Após ter resolvido tudo com Odete, Renato foi para o quarto, onde Sara o esperava. Quando o viu entrar, ela ficou surpresa. Havia algo diferente no semblante dele, não a rigidez habitual, mas um cansaço evidente que pesava em seus ombros. Renato afrouxou os botões da camisa com um suspiro baixo e passou a mão pelo rosto.
— Estou exausto — murmurou. — Depois do jantar, só quero descansar.
A resposta a pegou desprevenida. Sara assentiu devagar, sentindo um leve aperto no peito. Interpretou aquilo como um aviso. Já estava se acostumando a medir cada gesto dele, cada palavra.
— Então… eu posso ir para o outro quarto — disse, tentando soar natural. — Assim você fica mais confortável na cama.
No mesmo instante, Renato ergueu os olhos. A ideia pareceu incomodá-lo mais do que ela esperava. Ele se dirigiu em sua direção, parando perto demais para ela ignorar sua presença.
— Não — respondeu, firme, mas sem dureza. — Não quero dormir longe de você.
O coração dela bateu mais rápido, traindo a surpresa que tentou esconder. Não era o que esperava ouvir. Renato sustentou o olhar por um segundo a mais, como se quisesse deixar claro que não era um pedido impensado. Havia cansaço nele, sim, mas também uma necessidade silenciosa de tê-la por perto.
Sara engoliu em seco, sem confiar na própria voz. O quarto pareceu menor de repente, preenchido por uma proximidade nova, estranha… e impossível de ignorar.
— Que tal tomarmos um banho juntos? — ele propôs.
O rosto dela corou no mesmo instante. A ideia a deixou nervosa, mas, lembrando que teria que ajudá-lo no banho de qualquer forma, assentiu.
Satisfeito com a resposta, ele se levantou e se aproximou devagar. Parou atrás dela, inclinando-se o suficiente para a voz sair baixa, quente contra sua pele.
— Acho que vamos nos dar bem nesses dias — sussurrou em seu ouvido.
Ela prendeu a respiração quando sentiu a proximidade dele. O corpo inteiro reagiu antes que pudesse organizar os próprios pensamentos. Renato não a tocava, mas a presença dele bastava para deixá-la inquieta. Quando ele se afastou um passo, foi apenas para encará-la de frente.
— Relaxa — murmurou, notando seu nervosismo. — Não vou te assustar.
O tom baixo, quase gentil, a confundiu ainda mais. Ela desviou o olhar por um instante, como se precisasse recuperar o equilíbrio.
— Quer que eu te ajude a tirar a roupa? — ele perguntou, provocativo.
— Não precisa — respondeu rápido demais, com a voz trêmula, entregando o nervosismo.
Então, ele soltou um riso baixo.
— Não precisa ficar acanhada, Sara. Quero que se acostume comigo.
— É difícil me acostumar com você, ainda mais quando você só quer ficar próximo em momentos como esses — confessou.
A sinceridade a fez baixar o olhar logo depois. Renato ficou em silêncio por um segundo, pego de surpresa. Era verdade. O contato entre eles quase sempre se limitava àqueles instantes: proximidade física, poucas palavras, silêncio depois. Fora dali, pareciam dois estranhos dividindo o mesmo espaço.
— Não é só nesses momentos — disse por fim. — Eu só… não sei fazer isso de outro jeito.
Sara ergueu os olhos lentamente.
— Fazer o quê?
— Ficar perto de você.
A resposta saiu simples, sem defesa, e isso a desarmou. Não havia provocação nem controle no tom dele, apenas cansaço e uma honestidade crua que ela não esperava encontrar.
— Você está me confundindo — ela disparou.
Soltando um suspiro curto, Renato respondeu:
— Você também — confessou.
O olhar dos dois se prendeu por um instante longo demais. Não havia ironia, nem jogo. Apenas a constatação de que estavam pisando em um terreno que nenhum dos dois entendia direito.
Ela levantou os olhos, encontrando o olhar dele tão próximo que o ar pareceu falhar por um segundo.
— Só não quero errar — confessou.
Ele sorriu de leve.
— Você não erra comigo.
A frase foi dita com uma simplicidade que a desarmou. Sara soltou o ar devagar, deixando os ombros relaxarem um pouco. A água começou a escorrer entre os dois. Renato pegou o sabonete e deslizou a espuma pelos braços dela primeiro, como se quisesse quebrar a tensão.
— Você está tremendo — observou.
— É o frio — mentiu.
Ele sorriu de canto.
— Aqui dentro?
Sara fechou os olhos por um segundo, rendendo-se ao constrangimento. Quando abriu os olhos de novo, encontrou o olhar dele ainda mais atento.
— Você fica nervosa com tudo que envolve a gente? — perguntou, sem provocação, apenas curioso.
Ela soltou um riso baixo, sem coragem de negar.
— Só… não estou acostumada.
— Vai se acostumar, do mesmo modo que estou me acostumando com você.

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