O que estava acontecendo ali?
Sara não conseguia organizar os próprios pensamentos; tudo parecia confuso demais. O coração batia descompassado, não apenas pela proximidade dele, mas pela certeza inquietante de que havia algo crescendo dentro de si, algo que a cada dia ficava mais difícil de conter.
“Não posso estar gostando dele”, pensou, enquanto sentia o olhar de Renato sobre si.
O vapor subia pelo ambiente, e o banheiro parecia encolher, como se o mundo inteiro tivesse se resumido àquele espaço apertado entre os dois.
Como se tivesse entendido que ela estava longe dali, perdida nos próprios pensamentos, Renato continuou a espalhar a espuma do sabonete pela pele dela.
Cada movimento parecia considerado para não assustá-la, mas ainda assim a deixava em alerta. A mão dele deslizou com paciência, como se tivesse todo o tempo do mundo. O contraste entre a água quente e os dedos firmes fez um arrepio subir por sua coluna.
— Era eu quem devia estar fazendo isso com você — disse ela, depois de um tempo. — Não quero que se esforce.
Renato soltou um riso baixo.
— Não é esforço nenhum fazer isso. Na verdade… tocar a sua pele é um prazer para mim.
A sinceridade crua na voz dele fez com que borboletas minúsculas começassem a voar pelo estômago dela. Não havia vulgaridade na frase, apenas uma verdade dita sem filtros. As mãos dele continuavam lentas, atentas a cada reação dela, como se aquele momento fosse menos sobre desejo e mais sobre presença.
— É melhor não prolongarmos muito isso — disse ela, tentando não pensar demais no que estava sentindo. — Você não pode ficar em pé por muito tempo.
— Sabia que estou gostando disso? — declarou, com um leve sorriso.
— Do quê?
— Da sua preocupação comigo.
Mais uma vez, ela sentiu o rosto esquentar.
— Não é nada demais — murmurou. — É só… cuidado.
— Para mim é — retrucou ele, simples.
O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Pelo contrário, pareceu envolvê-los numa calma estranha. Renato diminuiu o ritmo dos movimentos, como se finalmente cedesse ao pedido dela. A água continuava caindo sobre seus ombros, e o vapor suavizava as linhas do rosto dele.
— Vamos terminar isso logo — disse Sara, mais para se convencer do que a ele.
Mesmo com vergonha, ela o ajudou a terminar o banho e, após alguns minutos, terminaram. Quando desligou o chuveiro, o som súbito do silêncio fez o momento parecer ainda mais íntimo.
Sara pegou a toalha com mãos cuidadosas e se aproximou, secando-o primeiro. O gesto era prático, mas o coração dela insistia em bater rápido demais para algo que deveria ser simples. Renato não brincou, não provocou. Apenas deixou que ela cuidasse dele.
Logo em seguida, ela pegou a toalha e se secou também, e depois caminharam juntos para o quarto. Antes de se vestir, fez questão de ajudá-lo primeiro. Quando já estavam prontos, ela falou:
— Vou buscar o seu jantar, espere um pouco.
Ele assentiu, mas avisou de antemão.
— Hoje jantaremos no quarto, mas, a partir de amanhã, quero que comecemos a comer à mesa.
Sara saiu do quarto em direção à cozinha e, ao entrar, foi saudada por todas as funcionárias que estavam ali.
— Boa noite, senhora — disseram em uníssono.
Naquele instante, ela percebeu que algo realmente havia mudado ali. Só não sabia o que era.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!