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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 138

Sara pediu ao taxista que a esperasse ali. Desceu do carro e ficou parada diante do portão, com o coração acelerado. Alguns minutos depois, Odete apareceu, com a expressão aflita. Assim que a viu, correu até ela e a abraçou com força.

— Menina… o que foi que aconteceu naquele estábulo?

Tentando organizar os pensamentos, ela respirou fundo antes de contar o que houve.

— Odete, o Humberto armou para mim. Ele me dopou e... — parou no mesmo instante, sentindo a voz falhar. — Eu não sei exatamente o que aconteceu ali. Só sei que ele montou uma cena para o Renato pensar que eu estava com ele.

Os olhos de Odete se encheram de preocupação.

— Meu Deus… — murmurou.

— Eu acordei confusa. E, quando percebi, o Renato já estava lá. Ele não me deixou explicar nada. Não quis me ouvir. Eu preciso falar com ele, você precisa me ajudar. Ele simplesmente acreditou no que viu e me arrastou daqui como um bicho.

Os olhos da mulher ficaram úmidos. Ela ouvia cada palavra com atenção, sentindo a dor de Sara como se fosse sua.

Quando Sara terminou de falar, as duas estavam em lágrimas.

— Você precisa me ajudar a falar com ele, Odete. Eu preciso me explicar.

Enxugando o rosto, Odete parecia pensar em alguma coisa.

— Vou tentar de tudo, Sara. Mas acredito que hoje não tem mais como. Pelo que vi, o senhor Renato se trancou no escritório. Não quer falar com ninguém.

— Só me ajude a chegar até lá — pediu, segurando as mãos dela. — Eu faço o resto.

— Está bem.

Odete se aproximou de um dos seguranças e começou a conversar com ele em voz baixa. Disse que estava deixando Sara entrar por sua conta e risco, e que, se algo desse errado, ela mesma assumiria a responsabilidade.

O homem hesitou por alguns segundos, mas acabou assentindo.

Quando terminou a conversa, voltou até Sara.

— Vamos. Não temos muito tempo.

Esperançosa, Sara entrou na casa ao lado dela. Já era tarde e tudo estava escuro. O silêncio parecia ainda mais pesado ali dentro.

— Vá até o escritório. Ele está lá — sussurrou.

— Muito obrigada, Odete.

— Tome cuidado, menina. Ele deve estar com muita raiva de você, pois acredita que você o enganou.

— Não se preocupe. Eu vou resolver tudo.

Em silêncio, Sara caminhou pelo corredor. Cada passo parecia mais difícil do que o anterior. Ao chegar diante da porta do escritório, parou por um instante. Aproximou o ouvido da madeira, tentando escutar algum som. Não ouviu nada.

Então, abriu a porta devagar, sentiu o cheiro forte de bebida. Os olhos dela se fixaram num ponto, onde havia um movimento estranho. Estreitou o olhar e, ao entender a cena, paralisou. Ali, na mesa do escritório, estavam Renato e Lorena, totalmente nus.

Os olhos dela encheram-se de lágrimas no mesmo instante. Para não fazer barulho, tapou a boca com as mãos.

Não podia acreditar no que via.

Assim que ergueu o olhar e viu a filha se aproximando, Soraya levantou-se de imediato.

— Eu sabia que você viria — disse, fria.

Mas Raquel não esperou, caminhou em passos apressados até a irmã, visivelmente irritada.

— Você perdeu o juízo? — disparou, antes mesmo de chegar perto. — Como ousa pegar a minha bolsa?

Sem dar tempo para resposta, puxou a bolsa da mão de Sara com força.

— Ficou maluca? — continuou, olhando ao redor para ver se chamava atenção. — Além de sonsa, agora virou ladra?

Sara não reagiu. Apenas ficou em silêncio.

— A sua sorte é que a mamãe não deixou que eu prestasse queixa contra você — Raquel continuou, sem poupar palavras.

Enquanto a filha mais velha despejava acusações contra a irmã mais nova, Soraya observava em silêncio. Percebeu que Sara estava diferente. Mais quieta e resiliente. E isso a fez deduzir que algo não havia saído como o planejado naquela tentativa de fuga.

No alto-falante do aeroporto, soou a última chamada para o embarque.

— É o nosso voo. — disse Soraya, recolhendo a bolsa. — Seja lá o que tivermos para resolver, faremos isso em casa.

Sem dizer uma única palavra, Sara acompanhou a mãe, com a cabeça baixa.

Daria um jeito de se afastar da família mais uma vez. Não sabia como, nem quando, mas sabia que não ficaria presa àquilo para sempre. No entanto, de uma coisa tinha certeza: não queria ver Renato nunca mais em sua vida.

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