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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 118

Na casa da família Lemos, Sérgio Lemos encarava os contratos espalhados sobre a mesa do escritório com o cenho carregado. A empresa que mantinha não era grande, mas era dela que vinha tudo: o sustento da casa, a estabilidade da família, a vida confortável que lutava para preservar. Ao revisar os papéis mais uma vez, percebeu o que já sabia, mas evitava admitir: entre os poucos contratos que restavam, apenas um realmente sustentava a estrutura da empresa.

O acordo com Renato Salles.

Embora Renato tivesse cancelado boa parte dos negócios entre eles, aquele contrato específico permanecia intacto. E, justamente por isso, parecia frágil demais. Vê-lo ali, isolado no meio dos outros papéis, despertava uma insegurança. Se perdesse aquilo, perderia muito mais do que um cliente.

A porta se abriu sem que ele percebesse.

— Você está aí há horas — disse Soraya, entrando com passos lentos. — O que está te preocupando?

Surpreso por não tê-la ouvido chegar, Sérgio ergueu o olhar. Passou a mão pelo rosto, cansado.

— Trabalho.

Ela se aproximou da mesa e apoiou as mãos na borda.

— Não é só trabalho. Eu te conheço.

Ele soltou um suspiro curto.

— A empresa está por um fio, Soraya. Se esse contrato cair… — não terminou.

Ela olhou para os papéis.

— É o do Renato, não é?

O marido assentiu.

— É o único que ainda segura as contas. E eu não confio na estabilidade disso.

— Você acha que ele vai cancelar?

— Eu não sei — confessou. — Ele fez questão de cancelar quase todos, mas deixou esse aqui.

— Será que ele está mantendo esse contrato por causa da Sara? — Soraya perguntou, sentando-se em frente à mesa, cruzando as mãos.

— Não sei.

— Não se esqueça de que fizemos o que ele pediu no dia do casamento. Ele queria uma noiva, e nós demos. Seria injusto dizer que não cumprimos com a palavra.

— Você tem razão — concordou Sérgio, pensativo. — Por acaso sabe como andam as coisas entre os dois?

— Tudo o que sei é o que a Raquel contou. Disse que o Renato está desfilando com a Sara por aí, apresentando-a como esposa.

Absorvendo a informação, ele encostou-se na cadeira.

— Isso é… inesperado.

— Ou estratégico — corrigiu Soraya. — Renato nunca faz nada sem motivo.

— Você não acha que ele está se apegando a ela?

Ela inclinou a cabeça rapidamente.

— Pelo amor de Deus, Sérgio, você realmente acha que uma mulher como a Sara conseguiria conquistar um homem como Renato Salles? — zombou, com desdém evidente.

O tom de desdém da esposa fez com que ele franzisse o cenho, mas não a interrompeu.

— Tente se lembrar — continuou ela —, ele era louco pela Raquel. Louco! Que tipo de homem trocaria o que sentia por uma princesa como a Raquel para se apegar a uma… patinha como a Sara?

A palavra ficou suspensa no ar, até que Sérgio passou a mão pelo queixo, incomodado.

— Você está sendo cruel.

— Não é crueldade — corrigiu, fria. — Estou sendo apenas realista. Renato pode estar exibindo esse casamento agora, mas isso não significa sentimento. Significa conveniência.

— E se não for? — perguntou ele, baixo.

Ela riu, descrente.

— Então o mundo virou de cabeça para baixo.

— Você subestima a Sara.

— Como assim?

— Vá visitá-la. Mesmo com tudo o que aconteceu, ela ainda é nossa filha, não é? Vá até lá com a desculpa de que está com saudade… e traga as informações que eu preciso.

— Como vou fazer isso? Nem sei se o Renato vai me aceitar na casa dele.

— Você nunca vai saber se não tentar — cortou Sérgio. — Faça o que estou mandando, Soraya. Vá atrás da Sara.

Ela ponderou por alguns segundos, mas assentiu, sabendo que o marido não mudaria de ideia.

— Tudo bem. Eu vou.

Sem escolhas, ela se levantou e saiu do escritório. Quando abriu a porta, parou bruscamente. Raquel estava ali, encostada na parede, claramente ouvindo tudo.

— Filha… o que você faz aqui? — perguntou, surpresa.

Raquel manteve o olhar frio.

— Não importa o que estava fazendo. Importa o que ouvi.

— E o que você ouviu, querida?

— Sei que você está planejando ir até a casa do Renato visitar a Sara.

Suspirando pesado, a mulher se aproximou da filha.

— É um pedido do seu pai, meu amor. Você sabe que, quando ele coloca uma coisa na cabeça, é difícil tirar.

— Eu sei — respondeu rápido demais. — Me diga… quando pretende ir?

— Ainda não sei. Vou tentar falar com ela antes, avisar da minha visita. Por quê?

Raquel deu um passo à frente.

— Porque eu vou com você — revelou com um sorriso maléfico nos lábios.

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