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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 158

O dia ainda nem havia clareado completamente quando Renato já estava de pé. Quase não dormiu. A cabeça latejou a noite inteira, e cada vez que fechava os olhos, via a mesma sequência: Sara no aeroporto… Alessandro sorrindo… e, por fim, Lorena parada no meio do quarto, dizendo que estava grávida.

Ele passou a mão pelo rosto, cansado, e foi direto para o banheiro. Precisava resolver aquilo de uma vez. No fundo, ainda acreditava que aquilo não passava de uma invenção de Lorena, para tentar segurá-lo de alguma forma.

Minutos depois, já vestido, saiu do quarto. A casa ainda estava silenciosa, parecia que todos ainda dormiam, mas quando chegou à sala, encontrou Lorena já à espera.

Ela estava arrumada demais para quem dizia estar nervosa. Cabelo solto, maquiagem leve, roupa escolhida com cuidado. Assim que o viu, ergueu o queixo, como se quisesse mostrar que estava pronta para o confronto.

— Achei que você não viria — disse ela.

— Eu não sou de fugir de problema — respondeu, seco.

O olhar dela brilhou por um segundo.

— Um filho não é um problema — rebateu depressa.

Ele não respondeu. Apenas fez um gesto curto com a cabeça.

— Vamos.

Saíram da casa lado a lado, andando em direção à garagem onde ficava o veículo dele. Assim que chegaram perto do carro, Renato destravou as portas. Lorena já se preparava para entrar quando uma voz cortante ecoou atrás deles.

— Que cena mais interessante logo cedo.

Os dois se viraram ao mesmo tempo.

Constança estava parada na entrada da casa, envolta em um robe elegante, mas com os olhos afiados como lâminas.

Renato fechou a expressão na hora.

— Mãe.

Ela desceu os degraus devagar, observando os dois como se estivesse montando um quebra-cabeça.

— Não sabia que você já tinha chegado — disse Constança, aproximando-se com o olhar atento.

— Cheguei ontem à noite — explicou, mantendo o tom neutro.

— E por que não me disse nada?

— A senhora já estava dormindo. Não queria te acordar.

Constança suavizou a expressão por um instante.

— Eu não me importaria de acordar para ver o meu filho — disse, aproximando-se dele e envolvendo-o em um abraço rápido, mas possessivo. — Estava com saudades.

Renato permaneceu rígido por um segundo antes de se afastar com discrição.

— Para onde vai tão cedo? — Ela perguntou, agora mais observadora.

— Preciso resolver algumas coisas.

— Com ela? — indagou, lançando um olhar desaprovador para Lorena.

O clima pesou na mesma hora.

Desde a última conversa que tiveram, as duas mulheres vinham se evitando por pura conveniência. Nenhuma das duas fazia questão de disfarçar a antipatia, apenas a mantinham sob controle quando necessário.

— Posso saber o que vocês dois estão fazendo juntos a essa hora da manhã? — Contança insistiu.

— Temos um assunto para resolver — disse, curto.

Constança arqueou uma sobrancelha.

— Assunto?

O olhar dela deslizou para Lorena mais uma vez, de cima a baixo, avaliando cada detalhe.

O clima ficou pesado em segundos.

— Já não bastava aquela outra, agora tenho que lidar com essa mulherzinha interesseira! — Constança continuou.

— Olha como a senhora fala comigo — Lorena rebateu.

— Eu falo como quiser! — gritou. — Você não passa de mais uma mulherzinha aproveitadora que quer tirar vantagens em cima do meu filho.

— Não me ofenda, dona Constança — pediu, fingindo estar indignada.

— Ah, por favor. Não venha se fazer de coitada perto de mim. Já sei identificar muito bem uma vagabunda como você.

Renato fechou os olhos por um segundo, já perdendo a paciência.

— Mãe, chega!

— Como assim, chega! — Ela rebateu. — Você quer mesmo que eu aceite um absurdo como esse calada?

— Nós só vamos ao médico confirmar uma suspeita. Nada além disso. — Ele tentou explicar.

— Suspeita? — Lorena deu meio passo à frente. — Não é suspeita, é uma confirmação.

Renato lançou um olhar cortante no mesmo instante para Lorena, percebendo que ela só queria colocar mais lenha na fogueira.

Constança percebeu imediatamente e aquilo só a deixou mais irritada.

— Então é verdade. Você realmente perdeu o juízo. — Murmurou desesperada. — Eu esperava muita coisa de você, Renato… mas isso?

— Já chega — disse, controlado. — Esse assunto é meu. Pare de querer se intrometer na minha vida.

Ele se aproximou da porta do passageiro e ordenou que Lorena entrasse no carro imediatamente. Depois que ela entrou, bateu a porta com força, deu a volta pelo carro e saiu dali.

Enquanto o carro se afastava, Lorena lançou um olhar para Constança e lhe deu um sorrisinho irônico, demonstrando ter vencido aquela batalha.

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