Quando entrou no quarto que dividia com Renato, Sara o encontrou trocando de roupa. Ver aqueles músculos à mostra fez um arrepio percorrer-lhe o corpo, mas ela se obrigou a manter o foco, não era para aquilo que estava ali.
— Já terminou as suas ligações? — perguntou, aproximando-se com certa timidez.
— Sim.
Ela respirou fundo, reunindo coragem.
— Será que poderíamos conversar um pouco?
Renato a encarou por um instante, depois pegou a camisa e a vestiu.
— Podemos fazer isso à mesa. O que acha? Estou faminto.
— É que… — ela hesitou, sentindo o aperto no peito. — É justamente sobre isso que eu quero falar.
Ele franziu levemente o cenho.
— O que houve?
Sara engoliu em seco.
— Teremos um convidado a mais no jantar — confessou.
Renato estreitou os olhos, confuso.
— Não me lembro de ter convidado ninguém.
— Nem eu — respondeu depressa. — Mas aconteceu uma coisa, Renato… a minha mãe acabou de chegar, sem aviso.
O semblante dele mudou no mesmo instante.
— Sua mãe está aqui?
— Sim. Mas quero deixar bem claro que eu não sabia de nada — apressou-se em dizer. — Ela veio por conta própria. Eu até pedi que fosse embora, mas a sua mãe interveio… e a convidou para ficar.
Renato ficou em silêncio por alguns segundos. Seu olhar se tornou mais sério.
— A minha mãe fez isso? — perguntou, e o tom de voz já não era o mesmo.
— Fez — confirmou, baixando os olhos.
— Mas deixei bem claro para a minha mãe que ela não é bem-vinda. Em nenhum momento dei a entender que esta casa está aberta para a presença dela. E, ainda que a sua mãe tenha insistido para que ela passasse a noite aqui, quero que ela vá embora o mais rápido possível — explicou depressa.
O clima no quarto mudou por completo.
Ele passou a mão pelos cabelos, respirando fundo, como se organizasse os próprios pensamentos. Quando voltou a encará-la, percebeu a aflição estampada no rosto de Sara, o modo como ela mantinha os ombros tensos, o olhar apreensivo, como se aguardasse uma reação dura.
Ele se aproximou devagar.
— Ei… — chamou, em tom mais brando. — Calma.
Surpresa com a suavidade inesperada, ela levantou os olhos.
— Eu sei que isso não foi culpa sua — continuou. — Dá para ver o quanto você está desconfortável com tudo isso.
Renato aprofundou o beijo por um breve instante, então deslizou as mãos pela cintura dela e a puxou para mais perto. Num movimento cuidadoso, a pegou no colo, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
Sara soltou um suspiro baixo, surpresa, e instintivamente envolveu o pescoço dele com os braços. O coração continuava descompassado, com aquela mistura intensa de expectativa e entrega que já não conseguia negar.
Sem desviar os olhos dos dela, Renato caminhou até a cama e a acomodou com cuidado sobre os lençóis. Ele se inclinou sobre ela, apoiando-se ao lado do seu corpo, e por um segundo ficaram apenas se olhando, próximos demais para fingir indiferença.
— Estou me acostumando com você, Sara… e não sei se isso é bom.
Ela respirou fundo antes de responder, sincera:
— Talvez não seja bom… mas, a cada dia que passa, parece cada vez menos errado.
— O que acha de nós? — ele perguntou, curioso.
Ela demorou um instante antes de responder, seus olhos ainda estavam presos nos dele.
— O que quer que eu responda? — perguntou, com a voz baixa, quase cautelosa.
— Quero que seja sincera. — Houve uma breve pausa. — Você gosta de ficar comigo?
As palavras se formaram na mente dela, mas não encontraram caminho até a voz. O medo de nomear aquilo parecia maior do que o de senti-lo. Então, em vez de responder, apenas assentiu.
Renato percebeu.
O canto da boca dele se curvou num leve sorriso, contido, como se não quisesse dar muito espaço à própria satisfação. Ainda assim, o olhar denunciava: aquilo bastava.
— Isso já diz muita coisa — murmurou, antes de voltar a beijá-la.

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