Rapidamente, Sara se afastou de Humberto num impulso, o que a fez tropeçar e quase cair. Só não foi ao chão porque ele foi mais rápido e conseguiu segurá-la.
— Você está bem? — perguntou, preocupado.
— Estou — respondeu, sem tirar os olhos de Constança.
Aproveitando a cena, Constança soltou uma risada curta.
— Olha só… a rata quase caiu depois de ser pega no pulo! — Zombou. — Meu filho não pode sair nem por um minuto, que você já corre atrás de outro homem.
— O que a senhora está insinuando? — questionou, indignada.
— Não se faça de sonsa. Eu sei muito bem o tipo de mulher que você é — disparou. — Só espero que o Renato abra os olhos antes que seja tarde.
— Já disse para a senhora me respeitar!
Percebendo que a situação poderia sair do controle, Odete se aproximou e tocou o braço de Sara com cuidado.
— Vamos voltar para dentro, menina. Não é bom que se estresse.
— Tem razão — disse, tentando se controlar. — Não vale a pena discutir.
As duas se afastaram, mas antes, Sara ainda lançou um último olhar para Humberto, como um pedido silencioso para que ele fosse discreto e fizesse exatamente o que ela havia pedido.
Assim que elas se afastaram, Humberto já estava prestes a entrar no carro novamente quando a voz de Constança o fez parar.
— Para onde pensa que vai?
— Estou indo para a cidade, senhora — respondeu, educado.
— Isso eu já sei — rebateu, impaciente. — Quero saber como ousa sair daqui sem me dizer o que estava acontecendo entre vocês.
— Não estava acontecendo nada, dona Constança.
Ela estreitou os olhos, perdendo claramente a paciência, e deu alguns passos à frente, reduzindo a distância entre os dois.
— Não minta para mim, Humberto — disse, em tom duro. — Eu vi muito bem a proximidade. Quero saber exatamente o que aquela garota estava fazendo com você.
— Ela só veio até aqui para me pedir um favor.
— Que tipo de favor? — perguntou, desconfiada.
— Quer que eu compre algumas coisas na cidade para ela.
— Algumas coisas? — repetiu, pensativa. — Que tipo de coisas?
Humberto hesitou no mesmo instante. Pensou em desconversar, encerrar o assunto ali, mas o olhar que Constança lhe lançou deixou claro que não seria fácil escapar sem dizer a verdade.
Ele se afastou um pouco, observou o caminho por onde Sara e Odete haviam seguido e só voltou a se aproximar quando teve certeza de que elas já estavam longe o suficiente.
Então, baixou a voz.
— A verdade, senhora, é que acho que a Sara está suspeitando de que esteja grávida — sussurrou, receoso de que alguém pudesse ouvir.
Naquele instante, os olhos da mulher se arregalaram.
O choque foi imediato.
Por alguns segundos, ela não disse nada. Apenas encarou Humberto, como se estivesse tentando absorver aquela informação.
— Grávida… — murmurou, mais para si do que para ele.
— É isso mesmo — ele continuou. — Ela não me disse nada diretamente, mas pediu que eu fosse até uma farmácia comprar alguns testes de gravidez.
— Não acredito nisso… — murmurou, ainda tentando processar.
— Eu até tentei perguntar o que aquilo significava — ele acrescentou —, mas a Odete pediu que eu não fizesse perguntas. Aquilo já me disse mais do que o suficiente. A Sara deve estar desconfiada de uma gravidez e quer tirar a dúvida.
Constança estreitou os olhos.
— Será que ela já contou isso para o Renato?
Ela deu um passo à frente.
— Se for preciso acabar com todas as minhas finanças só para manter meu filho bem longe dessa mulher, eu farei. Sem pensar duas vezes.
Ele permaneceu em silêncio.
— O Renato é bom demais para se envolver com esse tipo de gente — continuou. — No momento certo, ele vai encontrar uma mulher de valor. Vai se apaixonar de verdade… e perceber que quase cometeu a maior burrice da vida ao se deitar com alguém assim.
Convicta, ela cruzou os braços.
— E você vai me ajudar a garantir que ele nunca chegue a saber o que poderia prendê-lo a ela.
Houve um breve silêncio entre os dois. Constança percebeu que Humberto parecia hesitar um pouco, então decidiu ser mais dura.
— O que houve? — questionou, impaciente. — Não vai me dizer que mudou de ideia.
— Não é isso, senhora… — respondeu, vacilante. — É que, antes, a Sara parecia gostar de mim. Mas agora, com o rumo que as coisas estão tomando…
— Não seja um covarde! — interrompeu, ríspida. — Já que acha que ela não vai querer nada com você, pense ao menos no dinheiro que estou disposta a te dar.
Do mesmo modo frio, continuou:
— Seja sincero consigo mesmo. Nem trabalhando a vida inteira nesta fazenda você conseguiria o montante que estou disposta a te pagar para dar um fim naquela mulher.
Humberto abaixou o olhar.
— A senhora tem razão quanto a isso, mas…
— Mas o quê? — disparou, perdendo a paciência. — É melhor decidir de uma vez se está comigo ou não. Porque te garanto uma coisa: existem milhares de homens dispostos a fazer exatamente o que combinamos pelo dinheiro que estou oferecendo.
— A senhora tem razão — concordou, erguendo o olhar, resignado. — Não se preocupe com nada, dona Constança. Farei o que combinamos.
Constança sustentou o olhar por alguns segundos, avaliando-o, como se quisesse ter certeza de que não havia mais hesitação.
— É bom que faça — respondeu, fria. — Porque, a partir de agora, não há espaço para arrependimentos.

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