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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 114

Quando chegou à sala, Odete ainda carregava um olhar receoso. Viu o patrão na cadeira de rodas, mexendo no celular. Assim que percebeu a presença dela, ele bloqueou a tela do aparelho e a encarou com um leve sorriso.

— Mandou me chamar, senhor? — perguntou.

— Sim, Odete. Preciso conversar com você.

Ela engoliu em seco e se aproximou um pouco mais.

— O que houve, patrão?

Perguntou preocupada, sem fazer ideia do que poderia vir.

Ao notar a apreensão no rosto de Odete, ele fez questão de tranquilizá-la.

— Não precisa se preocupar. Apenas sente-se — pediu, indicando a poltrona ao seu lado.

Obedecendo ao pedido, Odete se sentou e aguardou em silêncio, paciente, até que ele começasse a falar.

— Odete, eu sei que você trabalha nesta casa há muitos anos — ele começou, com calma. — E também sei que sempre foi uma das funcionárias mais corretas daqui. Nunca me deu problema algum.

Ela ficou visivelmente surpresa.

— Obrigada pela consideração, senhor — disse, com humildade.

Renato assentiu antes de continuar.

— Eu decidi dar alguns dias de folga para a Lorena. Ela passou muito tempo comigo no hospital, praticamente sem descanso.

Por ser um homem discreto, usou aquilo como desculpa para justificar as férias de Lorena. Nunca admitiria a ninguém o quanto as atitudes dela o haviam contrariado.

Odete arregalou os olhos, claramente pega de surpresa.

— A Lorena… de férias? — perguntou, sem conseguir esconder o espanto.

Agora entendia o motivo da agressividade de Lorena; tudo aquilo era feito a contragosto.

— Sim — confirmou. — E, enquanto ela estiver fora, preciso que alguém fique no comando da casa.

Ela demorou alguns segundos para assimilar.

— O senhor está falando de mim? — questionou, insegura.

— Estou — respondeu com firmeza. — Confio em você para cuidar de tudo aqui nesse período.

Sem conseguir manter a postura, Odete deu um pequeno sorriso; agora, tudo o que Lorena havia lhe falado fazia sentido. Ela odiava ter que deixar a casa e, mais ainda, saber que outra ficaria em seu lugar.

— Se o senhor acha que sou capaz disso, farei tudo com prazer — respondeu.

Ver o quanto a funcionária era solícita o alegrou.

— Ainda não sei quantos dias Lorena ficará fora, então conto com você — concluiu sobre o assunto.

— Farei tudo o que estiver ao meu alcance, senhor — disse, levantando-se.

No mesmo instante, foi surpreendida por Renato, que pediu que se sentasse novamente.

— Ainda não terminei — explicou.

— Além de você, sei que a Sara também se dá bem com o Humberto — explicou.

— Sim, é verdade, o Humberto a ajudou muito no período em que ela teve que trabalhar com os porcos, por isso ela é muito grata a ele.

— Sei que ele é uma pessoa muito boa e responsável, que não faria nada além dos limites… — Ponderou por um instante, sem saber como continuar aquela conversa. Tinha vergonha de admitir que não gostava da interação entre os dois.

Todavia, não era preciso que o chefe dissesse mais alguma coisa; Odete entendia muito bem o que ele queria dizer. Ela percebeu que Renato estava apreensivo em relação à amizade de Sara com o capataz e, por mais que não admitisse em voz alta, isso ficava claro em sua postura; por isso, ela decidiu tranquilizá-lo, para que não houvesse nenhum mal-entendido.

— Eu já vi a interação deles algumas vezes e posso garantir ao senhor que não passam de alguns minutos de conversa.

— Minutos ou horas, isso não é o importante — rebateu. — Há coisas que podem ser muito mal interpretadas; por isso, quero que fique de olho neles para mim.

— O senhor está me pedindo que os vigie? — indagou, surpresa.

Era claro que ele queria aquilo, mas não admitiria de forma tão direta.

— Não é bem isso, Odete — tentou se explicar. — Só quero que os observe mais de perto e me avise imediatamente caso veja algo suspeito, entende?

Ela assentiu, percebendo o nervosismo dele.

— Posso contar com você? — questionou, ansioso.

— Claro que sim.

— Sei que você é uma pessoa discreta, Odete; por isso, espero que essa conversa não saia daqui e não chegue a ninguém, principalmente à Sara.

— Não se preocupe, senhor, essa conversa morre aqui.

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