Já estava quase na hora do almoço quando Renato chegou em casa. Antes mesmo de atravessar a porta da sala, foi interceptado pela mãe.
— Ainda bem que chegou — disse ela, com a voz impaciente.
Renato nem precisou olhar muito para saber o que vinha a seguir. Revirou os olhos, visivelmente cansado.
— O que foi agora, mãe? Vai começar com um dos seus dramas?
— Dramas? — repetiu, ofendida. — Eu fico nesta casa de olhos bem abertos, observando tudo, vendo o quanto estão tentando te passar para trás… e você chama isso de drama?
— O que a senhora quer, afinal? — perguntou, direto.
Constança não perdeu tempo.
— Quero te dizer que, enquanto você estava fora, a sua querida Sara já foi se encontrar com o amante — disparou, venenosa.
A fala o incomodou no mesmo instante. Renato sentiu o maxilar se contrair. Sabia que a mãe tinha o hábito de aumentar histórias, mas, ainda assim, algo dentro dele se remexeu, inquieto.
— Vai mesmo começar com isso? — rebateu, com irritação. — Não acha que já está velha demais para sair espalhando fofocas por aí?
O olhar de Constança se tornou ainda mais duro.
— Não é fofoca, eu vi com meus próprios olhos. A Sara estava nos fundos da casa com o capataz, e o mais sujo de tudo é que percebi que a Odete a acoberta.
Respirando fundo, ele tentou manter a calma. Não queria dar a ela o prazer de uma reação impulsiva, mas também não estava disposto a ouvir aquele tipo de acusação sem limites.
— Quando foi isso?
— Há algumas horas.
— Tudo bem, vou conversar com ela.
— Não pode fazer isso — disse de repente, com medo de que Sara contasse a verdade sobre a suspeita da gravidez.
— Por que não?
— Porque eu sei que ela vai inventar uma desculpa qualquer para te ludibriar.
— Pelo amor de Deus, mãe, eu não sou nenhuma criança.
— Só estou tentando abrir os seus olhos. É querer demais? Não pode confiar nessa garota, Renato, por mais que finja bem, no fundo ela é igual ou até pior que a irmã.
— Você só está falando isso porque não a conhece.
— E nem quero conhecer — rebateu. — Não posso me dar bem com uma pessoa que se faz de santa em sua frente e pelas costas age mal.
— Mãe, pare de inventar coisas! — exigiu nervoso.
— Por que eu inventaria, hein? Sou a sua mãe, a única mulher nesse mundo que te quer bem sem nada em troca. Não pode confiar em mim nem uma única vez?
— E o que é que você quer que eu faça, me diz? — questionou nervoso. — Já falou que não quer que eu a confronte, então o que quer? Que eu a mande embora sem nenhum direito à defesa?
— Quero que você veja com os seus próprios olhos — declarou, incisiva. — Pelo que percebi, toda vez que você sai de casa, ela se encontra com ele. O que você deve fazer é simples: diga que vai sair, mas fique por perto. Quando os dois se encontrarem, você aparece e os pega no flagra.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!