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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 113

O tom de ameaça era tão claro que Lorena soube, naquele instante, que não havia espaço para protestos. Por fora, manteve-se contida, mas por dentro fervia de raiva. E, inevitavelmente, seus pensamentos se voltaram para Sara. Para ela, só podia haver uma culpada por tudo aquilo.

— Não é isso que eu quero — confessou, com a voz baixa. — Mas preciso de um tempo para me organizar. Não posso simplesmente sair desta casa assim. Antes, preciso deixar alguém à altura no meu lugar enquanto eu estiver fora.

— Não se preocupe com isso — ele respondeu, seco. — Esse é um problema meu, não seu. Eu já sei quem vai assumir enquanto você estiver descansando.

Curiosa e um pouco apreensiva, ela perguntou de imediato:

— Quem?

— A Odete — revelou.

— Aquela velha?

A palavra escapou antes que ela tivesse tempo de se conter. A ideia de Odete ocupando o seu lugar soou como uma afronta.

— Olha como fala, Lorena — ele a repreendeu no mesmo instante. — Não se deve tratar nenhum funcionário desse modo.

— Me desculpa — pediu rápido. — Eu não quis dizer isso. Só estou surpresa por você escolher alguém que apenas serve à mesa e limpa o chão.

— Ela só faz isso porque é isso que você permite que ela faça — Renato retrucou, firme. — A Odete trabalha aqui há muitos anos e conhece esta casa melhor do que você imagina.

— Mas, Renato… — tentou protestar outra vez.

Dessa vez, como da primeira, ele não lhe deu espaço algum para continuar.

— Não há mais o que discutir — ele disse, encerrando o assunto. — Você começa as férias hoje.

Lorena apertou as mãos ao lado do corpo, tentando conter a frustração. Sentia-se encurralada, humilhada.

— E quando eu volto? — perguntou, num fio de voz.

— Não precisa se preocupar com isso agora, apenas aproveite e descanse. Esse tempo longe do trabalho vai te fazer bem. Quando eu achar que é o momento certo, te ligarei — respondeu, sem hesitar.

Ela respirou fundo, engolindo a revolta.

— Certo — disse, por fim. — Vou me organizar e sair ainda hoje.

— Ótimo. Antes de fazer as malas, chame a Odete para mim. — Renato respondeu, sem demonstrar emoção.

Aquilo foi a gota final. Lorena assentiu em silêncio e se afastou pelo corredor, o rosto fechado, deixava claro o quanto pensamentos malignos passavam por sua cabeça. Tudo o que queria era uma desculpa para não sair daquela casa, mas via que Renato estava decidido e não voltaria atrás.

Procurando por Odete, a encontrou carregando uma cesta de roupas de cama. Sem qualquer delicadeza, segurou o braço da mulher, fazendo o cesto cair no chão.

Assustada, Odete arregalou os olhos.

— O que está fazendo, Lorena?

— Escuta aqui, sua velha — disse, apertando o braço dela com força. — Não pense que vai ficar no meu lugar, está me ouvindo?

Levou as malas até seu carro e saiu da fazenda arrancando com força. Enquanto dirigia, lágrimas de ódio escorriam de seus olhos. Odiava ter sido obrigada a sair daquela forma, como se tivesse sido expulsa da casa.

O que mais a enfurecia era saber que, enquanto estivesse fora, a desgraçada da Sara ficaria ainda mais próxima de Renato. A simples ideia de aquela mulher roubar o coração dele a deixava perturbada. Não suportaria vê-los juntos. Para ela, aquilo era insuportável.

— Eu prefiro morrer a ver aquela mulher ocupando qualquer espaço naquela casa! — gritou, sozinha dentro do carro.

Ao chegar à cidade, já tinha um destino certo. Não tinha a menor intenção de se afastar de vez, por isso procurou apenas um hotel.

— Um quarto, por favor — pediu, com a voz doce.

Se havia algo que ela sabia fazer muito bem, era se passar por uma boa pessoa quando lhe convinha.

— Claro, senhorita. Para quantas noites?

— Não sei — respondeu. — Ficarei o tempo que for necessário, deixe isso em aberto.

— Tudo bem — disse o atendente, digitando algumas informações. Em seguida, entregou as chaves. — Aqui está, senhorita. Terceiro andar, quarto 62.

Pegando as chaves, ela seguiu até o elevador e apertou o número do andar. Ao chegar, caminhou pelo corredor até encontrar o quarto. Abriu a porta e jogou as malas com força no chão.

Aproximou-se da cama, atirou-se sobre ela e ficou encarando o teto, respirando fundo.

— As coisas não vão ficar assim. Se Renato não for meu, não será de mais ninguém.

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