Sara pediu ao taxista que a esperasse ali. Desceu do carro e ficou parada diante do portão, com o coração acelerado. Alguns minutos depois, Odete apareceu, com a expressão aflita. Assim que a viu, correu até ela e a abraçou com força.
— Menina… o que foi que aconteceu naquele estábulo?
Tentando organizar os pensamentos, ela respirou fundo antes de contar o que houve.
— Odete, o Humberto armou para mim. Ele me dopou e... — parou no mesmo instante, sentindo a voz falhar. — Eu não sei exatamente o que aconteceu ali. Só sei que ele montou uma cena para o Renato pensar que eu estava com ele.
Os olhos de Odete se encheram de preocupação.
— Meu Deus… — murmurou.
— Eu acordei confusa. E, quando percebi, o Renato já estava lá. Ele não me deixou explicar nada. Não quis me ouvir. Eu preciso falar com ele, você precisa me ajudar. Ele simplesmente acreditou no que viu e me arrastou daqui como um bicho.
Os olhos da mulher ficaram úmidos. Ela ouvia cada palavra com atenção, sentindo a dor de Sara como se fosse sua.
Quando Sara terminou de falar, as duas estavam em lágrimas.
— Você precisa me ajudar a falar com ele, Odete. Eu preciso me explicar.
Enxugando o rosto, Odete parecia pensar em alguma coisa.
— Vou tentar de tudo, Sara. Mas acredito que hoje não tem mais como. Pelo que vi, o senhor Renato se trancou no escritório. Não quer falar com ninguém.
— Só me ajude a chegar até lá — pediu, segurando as mãos dela. — Eu faço o resto.
— Está bem.
Odete se aproximou de um dos seguranças e começou a conversar com ele em voz baixa. Disse que estava deixando Sara entrar por sua conta e risco, e que, se algo desse errado, ela mesma assumiria a responsabilidade.
O homem hesitou por alguns segundos, mas acabou assentindo.
Quando terminou a conversa, voltou até Sara.
— Vamos. Não temos muito tempo.
Esperançosa, Sara entrou na casa ao lado dela. Já era tarde e tudo estava escuro. O silêncio parecia ainda mais pesado ali dentro.
— Vá até o escritório. Ele está lá — sussurrou.
— Muito obrigada, Odete.
— Tome cuidado, menina. Ele deve estar com muita raiva de você, pois acredita que você o enganou.
— Não se preocupe. Eu vou resolver tudo.
Em silêncio, Sara caminhou pelo corredor. Cada passo parecia mais difícil do que o anterior. Ao chegar diante da porta do escritório, parou por um instante. Aproximou o ouvido da madeira, tentando escutar algum som. Não ouviu nada.
Então, abriu a porta devagar, sentiu o cheiro forte de bebida. Os olhos dela se fixaram num ponto, onde havia um movimento estranho. Estreitou o olhar e, ao entender a cena, paralisou. Ali, na mesa do escritório, estavam Renato e Lorena, totalmente nus.
Os olhos dela encheram-se de lágrimas no mesmo instante. Para não fazer barulho, tapou a boca com as mãos.
Não podia acreditar no que via.


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