Quando chegou à sala, Odete ainda carregava um olhar receoso. Viu o patrão na cadeira de rodas, mexendo no celular. Assim que percebeu a presença dela, ele bloqueou a tela do aparelho e a encarou com um leve sorriso.
— Mandou me chamar, senhor? — perguntou.
— Sim, Odete. Preciso conversar com você.
Ela engoliu em seco e se aproximou um pouco mais.
— O que houve, patrão?
Perguntou preocupada, sem fazer ideia do que poderia vir.
Ao notar a apreensão no rosto de Odete, ele fez questão de tranquilizá-la.
— Não precisa se preocupar. Apenas sente-se — pediu, indicando a poltrona ao seu lado.
Obedecendo ao pedido, Odete se sentou e aguardou em silêncio, paciente, até que ele começasse a falar.
— Odete, eu sei que você trabalha nesta casa há muitos anos — ele começou, com calma. — E também sei que sempre foi uma das funcionárias mais corretas daqui. Nunca me deu problema algum.
Ela ficou visivelmente surpresa.
— Obrigada pela consideração, senhor — disse, com humildade.
Renato assentiu antes de continuar.
— Eu decidi dar alguns dias de folga para a Lorena. Ela passou muito tempo comigo no hospital, praticamente sem descanso.
Por ser um homem discreto, usou aquilo como desculpa para justificar as férias de Lorena. Nunca admitiria a ninguém o quanto as atitudes dela o haviam contrariado.
Odete arregalou os olhos, claramente pega de surpresa.
— A Lorena… de férias? — perguntou, sem conseguir esconder o espanto.
Agora entendia o motivo da agressividade de Lorena; tudo aquilo era feito a contragosto.
— Sim — confirmou. — E, enquanto ela estiver fora, preciso que alguém fique no comando da casa.
Ela demorou alguns segundos para assimilar.
— O senhor está falando de mim? — questionou, insegura.
— Estou — respondeu com firmeza. — Confio em você para cuidar de tudo aqui nesse período.
Sem conseguir manter a postura, Odete deu um pequeno sorriso; agora, tudo o que Lorena havia lhe falado fazia sentido. Ela odiava ter que deixar a casa e, mais ainda, saber que outra ficaria em seu lugar.
— Se o senhor acha que sou capaz disso, farei tudo com prazer — respondeu.
Ver o quanto a funcionária era solícita o alegrou.
— Ainda não sei quantos dias Lorena ficará fora, então conto com você — concluiu sobre o assunto.
— Farei tudo o que estiver ao meu alcance, senhor — disse, levantando-se.
No mesmo instante, foi surpreendida por Renato, que pediu que se sentasse novamente.
— Ainda não terminei — explicou.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!