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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 154

O avião tocou o solo do Canadá com um solavanco leve, e o som das rodas na pista pareceu mais alto do que deveria. Sara apertou os dedos no apoio do braço, sentindo o estômago revirar.

Quando as portas se abriram e o ar frio invadiu o corredor, ela teve a confirmação de que tudo era real. Não era um pesadelo do qual acordaria. Era o começo de outra vida, em outro país, com outra língua, e com um bebê na barriga que já não dava mais para fingir que não existia.

Eles passaram pela imigração com rapidez. Alessandro falava com segurança, entregava documentos, sorria quando precisava sorrir. Sara apenas o seguia, com a cabeça baixa, tentando parecer invisível. Sentia os olhares ao redor, mesmo que ninguém estivesse, de fato, prestando atenção. A paranoia era dela.

Do lado de fora, a cidade parecia limpa demais, organizada demais. Veículos passando, prédios altos ao fundo, pessoas andando com pressa e casacos pesados. Ela puxou o ar devagar, e o frio queimou sua garganta.

Um homem os esperava perto do estacionamento, e Alessandro trocou poucas palavras com ele. Em seguida, as malas foram colocadas no porta-malas de um veículo escuro. Sara entrou no banco de trás, com as mãos no colo, como se aquilo a ajudasse a manter o controle.

A viagem até a casa foi longa o suficiente para a ansiedade dela crescer, mas curta o bastante para não dar tempo de pensar em fugir. Pela janela, ela observava ruas largas, árvores enormes, placas em inglês e francês. Tudo tão distante da realidade que conhecia que parecia cenário de filme.

Quando o carro entrou em um bairro discreto, com casas afastadas e jardins bem cuidados, ela sentiu o coração disparar. Havia silêncio demais. Um tipo de silêncio que fazia parecer que qualquer grito iria ecoar por quilômetros.

Pararam em frente a uma casa grande, moderna, com janelas amplas e uma fachada impecável. Nada ali combinava com a sensação que ela carregava por dentro.

Alessandro desceu primeiro e abriu a porta para ela.

— Chegamos — disse, como se fosse uma boa notícia.

Ajeitando a alça da bolsa no ombro, ela desceu devagar. Eles entraram. O interior era ainda maior do que parecia por fora, mas a casa não parecia ter vida.

Um homem mais velho surgiu de um corredor, cumprimentou Alessandro com respeito e lançou a Sara um olhar curioso, porém contido. Em seguida, uma mulher apareceu, provavelmente funcionária também, e apenas sorriu de leve.

Mas Sara não conseguia sorrir de volta.

— Esse é o lugar onde ficaremos — disse Alessandro, andando pelo corredor. — Ninguém aqui vai te incomodar. Você está segura.

A palavra segura deveria acalmá-la, mas não acalmou. Porque segurança, para ela, significava escolha. E ali ela não tinha escolha nenhuma.

Alessandro a levou até um quarto no andar de cima. Era amplo, com uma cama grande, cortinas claras e uma janela que dava para um jardim nos fundos. Havia um banheiro privativo e um pequeno sofá perto da janela.

— Aqui — ele disse, abrindo a porta por completo. — Você pode descansar. A viagem foi longa.

Ela entrou, sentindo o cheiro de roupa de cama nova. O ambiente era bonito, mas impessoal. Como um quarto de hotel caro.

— Se precisar de alguma coisa, peça para a mulher lá embaixo, ela sabe falar português — Alessandro continuou. — Eu vou resolver algumas coisas.

Ela assentiu, sem coragem de olhar diretamente nos olhos dele por muito tempo.

Alessandro ficou parado por um segundo, como se esperasse que ela dissesse algo. Mas Sara não disse. Apenas ficou ali, com a mão segurando a alça da bolsa, como se estivesse pronta para fugir a qualquer momento.

Por fim, ele saiu.

A porta fechou, e o silêncio se instalou. Largando a bolsa no chão, ela se sentou na beira da cama. Suas pernas tremiam de leve. Ela passou a mão na barriga sem perceber, como um reflexo.

Em poucas horas, estava em outro país, em uma casa enorme, trancada em um quarto que não era seu. De repente, lembrou-se de já ter sentido aquela sensação antes, na casa de Renato.

Quando lembrou do nome dele, lembrou-se também de seu rosto, da voz, da raiva, do olhar frio. Ela fechou os olhos e tentou afastar aquilo.

Mas não conseguia.

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