Quando percebi que Constança fazia aquilo somente para me provocar, virei-me para ela com uma expressão nada amigável.
— Eu não sei o que a senhora pretende com isso, mas saiba que não vai conseguir o que quer.
— Será mesmo? — provocou, com um sorriso venenoso.
— Vou falar com o Renato agora mesmo sobre isso.
— Nossa… — zombou. — Vejo que você já está se achando a dona desta casa.
— Não, eu não estou. Porque, se fosse, já teria colocado não só a minha mãe para fora desta casa, como a senhora também.
Vi as pupilas dela se dilatarem no mesmo instante. Constança claramente não esperava uma resposta à altura. Mas eu estava cansada demais, não apenas do que acabara de fazer, mas de tudo o que já tinha feito comigo, para continuar permitindo que ela acreditasse estar acima de tudo e de todos.
— Vejo que meu filho está te tratando tão bem que você já começou a criar asas — disse, fria. — Mas precisa se lembrar de uma coisa: ratos não voam.
— Nem cobras, senhora.
Os punhos de Constança se fecharam. Ela deu um passo à frente, como se fosse avançar contra mim, mas se conteve. Parou no mesmo instante, balançou a cabeça e travou o maxilar antes de falar:
— Quero ver toda essa sua arrogância quando eu acabar com você, sua imprestável.
— Eu não tenho mais medo da senhora.
— Mas devia ter, vai por mim, eu sou perigosa demais… — declarou, antes de sair dali pisando pesado.
Assim que Constança saiu, o silêncio que ficou pareceu mais pesado do que qualquer palavra trocada ali. Permaneci parada por alguns segundos, respirando fundo, sentindo o coração ainda acelerado, mas a mente estranhamente clara.
Eu sabia que tinha ido longe. Sabia também que não havia volta. Enfrentá-la daquela maneira era cruzar uma linha invisível, daquelas que, uma vez ultrapassadas, mudam tudo. E Constança não era do tipo que aceitava derrotas, muito menos afrontas.
A pergunta que me martelava não era se ela tentaria algo contra mim, porque isso era óbvio. A dúvida real era como eu deveria agir a partir dali.
Confrontá-la diretamente não adiantaria. Ela se alimentava disso, do embate, do caos, do medo que acreditava provocar. Fugir também não era uma opção. Eu não podia continuar vivendo em alerta, escolhendo cada palavra como se estivesse pisando em cacos de vidro.
Renato.
O nome dele surgiu na minha mente quase como um reflexo. Contar tudo parecia o caminho mais lógico… e, ao mesmo tempo, o mais perigoso. Eu não queria parecer fraca. Nem criar mais conflitos entre mãe e filho. Muito menos dar a Constança o prazer de me ver usando Renato como escudo.
Mas também não podia continuar lidando com aquilo sozinha.
Encostei a testa na parede por um instante, fechando os olhos. Precisava ser inteligente, não impulsiva. Manter a postura, observar cada movimento, cada palavra dita. Constança jogava xadrez, não damas. E eu tinha acabado de me tornar uma peça naquele tabuleiro.
Se quisesse permanecer naquela casa e ao lado de Renato, teria de agir com estratégia. Escolher minhas batalhas. Saber a hora de avançar… e, principalmente, a hora de não recuar.
Abri os olhos devagar, sentindo uma determinação se formar dentro de mim.
Eu não iria provocar. Não iria implorar. Não iria me esconder.
Mas também não seria mais ingênua.
Se Constança queria guerra, eu precisava aprender a lutar do jeito certo.
Como sabia que Renato ainda devia estar resolvendo algumas ligações de trabalho, decidi ir até a cozinha para ver o que estavam preparando para o jantar. Precisava ocupar a mente. Pensar em qualquer coisa que não fosse Constança nem a minha mãe.


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