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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 119

Sara Lemos

Já faz duas semanas desde que Renato voltou do hospital e, desde então, tudo entre nós mudou. Ele faz questão de que durmamos juntos e, durante o dia, sempre demonstra o quanto aprecia a minha companhia. Passeamos pelos arredores da casa, conversamos sobre assuntos simples e, sem perceber, fomos criando uma rotina que antes parecia impossível.

Ainda é tudo muito novo para mim, mas, quando a noite chega e me deito sobre o peito dele, o medo que costuma me consumir simplesmente se dissolve. É como se aquele lugar, os braços dele, o silêncio do quarto, o som da respiração calma, começasse a se tornar seguro.

Quando ele me toca ou me beija, meu coração perde o ritmo. E é nesses momentos que percebo que não existe apenas desejo entre nós. Há algo maior, algo que tentei ignorar por muito tempo, mas que agora se torna impossível de negar: amor.

Eu tentei negar, tentei fingir que não era nada, mas a cada dia esse sentimento cresce, quieto e inevitável. Meu único receio agora é que ele perceba o que sinto antes que eu esteja pronta para admitir em voz alta. Quero que tudo entre nós aconteça com calma. Não quero agir por impulso e estragar o que ainda está se formando.

No início da semana, o acompanhei ao médico para uma revisão. Os curativos do braço e da perna finalmente foram retirados e, por recomendação médica, ele precisou iniciar a fisioterapia. O profissional vem três vezes por semana à fazenda e, enquanto Renato faz o tratamento, eu costumo ficar com Odete. Conversamos sobre coisas simples do dia a dia, e esses pequenos intervalos têm sido um alívio inesperado.

Depois que Lorena saiu de férias, a atmosfera da casa mudou completamente. As pessoas ficaram mais leves, os corredores menos tensos, e até o silêncio pareceu diferente. Não quero ser injusta, mas admito que não gostaria que ela voltasse. Ainda assim, sei que essa decisão não está nas minhas mãos… e talvez nunca esteja.

Até Constança, que antes parecia um pesadelo constante na minha vida, passou a ficar mais na dela. Renato já havia solicitado que ela voltasse para a própria casa, mas sei que a preocupação com o filho fala mais alto e é por isso que continua aqui. Não a julgo por isso. Ela não gosta de mim, mas ama o filho — e isso é algo que eu respeito.

O curioso é que, quando nos encontramos, ela faz questão de me ignorar. E, sinceramente, não me importo. Só o fato de não precisar ouvir seus insultos gratuitos já me deixa muito mais aliviada.

A única coisa que tem tirado um pouco do meu sossego são as ligações da minha mãe. Todos os dias encontro dezenas de chamadas perdidas dela e, por mais que a curiosidade exista, não tenho coragem de atender nenhuma. Para mim, tudo ficou claro: ela sempre preferiu a Raquel e nunca se importou realmente comigo. Por isso, pela minha própria saúde mental, decidi me afastar de todos da minha família.

— Aí está você — Renato surgiu caminhando, saindo da academia que ficava em um dos cômodos nos fundos da casa.

— Já terminou a fisioterapia? — perguntei, aproximando-me.

— Sim.

— E como se sente?

— Ótimo — respondeu, envolvendo minha cintura com as mãos.

Todo o meu corpo se arrepiou no mesmo instante. A sensação era absurda de tão boa, como se um simples toque fosse capaz de me desarmar por completo.

— Que tal assistirmos a um filme mais tarde? — sugeriu.

— Eu adoraria — respondi sem hesitar.

— Então, vou tomar um banho e fazer algumas ligações de trabalho. Quando terminar, te aviso.

Assenti, enquanto ele se inclinava para se despedir com um beijo breve, porém suficiente para deixar meu coração fora de compasso outra vez.

Enquanto eu o observava se afastar, ouvi passos se aproximando por trás. Virei-me e encontrei Odete.

— Sara, você tem visita — avisou.

Franzi a testa.

— Visita? — questionei, sem conseguir imaginar quem poderia estar ali por minha causa.

— Sim. A senhora se apresentou como Soraya Lemos… disse ser sua mãe.

119: Visita inesperada 1

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