Renato saiu da casa de Odete totalmente desnorteado. Parecia que tudo tinha ficado ainda mais apertado dentro de sua cabeça.
Entrou no carro quase no automático, deu partida e começou a dirigir de volta para o hotel. As ruas daquela cidade pequena passavam pela janela, mas ele mal via. A mente estava em outro lugar.
Ele apertou o volante com força, como se aquilo fosse a única coisa que o mantinha no controle. O que Odete disse não saía da cabeça. A possibilidade de ter sido enganado não apenas por Lorena, mas também pela própria mãe, era algo difícil de engolir. E, acima de tudo, a ideia de Sara ter voltado naquela noite para se explicar e ter visto o que viu… isso era o que mais o destruía.
Ele piscou com força, tentando afastar as imagens. Mas era inútil. Tudo voltava.
Se lembrava da foto que recebeu, de Sara com a mão na barriga, no aeroporto, ao lado do homem que ele mais odiava.
Irritado consigo mesmo, acelerou um pouco mais. A verdade é que ele não tinha tempo para se afundar. Não agora, quando ela podia estar indo embora do país correndo risco ao lado daquele sujeito, e quando havia uma criança no meio de tudo aquilo.
— Meu filho.
A palavra vinha e voltava, como se o corpo dele tentasse se acostumar com a ideia. O problema era que Renato não estava preparado para ser pai daquele jeito, descobrindo tudo com desespero, culpa e medo. E não estava preparado para saber que, por causa dele, Sara tinha ido parar nas mãos de Alessandro.
Ele engoliu em seco, sentindo a garganta arranhar. Sabia que, ao chegar ao hotel, precisava ligar para os detetives que havia contratado para encontrarem Sara.
Suas mãos começaram a suar. Ele olhou rápido para o retrovisor, depois para os lados, como se esperasse ver alguém o seguindo.
— Droga…
A ansiedade cresceu de um jeito rápido demais que, por alguns segundos, teve a sensação absurda de que ia perder o controle do carro. Foi então que percebeu que precisava parar. Rapidamente sinalizou e encostou no acostamento, perto de um posto quase vazio. Quando o carro parou, ele soltou o volante e ficou ali, respirando como se tivesse corrido quilômetros. Passou a mão no rosto, tentando se acalmar, mas o corpo não obedecia.
Fechou os olhos, tentando se controlar, mas o pensamento vinha por cima de tudo.
E se eu nunca mais encontrasse Sara? Se aquele desgraçado fizesse alguma coisa com ela? E a criança?
Era certo, na cabeça dele, que Alessandro faria algum mal com aquela criança só pelo simples fato de ser filho dele. Não por lógica, mas por ódio. Por vingança. Por prazer.
Ele abriu os olhos novamente, sentindo uma raiva que queimava.
— Eu não vou deixar… — sussurrou, com a voz falhando.
Pegou o celular com as mãos trêmulas e encarou a tela por alguns segundos, como se o aparelho fosse responder sozinho. Foi quando percebeu que tinha de agir do jeito certo desta vez. Odete estava certa. Se ele se deixasse levar pelo impulso, só ia piorar tudo.
Discou para o número desconhecido que havia lhe enviado a foto. Em apenas dois toques, a ligação foi atendida, mas, em vez de ouvir uma voz, havia apenas silêncio do outro lado da linha.
— Seu covarde — disse, com o sangue fervendo. — Eu sei que você está aí me ouvindo. Por que não veio atrás de mim, em vez de ir atrás de uma pessoa vulnerável como a Sara?
Por alguns segundos, nada.
Então, de repente, o som de uma gargalhada do outro lado da linha confirmou o que ele já desconfiava.
Alessandro estava ouvindo tudo e parecia se divertir com o seu sofrimento.
— Se o seu problema é comigo, por que tenta envolver outras pessoas? — Ele continuou, furioso. — Por que você é tão covarde?
— Covarde? — A voz de Alessandro soou finalmente do outro lado da linha, baixa e cheia de escárnio. — Estou apenas me divertindo.
O sangue de Renato ferveu no mesmo instante.
— Se você tivesse morrido naquele dia… — Alessandro continuou, com frieza — …não estaria passando por isso.
— Então admite que foi você, não é mesmo? Foi você quem tentou me matar!
Do outro lado, Alessandro continuou rindo.
— Eu não estou admitindo nada — disse, com uma calma que chegava a irritar. — Só fiquei sabendo do seu pequeno atentado… e estou comentando.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!