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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 134

Quando percebeu que Sara havia perdido os sentidos, Humberto a segurou antes que caísse no chão. Com cuidado, a levou até o canto do estábulo, onde havia feno espalhado, e a deitou ali, apoiando sua cabeça.

— Eu sinto muito por isso, Sara… espero que um dia me perdoe — murmurou, observando-a ainda desacordada.

Por alguns segundos, ficou parado, como se ponderasse cada passo que viria a seguir.

Depois, voltou até a pequena mesa improvisada e começou a desfazer o cenário. Retirou o bolo, fechou a garrafa de café e afastou tudo dali, deixando apenas a sacola com o teste de gravidez sobre a madeira.

Quando retornou, ajoelhou-se ao lado dela. Ajustou a posição do corpo dela, afastou levemente uma mecha de cabelo do rosto e a despiu sem nenhum pudor, deixando apenas a sua própria jaqueta caída perto deles, como se tivesse sido largada às pressas.

Ele sabia que não tinha muito tempo. O efeito da droga logo passaria, e quando ela despertasse, se assustaria tanto com o que veria que não teria nem tempo para raciocinar direito.

Quando terminou, tomou uma decisão fria, também tirou a sua roupa e deitou-se ao lado dela, cuidando para que a cena parecesse comprometida aos olhos de qualquer um.

Com calma, pegou o celular e digitou uma mensagem curta para Constança:

“Tudo está pronto.”

Não levou nem um minuto para que a mensagem fosse visualizada.

Depois disso, ele apenas permaneceu ali, deitado ao lado de Sara, observando seu rosto sereno enquanto ela ainda não despertava. Sabia que qualquer pessoa que chegasse ao estábulo, ao vê-los naquela situação, naquele lugar isolado, tiraria conclusões precipitadas.

E era exatamente isso que ele queria.

Imóvel, vigiando o corpo de Sara naquela espera interminável, ele foi dominado por um desejo tão violento quanto súbito. A ideia, antes inimaginável, tornou-se uma tentação concreta e sussurrante. “Já estou no abismo”, pensou, justificando-se na própria mente. “Não tenho mais nada a perder.”

E, num acesso de entusiasmo e cobiça, deixou-se seduzir pela possibilidade de, finalmente, experimentar o objeto do seu desejo obsessivo. Deixando a razão de lado, ele começou a tocar o corpo de Sara. De repente, percebeu que ela estava acordando.

Seus olhos pareciam confusos e a cabeça latejava forte, como se tivesse levado uma pancada. A visão embaçada dela não conseguia reconhecer quem estava ali.

— Renato? — Ela sussurrou, ainda confusa, sem conseguir reconhecer onde estava. — É você?

Antes que pudesse entender melhor a situação, a voz de Renato ecoou de forma estrondosa pelo estábulo.

— O que é que está acontecendo aqui?!

Sara abriu mais os olhos, assustada. O coração disparou quando percebeu que quem estava ao seu lado não era Renato… mas Humberto.

A cena explodiu diante de Renato: Sara nua, Humberto ao seu lado do mesmo modo. A fúria foi instantânea e avassaladora. Sem pensar, ele avançou, ergueu Humberto e acertou-lhe o rosto com um soco violento. O movimento, porém, foi seguido por uma facada de dor no próprio braço. Sabia que ainda não estava cem por cento recuperado dos ferimentos causados pela bala, mas aquilo já não importava. Nada importava além da imagem que tinha diante de si.

E da sensação de traição que queimava em seu peito.

— Seus desgraçados! — gritou, agora encarando Sara, que ainda estava deitada no chão, visivelmente atordoada.

— Renato… eu… — ela tentou dizer, mas a cabeça girava e as palavras não se formavam direito.

— Eu confiei em você — disparou, com a voz alta. — Acreditei que era diferente da vagabunda da sua irmã!

— Eu juro que vou cuidar de você, seu filho da puta. Mas antes, vou cortar esse mal pela raiz.

Sem se importar com mais nada, Renato arrastou Sara para fora do estábulo, cego demais pela raiva para perceber que aquilo não passava de um plano maléfico bem elaborado.

Atrás deles, Humberto permanecia parado, em silêncio, assistindo ao caos que ele mesmo havia provocado. No fundo, sentia pena de Sara e sabia que aquilo marcava o fim para ela. Mas, ao se lembrar do dinheiro que iria receber, abafou qualquer resquício de consciência. Vestiu-se com pressa e esperou que Renato sumisse dali levando Sara, para então desaparecer também.

A partir daquele momento, não tinha mais nada a ver com aquelas pessoas. As malas já estavam arrumadas dentro do carro. Tudo o que lhe restava era ir embora dali, seguir para um lugar bem distante e mudar de vida.

Do lado de fora do estábulo, Renato arrastou Sara até o carro. Em vez de colocá-la no banco, jogou-a na carroceria, como se fosse um animal. Em seguida, entrou no veículo e arrancou dali. Sentia-se um tolo novamente e, por isso, estava convicto de que não lhe daria espaço para desculpas ou explicações.

Dirigia em alta velocidade em direção à cidade. Pelo retrovisor, via Sara chorar e implorar para que ele parasse o carro, mas não cedeu.

Quando chegou à cidade, estacionou em frente ao hotel onde Soraya estava hospedada. Pegou o celular e ligou para a mulher, que apareceu na entrada quase no mesmo instante.

— Renato, o que houve? — perguntou Soraya.

Ele não respondeu. Apenas desceu do carro, tirou Sara da carroceria e a jogou no chão.

— Vim te devolver algo que nunca deveria ter pego para mim — disparou, sem olhar para ela.

Em seguida, entrou novamente no carro e saiu dali, sem olhar para trás.

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