— Leve-a imediatamente para o trabalho, Lorena. Há muitas coisas para fazer nesta casa e não podemos perder tempo com isso.
Vendo que a patroa falava mesmo sério, Lorena olhou para Sara, ainda confusa, e disse:
— Venha comigo, senhora. — Disse num tom de respeito.
— Não a chame de senhora! — corrigiu Constança, impaciente. — Nesta casa, ela não é ninguém. Chame-a pelo nome ou, se quiser soar mais íntima, chame-a de feiosa, por ser isso que ela é.
Lorena respirou fundo e pediu que Sara a seguisse pelo corredor longo e silencioso da mansão. Cada passo que dava parecia pesar toneladas; o silêncio do lugar apenas aumentava a sensação de isolamento.
— Vamos.
Sara engoliu em seco, sentindo o uniforme apertando levemente em seu corpo magro. O coração batia acelerado, pois sentia um misto de medo e vergonha. Nunca havia imaginado que seria tratada daquela forma, e a ideia de que aquilo era apenas o começo a deixava ainda mais assustada.
Chegando ao corredor dos fundos, Lorena abriu a porta que dava acesso aos banheiros principais da mansão. O cheiro de produtos de limpeza e o frio do piso de cerâmica deixavam o ambiente ainda mais hostil.
— Vai começar por aqui — disse Lorena. — Limpe tudo. Cada canto. E faça rápido. Constança não vai tolerar lentidão.
Sara assentiu silenciosa, sentindo o peso da humilhação. Enquanto pegava a vassoura e o balde, não conseguia deixar de pensar em Renato. Ele sabia certamente de tudo o que estava acontecendo e imaginava que, de algum modo, havia permitido que isso acontecesse. A raiva misturada ao medo crescia dentro dela, mas não havia para onde correr.
Ela se abaixou para começar a esfregar o piso, cada movimento pesado, consciente de que cada canto limpo era uma humilhação a mais, mas também um passo para tentar sobreviver naquele lugar. Lorena ficou próxima, observando cada gesto, pronta para corrigir qualquer deslize, enquanto Constança, distante, podia vê-la de longe e rir silenciosamente de sua autoridade imposta.
— Vou ver todo mundo dessa família no chão, humilhados, até a Raquel surgir e pagar pelo que fez ao meu filho — rosnou ela entre dentes.
Depois de fazer Sara lavar quatro banheiros, Lorena levou-a para a área externa da casa, um pouco afastada, onde ficava a lavanderia. Havia roupas de cama para lavar, e a colocou como responsável por aquilo.
— Quando terminar, me procure. Terei mais serviços para você — disse ela, virando-se para sair.
Enquanto caminhava de volta à mansão, Lorena não pôde deixar de esboçar um sorriso satisfeito. Por dentro, estava feliz. Afinal, além de saber que Renato não havia se casado de verdade, a mulher que ele trouxera para casa não passava de alguém feia e sem importância, e assim ela não precisava temer que ele se apaixonasse por ela.
Quando entrou na cozinha, Lorena se deparou com Odete, que acabava de preparar o almoço.
— Podemos servir à mesa ou iremos esperar pelo senhor Renato? — perguntou Odete.
— Vou pedir que sirvam. Acho que o Renato não irá aparecer tão cedo.
— Independentemente de como ela veio parar aqui, eu acho que devemos tratá-la bem.
— Eu é que não vou fazer isso — disparou Lorena. — Não gostei dela desde o início e agora que sei que não passa de uma qualquer, não farei questão de tratá-la como patroa, já que sei que ela não é.
— Mas ela é um ser humano, lembre-se disso! — interveio Odete.
— Ser humano? — Lorena zombou. — Não entendo como o Renato teve coragem de trazê-la para casa, ainda mais ele, que sempre teve um gosto tão requintado para mulheres. Com aquela aparência horrível? Meu Deus, nunca vi uma mulher tão feia em toda a minha vida!
— Você diz isso por causa dos óculos que ela usa — Odete retrucou —, mas tirando aquele acessório que confesso que não é nada belo, a mocinha é até bonita. Tem olhos verdes, rosto delicado e corpo bonito também. Aposto que, se ela não usasse aqueles óculos, você mudaria de opinião.
— Não, eu não mudaria! — disparou Lorena, insatisfeita com a conversa. — E quer saber de uma coisa? Você devia voltar ao trabalho. Não acha que está conversando demais?
— Tudo bem. — Odete assentiu e saiu, deixando Lorena sozinha, com expressão de desgosto.
Ela não gostou do que ouviu. Sabia que Odete tinha razão: a única coisa que fazia Sara parecer terrivelmente feia eram aqueles óculos. E esperava, de todo o coração, que ela nunca os retirasse.
— Não preciso de outra mulher nesta casa para competir comigo — sussurrou, apertando os punhos com raiva.

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