Soraya olhou, assustada, para a filha caída no chão, sem entender o que estava acontecendo.
— Sara?
Apressou-se em se aproximar e, ao chegar mais perto, percebeu que a filha estava quase nua. O choque tomou conta de seu rosto.
— O que houve?
Naquele momento, Sara não conseguiu dizer nada. As palavras não vinham. Apenas começou a chorar de forma descontrolada, pegando um punhado de terra e fechando o punho com força, como se tentasse segurar a dor que sentia.
— Me responde, menina! O que foi que aconteceu? — a mãe insistiu, abaixando-se para ficar na mesma altura da filha. — Por que o Renato fez isso com você?
Depois de alguns segundos, ainda com a voz chorosa, Sara conseguiu responder:
— Armaram para mim e ele acreditou em tudo, a ponto de não me deixar ao menos me defender.
Soraya franziu a testa, confusa.
— Quem armou para você? O que fizeram?
A mãe fazia perguntas atrás de perguntas, mas Sara permanecia imersa em seus pensamentos. Os fragmentos da memória começavam a voltar, e a lembrança de estar nua ao lado de Humberto a aterrorizava. Ela se recordou de ter acordado com ele tocando seu corpo. A ideia de ter sido abusada lhe causava um desespero, pois não sabia quanto tempo havia apagado. E todo o pânico só aumentava ao pensar que Renato havia visto aquela cena e a interpretado da pior forma possível.
Percebendo que a filha parecia perdida, Soraya a ajudou a se levantar.
— Venha comigo. Você não pode ficar no meio da rua desse jeito, vai acabar chamando a atenção.
Sem esperar por resposta, Soraya segurou a filha pelo braço e a conduziu para o interior do hotel. Precisava entender exatamente o que havia acontecido antes de tomar qualquer providência.
Entraram no elevador e, assim que saíram, deram de cara com Lorena. Ao ver o estado de Sara, ela arregalou os olhos, visivelmente chocada.
— Nos dê licença — pediu Soraya, tentando seguir em frente, sem saber de quem se tratava aquela mulher.
Mas Lorena permaneceu parada no mesmo lugar.
— Sara?
Ao ouvir a voz conhecida, Sara levantou a cabeça no mesmo instante. Seus olhos vermelhos de choro a encararam com surpresa.
— O que houve com você? — Lorena perguntou.
Numa onda de desespero, Sara se aproximou e segurou a mão dela.
— Por favor, Lorena… — implorou, sentindo a voz falhando. — Vá atrás do Renato para mim e diga a ele que tudo não passou de uma armação. Diga que o Humberto está por trás de tudo. Ele me dopou e armou uma cilada para mim.
— Como assim? — Lorena se fez de desentendida.
— Armaram uma coisa muito suja para mim — explicou. — Mas, pelo amor de Deus, me ajuda. Estão cometendo uma injustiça comigo. O Humberto não pode ficar impune. Eu sei que você não gosta de mim — continuou, com os olhos marejados —, mas me ajude com isso.
— Onde está o Renato? — Lorena perguntou.
— Eu não sei para onde ele foi — respondeu com a voz falhando. — Ele simplesmente me deixou aqui e saiu com o carro em alta velocidade.
— Eu vou atrás dele agora mesmo — anunciou, ignorando-a, entrando no elevador e apertando o botão do térreo.
— Você vai me ajudar? — Sara perguntou, desesperada.
Lorena não respondeu. Apenas ficou olhando para ela até que as portas se fechassem.
Ainda confusa, Soraya voltou o olhar para a filha.
— Quem é essa mulher?
— Vista isso.
Sem perder tempo, Sara vestiu a roupa às pressas. O corpo ainda tremia, mas a decisão estava tomada. Caminhou em direção à porta, determinada a sair dali.
Antes que pudesse passar, Raquel se colocou à sua frente, bloqueando a passagem.
— Aonde pensa que vai, patinha? — perguntou, cruzando os braços, com um sorriso frio nos lábios.
— Saia da minha frente, Raquel — pediu, mesmo com a voz trêmula.
Sara estava à beira do desespero. Tudo o que havia acontecido já era demais, e a provocação da irmã só piorava a situação.
— Com quem você acha que está falando, hein? — Raquel retrucou, em tom de deboche.
— Sai da minha frente, Raquel! — insistiu, agora com a voz mais alta.
Raquel avançou um passo, invadindo o espaço dela.
— Abaixa esse tom agora mesmo, sua patética — disparou, segurando Sara pelos cabelos com força suficiente para fazê-la recuar. — Acha mesmo que eu esqueci a forma como me tratou naquele hotel? Ou que me esqueci de sua prepotência?
Sara sentiu o couro cabeludo arder e levou a mão ao braço da irmã, tentando se soltar.
— Eu não fiz nada com você… — murmurou.
— Ah, agora quer dar uma de esquecida? — ironizou. — Você vai me pagar por tudo o que passei, sua peste. Por sua culpa, a minha vida virou uma merda.
A mãe observava tudo em silêncio, sem mover um músculo.
E foi naquele instante que Sara percebeu que, ali dentro, estava completamente sozinha.

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