Tudo o que a mãe dizia parecia fazer sentido para Renato e isso o irritava ainda mais.
Sara sempre confiou plenamente em Odete. Disso ele tinha certeza. Sabia que, se quisesse, ela poderia ter pedido qualquer coisa à governanta sem a menor dificuldade. Se o que Odete afirmava fosse realmente verdade, por que Sara iria até o estábulo, tarde da noite, apenas para buscar aqueles testes? A própria Odete poderia ter feito esse favor.
O pensamento atravessou sua mente, alimentando novamente sua raiva e desconfiança.
— Eu não tenho nenhuma necessidade de mentir, senhora — disse Odete, mantendo a dignidade apesar do nervosismo. — Sempre fui muito leal ao senhor Renato e jamais ficaria do lado da Sara se soubesse que ela estava tentando enganá-lo.
— Cale-se! — Constança ordenou, cortante.
Deu um passo à frente, demonstrando seu desprezo por ela.
— Você pode até tentar enganar o meu filho com essa sua cara de coitada… mas a mim ninguém engana — continuou, venenosa. — Eu sei muito bem que você e aquela mulher sempre tiveram seus segredinhos.
Odete empalideceu, mas não recuou.
— O que sempre tivemos foi respeito uma pela outra, dona Constança — rebateu. — Coisa que, infelizmente, ninguém nesta casa teve por ela.
O clima pesou de vez.
— Chega! — Renato ordenou, cansado daquela discussão. — Estou cansado desse inferno dentro da minha própria casa. Não quero mais ouvir o nome da Sara sendo mencionado aqui. Para mim, isso termina hoje!
Ele então voltou o olhar para Odete, com a expressão dura, quase impenetrável.
— Quero que você arrume as suas coisas ainda hoje… e vá embora daqui.
Odete ficou imóvel por um segundo, como se não tivesse ouvido direito.
— Senhor… — murmurou, atônita.
Mas Renato não recuou.
— Considere-se dispensada — completou, frio. — Se considera tanto a Sara, é melhor ir ficar com ela.
Do outro lado, Constança não conseguiu esconder o brilho satisfeito que passou rapidamente por seus olhos. Era isso que ela queria, que todas as pessoas que fizessem o filho repensar sobre o que fez, sumissem dali.
Sentindo que a decisão do patrão não tinha volta, Odete ergueu a cabeça e o encarou nos olhos.
— Tudo bem… eu vou — disse, com dignidade. — Mas antes, quero que fique ciente de uma coisa, senhor Renato: o senhor está cometendo o maior erro da sua vida. Se fosse um pouco mais sensato, ao menos daria à Sara o benefício da dúvida.
O olhar dele endureceu ainda mais.
— Benefício da dúvida? — rebateu, frio. — Como dar isso a uma mulher que eu encontrei deitada com outro… e que ainda pode estar grávida dele?
Odete respirou fundo, reunindo coragem para o golpe final.
— Se isso fosse realmente verdade, senhor… — disse, sustentando o olhar — o senhor também deveria considerar que esse filho pode ser seu.
Os olhos de Renato vacilaram no mesmo instante, mas Odete não se importou, apenas continuou:
— Porque, se eu me lembro muito bem: sexo foi uma das coisas que vocês mais fizeram por aqui.
No mesmo instante, a expressão dele mudou. Já não havia a mesma certeza em seu olhar. Pelo contrário, ele engoliu em seco, como se, pela primeira vez, não encontrasse resposta para o que acabara de ouvir.
Odete percebeu, sabia que suas palavras tinham atingido onde precisavam. Sem dizer mais nada, apenas fez um leve aceno de cabeça e virou as costas, deixando-os para trás.
Entrou na casa e seguiu direto para o quarto dos empregados. Pegou a mala que mantinha sobre o guarda-roupa e começou a colocar seus pertences ali dentro, um por um, lentamente. Sentia o peito apertado por ter que deixar aquele lugar depois de tantos anos de trabalho e dedicação. Mas, ao mesmo tempo…



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