— Tudo bem, eu vou — disse ele, percebendo que ela não estava gostando daquela conversa. — Mas, antes de ir, precisa entender que falo isso para o seu próprio bem. Sei que pareço estar me intrometendo na sua vida, mas faço isso porque me preocupo realmente com você, Sara.
— Agradeço a preocupação, mas, de agora em diante, acho melhor não tocarmos mais nesse assunto.
— Claro… — respondeu. — Mas saiba que, sempre que precisar, estarei por perto.
Humberto se afastou e seguiu pela trilha. Sara ainda esperou alguns instantes, dando tempo para que ele se distanciasse, e só então caminhou em direção à casa.
Ao chegar, notou alguns veículos estacionados em frente. Com receio de entrar e acabar atrapalhando alguma conversa, sentou-se no jardim e decidiu esperar até que as pessoas que visitavam Renato fossem embora.
Enquanto estava ali, Eliene, uma das funcionárias que já havia deixado claro que não gostava dela, se aproximou.
— Boa tarde, senhora.
— Boa tarde — respondeu, estranhando mais uma vez ser chamada assim.
— Está precisando de alguma coisa?
— Não, obrigada — disse, meio desconfiada.
— Então, com licença.
A mulher se afastou. Sara a acompanhou com o olhar, confusa.
O que estava acontecendo naquela casa? De repente, parecia que todos que trabalhavam ali haviam começado a respeitá-la.
Ela permaneceu sentada por mais um tempo, até que o céu começou a escurecer.
— Aí está você — a voz de Renato ecoou atrás dela.
Rapidamente, ela se levantou e se virou para encará-lo.
— Suas visitas já foram embora? — perguntou, curiosa.
— Sim, acabaram de ir.
— E como foi? Já descobriram quem tentou fazer aquilo com você? — questionou, ansiosa.
— Ainda não — disse ele, aproximando-se mais. — Mas as investigações estão seguindo bem.
Naquele momento, ela não disse nada, mas sentiu que ele não estava sendo totalmente sincero. Renato claramente escondia algo que não queria lhe contar. E, embora quisesse muito saber a verdade, sabia que não tinha o direito de insistir.
— Bem, já que suas visitas já foram, vou para o quarto — declarou, fazendo menção de sair.
— Por que a pressa? — ele indagou. — Não acha que fica tempo demais presa naquele quarto?
— Eu não tenho muitas opções de lugares nesta casa — explicou.
— Como não? — Ele retrucou. — Além deste jardim, que você parece conhecer bem, temos piscina, academia, sala de cinema, biblioteca, spa, adega, sala de jogos e até uma pista de caminhada nos fundos da propriedade.
— Tudo isso existe aqui? — Ela perguntou, surpresa.
— Existe — ele respondeu, com um meio sorriso. — Mas você age como se estivesse confinada a um quarto.
— Não é tão simples assim — ela murmurou.
— Pode ser, se você quiser — disse ele. — Esta casa é grande demais para você continuar se escondendo.
— Eu não me escondo. Só acho que fico bem mais segura no quarto.


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