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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 123

Quando entrou no quarto que dividia com Renato, Sara o encontrou trocando de roupa. Ver aqueles músculos à mostra fez um arrepio percorrer-lhe o corpo, mas ela se obrigou a manter o foco, não era para aquilo que estava ali.

— Já terminou as suas ligações? — perguntou, aproximando-se com certa timidez.

— Sim.

Ela respirou fundo, reunindo coragem.

— Será que poderíamos conversar um pouco?

Renato a encarou por um instante, depois pegou a camisa e a vestiu.

— Podemos fazer isso à mesa. O que acha? Estou faminto.

— É que… — ela hesitou, sentindo o aperto no peito. — É justamente sobre isso que eu quero falar.

Ele franziu levemente o cenho.

— O que houve?

Sara engoliu em seco.

— Teremos um convidado a mais no jantar — confessou.

Renato estreitou os olhos, confuso.

— Não me lembro de ter convidado ninguém.

— Nem eu — respondeu depressa. — Mas aconteceu uma coisa, Renato… a minha mãe acabou de chegar, sem aviso.

O semblante dele mudou no mesmo instante.

— Sua mãe está aqui?

— Sim. Mas quero deixar bem claro que eu não sabia de nada — apressou-se em dizer. — Ela veio por conta própria. Eu até pedi que fosse embora, mas a sua mãe interveio… e a convidou para ficar.

Renato ficou em silêncio por alguns segundos. Seu olhar se tornou mais sério.

— A minha mãe fez isso? — perguntou, e o tom de voz já não era o mesmo.

— Fez — confirmou, baixando os olhos.

— Mas deixei bem claro para a minha mãe que ela não é bem-vinda. Em nenhum momento dei a entender que esta casa está aberta para a presença dela. E, ainda que a sua mãe tenha insistido para que ela passasse a noite aqui, quero que ela vá embora o mais rápido possível — explicou depressa.

O clima no quarto mudou por completo.

Ele passou a mão pelos cabelos, respirando fundo, como se organizasse os próprios pensamentos. Quando voltou a encará-la, percebeu a aflição estampada no rosto de Sara, o modo como ela mantinha os ombros tensos, o olhar apreensivo, como se aguardasse uma reação dura.

Ele se aproximou devagar.

— Ei… — chamou, em tom mais brando. — Calma.

Surpresa com a suavidade inesperada, ela levantou os olhos.

— Eu sei que isso não foi culpa sua — continuou. — Dá para ver o quanto você está desconfortável com tudo isso.

Renato aprofundou o beijo por um breve instante, então deslizou as mãos pela cintura dela e a puxou para mais perto. Num movimento cuidadoso, a pegou no colo, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.

Sara soltou um suspiro baixo, surpresa, e instintivamente envolveu o pescoço dele com os braços. O coração continuava descompassado, com aquela mistura intensa de expectativa e entrega que já não conseguia negar.

Sem desviar os olhos dos dela, Renato caminhou até a cama e a acomodou com cuidado sobre os lençóis. Ele se inclinou sobre ela, apoiando-se ao lado do seu corpo, e por um segundo ficaram apenas se olhando, próximos demais para fingir indiferença.

— Estou me acostumando com você, Sara… e não sei se isso é bom.

Ela respirou fundo antes de responder, sincera:

— Talvez não seja bom… mas, a cada dia que passa, parece cada vez menos errado.

— O que acha de nós? — ele perguntou, curioso.

Ela demorou um instante antes de responder, seus olhos ainda estavam presos nos dele.

— O que quer que eu responda? — perguntou, com a voz baixa, quase cautelosa.

— Quero que seja sincera. — Houve uma breve pausa. — Você gosta de ficar comigo?

As palavras se formaram na mente dela, mas não encontraram caminho até a voz. O medo de nomear aquilo parecia maior do que o de senti-lo. Então, em vez de responder, apenas assentiu.

Renato percebeu.

O canto da boca dele se curvou num leve sorriso, contido, como se não quisesse dar muito espaço à própria satisfação. Ainda assim, o olhar denunciava: aquilo bastava.

— Isso já diz muita coisa — murmurou, antes de voltar a beijá-la.

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