Surpresa com tudo o que Odete lhe contou, Sara apoiou uma mão na mesa e passou a outra pelo rosto, tentando organizar os pensamentos. A cabeça parecia girar.
— O que foi, Sara? O que te deixa assim? — Odete perguntou, percebendo a confusão nos olhos dela.
— Eu não sei… tudo isso é novo e assustador para mim. Tenho receio de interpretar errado e acabar criando coisas que não existem.
Odete a observou com compreensão.
— Eu sei o que você sente. É normal, ainda mais depois de tudo o que passou. Mas precisa entender que as pessoas mudam.
Sara respirou fundo.
— Eu sei que mudam… e confesso que ele está diferente comigo, mas… — parou no meio da frase, sem encontrar coragem para concluir.
— Mas o quê, Sara? Do que você tem receio?
Ela demorou a responder.
— Tenho medo de acabar me machucando — confessou. — O Renato é um homem que muda de temperamento da noite para o dia. Eu não posso ficar à mercê disso. Eu sou a parte mais fraca dessa história, Odete… a corda sempre arrebenta para o meu lado.
Odete segurou a mão dela por cima da mesa, firme.
— Você só é a parte fraca se continuar acreditando nisso. E eu não vejo fraqueza em você. Vejo uma mulher que aguentou muito mais do que qualquer um aqui imagina.
— Ser forte cansa.
— Mas também protege — respondeu Odete. — E, às vezes, a gente precisa arriscar um pouco para descobrir se o que vem depois vale a pena. Você já chegou tão longe desde que chegou aqui. Primeiro, o Renato nem a olhava nos olhos, mas agora ele deixou bem claro para todos que você é a esposa dele. Não desperdice essa oportunidade, Sara, talvez ela não exista novamente.
Sara ficou em silêncio. Não era algo simples para se pensar ou decidir.
— O jantar está pronto — avisou uma das funcionárias.
— Obrigada — respondeu Sara, forçando-se a deixar de lado o turbilhão de pensamentos.
— Posso levar para o quarto, se a senhora quiser.
— Não precisa, eu levo.
Pegou a bandeja das mãos da mulher e voltou-se para Odete, abrindo um sorriso fraco.
— Obrigada por sempre conversar comigo. Não sei o que seria de mim nesta casa sem a sua companhia.
— Quero que me veja sempre como uma amiga.
Assentindo, saiu dali em direção ao quarto. Ao entrar, encontrou Renato sentado na cama, mexendo no notebook.
— Trouxe o seu jantar — avisou, aproximando-se.
Ele colocou o aparelho de lado e esperou que ela se aproximasse. Com cuidado, ela apoiou a bandeja e o serviu.
— Obrigado.
Enquanto ele dava a primeira garfada, ela o observava em silêncio. Queria falar sobre Lorena, sobre a casa, sobre tudo o que estava mudando entre eles, mas as palavras não encontravam saída. Renato percebeu o olhar fixo e ergueu os olhos.
— Não vai comer?
— Vou sim — respondeu, pegando o próprio prato e indo até a pequena mesa.
Sentou-se e começou a comer em silêncio, sentindo o olhar dele pousado sobre si.
Depois de alguns segundos, Renato largou o garfo.
— Está tudo bem?
Ela congelou por um instante.
— Claro, por quê?
— Você parece meio distante — disse ele, levantando-se com cuidado e caminhando até se sentar na cadeira ao lado dela. — Parece que sua cabeça está em outro lugar.
Ela respirou fundo.
— Só… muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.
— Por minha causa?
A pergunta veio direta demais. Sara demorou a responder.

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