— Grávida? — ela repetiu, como se a palavra fosse completamente nova.
Ficou em silêncio por alguns instantes, tentando organizar os próprios pensamentos, até erguer o olhar, assustada, para Odete.
— Isso não pode acontecer — murmurou.
Mesmo hesitante, Odete perguntou com cuidado:
— Não quero ser indiscreta, mas você e o Renato se previnem?
— Sim — respondeu depressa. Em seguida, o rosto dela mudou. — Quero dizer… na maior parte do tempo.
Ao notar o pavor estampado no semblante de Sara, Odete se aproximou e se sentou ao lado dela. Com calma, prosseguiu:
— A sua menstruação está em dia?
— No mês passado, veio normalmente… mas neste mês ainda não — explicou, com a voz já trêmula.
— Isso pode explicar algumas coisas: o sono excessivo, a fome diferente…
— Não, Odete — interrompeu, entrando em desespero. — Isso não pode estar acontecendo. Não agora.
— Por que não? — perguntou com curiosidade. — Vocês são adultos. E estão casados.
— Não estamos — rebateu de imediato. — Não, de verdade. Você sabe muito bem como é a minha situação com o Renato. Estamos começando a nos acertar agora… e um bebê pode mudar tudo.
— Pode mudar para melhor — ponderou Odete.
— Ou para pior — disse Sara, pensativa, sentindo o nó se formar na garganta.
Vendo o desespero em Sara, Odete segurou a sua mão.
— Você não pode ficar assim. Precisa ter certeza antes de qualquer coisa.
— Como? — perguntou, perdida.
— Com um teste de farmácia.
— Meu Deus… a cidade é tão longe — murmurou.
— O Renato está lá. Ligue para ele e peça que traga um.
— Eu não posso — respondeu depressa.
— Por que não?
Sara respirou fundo, com o olhar tomado pelo medo.
— Porque o Renato não pode saber que estou desconfiando disso. E se ele reagir mal? E se achar que estou planejando algo?
— Meu Deus, Sara… por que ele pensaria assim? — perguntou, surpresa. — Se as coisas são como você diz, se vocês não se previnem de vez em quando, ele deve estar bem ciente do que pode acontecer. O Renato não é nenhuma criança. Ele sabe muito bem como uma mulher engravida.
Inquieta, Sara balançou a cabeça.
— Mesmo assim, Odete… e se ele colocar a culpa em mim? Eu não posso dizer nada antes de ter certeza.
— E como vai ter certeza se não fizer o teste?
Então, Sara a encarou com um olhar quase suplicante.
— Será que você não pode ir até a cidade por mim?
Odete pensou por um instante, mas logo negou com a cabeça.
— Não posso sair da casa. Estou no lugar da Lorena agora, cheia de responsabilidades. Se eu sumir, todo mundo vai notar.
— Tem razão… — murmurou, mordendo o lábio inferior, aflita.
De repente, o som de um veículo chamou sua atenção. Ela se assustou, pensando que Renato poderia ter voltado, mas logo percebeu que era apenas Humberto estacionando a caminhonete nos fundos da casa.
Os olhos dela se iluminaram.
— Já sei o que fazer — disse, levantando-se depressa.


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