato voltou o olhar para Sara, que ainda mantinha a cabeça abaixada.
— Que surpresa ele aparecer por aqui — comentou.
Não obteve resposta alguma.
— O que houve? — insistiu. — Parece que você ficou meio constrangida. Por acaso ficou sem graça por ele vê-la comigo?
— Não é isso — respondeu depressa.
— Então, o que é?
— Não sei — explicou.
— Tem certeza de que não sabe, ou simplesmente não quer me contar? — Ele insistiu.
— Não tenho nada a esconder de você — respondeu, percebendo a desconfiança dele. — Só fiquei sem graça porque não esperava que você me beijaria agora.
— Meu beijo te incomodou?
— Não foi isso.
— Então, o que foi?
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!