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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 144

Com as pernas pesadas, Sara desceu do táxi como se o corpo estivesse atrasado em relação ao resto do mundo. A fachada da casa dos pais estava exatamente como sempre. Era estranho como um lugar podia parecer igual e, ainda assim, não ser mais o mesmo.

Antes de entrar, parou por um instante. Seu olhar ficou preso na porta da frente. Um aperto tomou o peito dela tão forte que, por um instante, faltou ar. Não pretendia voltar tão cedo, ainda mais daquele jeito. Com a mãe de um lado e a irmã do outro, como se estivesse sendo conduzida de volta ao ponto onde sempre foi menor, mais fraca, mais culpada do que realmente era.

Soraya abriu a porta primeiro, com a pressa de quem queria terminar logo com aquilo. Raquel entrou logo atrás, sem sequer olhar ao redor, certa de que, ali dentro, nada se voltaria contra ela.

Por último, veio Sara. Por fora, mantinha a postura. Por dentro, parecia vazia. A imagem de Renato ainda queimava na sua cabeça, insistente, cruel. Ele olhava-a como se ela fosse alguém que ele não conhecia, expulsando-a como se tudo o que eles viveram não tivesse significado algum e, por cima de tudo, Lorena.

A cena dos dois juntos, naquele escritório, insistia em visitar a sua mente a cada segundo, reforçando a ideia de que nada que tiveram significou alguma coisa para ele. Ela sentia vontade de chorar desde o momento em que entrou no avião. A garganta ardeu o voo inteiro, seus olhos ficaram úmidos mais de uma vez. Mas ela segurou.

Segurou porque não queria que a mãe a visse desmoronar e porque não queria que a irmã assistisse ao que restava dela cair no chão.

Segurou também porque, se chorasse, talvez não conseguisse parar.

Assim que colocou os pés na sala, percebeu que não teria sequer um minuto de silêncio para respirar. O pai já estava ali de pé, com os braços cruzados como se fosse dono do mundo e, mais ainda, dono dela.

— Até que enfim — ele disse, impaciente.

Raquel se aproximou do pai e o abraçou, começando a se explicar.

— O voo atrasou e tivemos que enfrentar um engarrafamento no caminho para casa. Estou com muito sono, então vou dormir mais cedo.

Após a filha se afastar, Soraya cumprimentou o marido do mesmo modo.

— Estou cansada e minhas pernas estão doendo. Vou para o quarto descansar um pouco.

— Tudo bem, querida — ele respondeu, em tom compreensivo.

As duas mulheres se afastaram, deixando pai e filha sozinhos na sala.

Sara ergueu o olhar, visivelmente sem jeito.

Nunca teve o hábito de abraçá-lo ou cumprimentá-lo com afeto. Ele também nunca foi um homem de demonstrar carinho com ela. E, naquele momento, o olhar duro que ele lhe lançava deixava claro que Sérgio Lemos estava longe de qualquer gesto de acolhimento.

— Então você voltou para casa, não é mesmo, Sara? — ele começou, em tom avaliador.

Ela não respondeu, apenas permaneceu de pé, em silêncio, com os ombros rígidos.

Sérgio soltou um suspiro impaciente.

— Eu mandei a sua mãe até aquele lugar com um propósito muito claro: ver se conseguia alguma coisa com o Renato, já que ele estava envolvido com você… — o olhar dele se estreitou — e o que foi que aconteceu?

A pergunta caiu pesada.

— Nada do que aconteceu foi minha culpa — disse ela, por fim, com a voz baixa.

O pai soltou um riso sem humor.

144: Nunca foi um pai 1

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