Em seu quarto, deitado na cama, Renato olhava para o teto, completamente paralisado. Seus olhos mal piscavam, e a expressão em seu rosto era impossível de decifrar. Sentia-se morto por dentro, como se sua alma tivesse sido arrancada à força.
A cabeça latejava, e o braço doía por causa do soco que havia dado em Humberto e do esforço que fez para tirar Sara daquela casa às pressas.
Sara…
Só de pensar no nome dela, seu coração parecia sangrar. A imagem dela com Humberto naquele estábulo, deitados nus, não saía de sua mente. Não sabia se conseguiria esquecer aquela cena tão cedo.
Talvez nem devesse esquecer.
Porque, por mais que aquilo o destruísse por dentro, aquela imagem era, para ele, a prova de que Sara não era diferente da irmã.
Traidora.
Pensar que tantas vezes havia dito a si mesmo que ela era diferente fazia com que sentisse nojo de si mesmo. Sentia-se um completo idiota por quase ter se deixado levar por aqueles olhos verdes profundos, nos quais jurava enxergar sinceridade.
E, no fim, tudo não passava de ilusão.
Não queria sentir nada em relação àquilo, mas não podia ignorar o quanto estava machucado e era justamente isso que mais o perturbava. Sentia-se mais arrasado do que quando foi abandonado no altar por Raquel.
Fechou os olhos e apertou o punho, recusando-se a derramar uma única lágrima por aquela mulher, ainda mais ao imaginar que ela planejava ser ainda mais fria do que a irmã, suspeitando de uma gravidez e tentando jogar a responsabilidade de uma criança sobre ele.
O pensamento o deixou inquieto.
Porque, no fundo, sabia que, se ela realmente aparecesse grávida, acreditaria que o filho seria seu. E a ideia de uma criança em sua vida teria sido capaz de trazer luz para seus dias sombrios.
E isso era o que mais o revoltava.
O movimento do lençol ao seu lado o trouxe de volta à realidade. Ao virar o rosto, viu Lorena dormindo tranquilamente, com um semblante satisfeito no rosto. Ele a observou por alguns instantes, em silêncio. Depois fechou os olhos com peso, tomado por um incômodo profundo.
Como havia perdido o controle daquela forma?
Como tinha se deixado levar por ela?
Nunca, em toda a sua vida, havia olhado para ela com outros olhos. E agora estava ali, deitado naquela cama ao lado dela. O pior de tudo era que estava tão bêbado que não se lembrava de como haviam chegado até ali. Só se recordava dos dois no escritório, dela se aproximando, tirando sua roupa lentamente. Depois, tomado pela raiva e pela dor, deixou que ela o tocasse.
Mas o restante…



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