— Não quero voltar no assunto, mas você disse que iria continuar nos ajudando se arranjássemos uma esposa para entrar naquela igreja — insistiu.
Sem paciência para aquela conversa, Renato levou uma das mãos à cintura enquanto passava a outra pelo rosto, visivelmente cansado.
— Tudo bem — comentou, vencido pelo desgaste. — Eu não tenho nenhuma obrigação com vocês. Mas, só pelo fato de saber que, se eu ajudar, vocês deixarão a Sara em paz… eu farei.
Os olhos de Soraya se arregalaram, surpresa. Não esperava que ele cedesse com tanta facilidade.
— Está falando sério? — perguntou, ainda incrédula.
— Estou — respondeu, seco. — Vou acrescentar dois acordos com a empresa do seu marido. Mas saiba que será apenas isso. Nada além.
— Isso é ótimo — disse ela, com um sorriso vitorioso que não fez questão de esconder.
— Só peço uma coisa — acrescentou Renato. — Que nunca mais procurem a Sara nem a perturbem.
— Se é isso que quer, prometo que faremos — garantiu, sem hesitar.
Soraya pouco se importava com a filha. O que realmente queria era o dinheiro dele.
— Agora vá arrumar suas coisas — disse ele, encerrando o assunto. — Vou levá-la até a cidade.
— Claro.
Ele se afastou sem olhar para trás, enquanto Soraya permanecia ali, satisfeita. Era evidente que queria mais dele, mas, por ora, aquilo já lhe bastava.
Algumas horas depois, com as malas prontas, um funcionário levou tudo até o carro. Pouco depois, Renato apareceu novamente. Estava impecável, com a postura e a expressão de um verdadeiro empresário milionário.
— Vamos.
— A Sara não vai se despedir de mim? — Ela arriscou perguntar.
— A Sara ainda está dormindo — respondeu, sem rodeios. — E eu não tenho a menor intenção de acordá-la.
A resposta a contrariou, mas Soraya preferiu não comentar. Entraram no carro, e o motorista deu partida. Pela janela, ela percebeu que outro veículo os acompanhava. Seguranças. Bem armados.
— Vejo que você anda bem acompanhado — comentou, já na estrada.
— Só estou me precavendo, senhora.
— Entendo. Afinal, você é um homem muito rico e importante. Não pode sair por aí como uma pessoa comum.
Renato ignorou o comentário e voltou o olhar para a janela, desejando que o resto da viagem seguisse em silêncio. Mas Soraya não parecia disposta a isso.
— Sabe… — continuou — fico tão triste quando lembro do que a Raquel fez.
Ele lançou-lhe um olhar de soslaio, mas permaneceu calado, curioso para ver até onde ela iria.
— Minha filha sempre foi impulsiva e imatura. Mesmo assim, é uma boa menina.
Quando ouviu isso, ele revirou os olhos.
— Se soubesse o quanto ela está arrependida, tenho certeza de que daria uma nova chance a ela.
— Sua filha? Arrependida? — zombou. — Não creio nisso, ainda mais depois de tê-la visto com o amante.
— Você ainda não sabe, Renato? — disse, tocando-lhe o braço. — A Raquel e o Alessandro não estão mais juntos.
A revelação o pegou de surpresa.
— Como assim? Eu os vi juntos há algum tempo, numa viagem.
— Eu sei — respondeu ela. — E foi justamente por isso que eles terminaram. Quando Raquel te viu novamente, ao lado de Sara, percebeu o que perdeu. Naquela mesma noite, terminou tudo com o Alessandro e voltou para casa chorando. Ela te ama, Renato. Ama de verdade. E está arrasada por saber que você está com a Sara.
— Sua filha só ama a si mesma — rebateu, frio.
— Não é verdade. Se soubesse que ela está disposta a te reconquistar… o que faria?
— Nada — respondeu, indiferente. — Ela teve a chance dela e desperdiçou da pior forma.
— Não diga isso. Eu sei o quanto você a amava.
— Você está se enganando — insistiu ela. — Ela está se envolvendo com você porque está carente, porque precisa de alguém agora.
— Você não sabe de nada — respondeu, seco.
O carro reduziu a velocidade ao se aproximar do hotel em que ela havia dito que ficaria. Soraya apertou a bolsa contra o colo, sentindo que o controle da conversa escapava.
— A Raquel só quer conversar — tentou pela última vez. — Não custa ouvir.
— Eu não perderia meu tempo com a sua filha, nem mesmo se não tivesse absolutamente nada para fazer.
O carro parou em frente ao hotel.
— Pode descer — disse ele, fazendo questão de abrir a porta.
Soraya ainda segurava a bolsa quando um movimento à frente chamou a atenção dos dois.
Raquel estava ali, parada a poucos metros, com os cabelos soltos.
— Por favor, Renato, fale com ela — insistiu Soraya. — Tenho certeza de que, com uma boa conversa, vocês dois podem se resolver. Não é possível deixar uma relação de tantos anos acabar assim, em tão pouco tempo. Você precisa aprender a perdoar. A Sara não é mulher para você, ela é apenas uma mosca morta perto da Raquel.
— A senhora realmente não sabe a hora de parar, não é?
Soraya tentou dizer algo, mas ele não deu espaço.
— Além de não ter caráter, é uma péssima mãe — disparou, sem elevar a voz, o que tornava tudo ainda mais contundente.
Ignorando por completo a presença de Raquel, ele desviou o olhar para o motorista e fez um gesto.
— Retire as malas dela do carro.
O homem obedeceu sem questionar. Em poucos instantes, colocou as malas no chão e voltou a ocupar seu lugar ao volante.
— Vamos embora daqui. Não há nada de relevante neste lugar.
O veículo arrancou logo em seguida, deixando para trás duas mulheres boquiabertas.

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