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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 17

Sara Lemos.

Enquanto eu torcia lençóis enormes e grossos nas mãos, não pude conter as lágrimas que caíam dos meus olhos. Ontem já havia sido o pior dia da minha vida, e agora o hoje se transformava num pesadelo. Eu nem fazia ideia de onde estava, muito menos de quando conseguiria sair dali.

Todos ao meu redor pareciam contra mim, como se eu fosse a vilã dessa história, quando a única culpada de tudo devia estar por aí, em algum lugar, aproveitando a vida com o amante e rindo do que aconteceu.

— Meu Deus… por favor, me ajude — murmurei.

O sol era de matar, e a fome apertava de um jeito que minhas pernas tremiam a todo momento. Eu já não havia comido bem ontem, e hoje pela manhã nem tive tempo de tocar na comida, já que aquela mulher apareceu no quarto disposta a me humilhar de qualquer forma. E ela estava conseguindo.

Tudo o que ela fez e disse me destruiu de um jeito que eu nem sabia como reagir.

Enquanto eu tentava me recompor, ouvi o som da porta se abrindo. Uma figura familiar entrou, carregando uma bandeja com comida: era Odete.

— Vim trazer algo para você, senhorita — disse ela, com voz baixa e cuidadosa. — Sei que ainda não teve tempo de se alimentar.

A visão da comida me trouxe um alívio momentâneo, mas a humilhação e o cansaço ainda pesavam sobre meus ombros.

— Obrigada… — murmurei, sem conseguir esconder a gratidão que senti por aquele gesto simples. — Desde que cheguei aqui, você foi a única que me tratou bem — confessei, pegando a bandeja de suas mãos.

Havia uma pequena mesa de madeira ao lado de uma das máquinas de lavar, então decidi me sentar ali para comer. Odete me acompanhou, sentando-se na cadeira à minha frente.

— Eu só estou fazendo o meu trabalho — disse ela, com simplicidade.

— De qualquer forma, eu te agradeço muito — falei, dando a primeira garfada.

Não sei se era a fome, mas a comida estava tão deliciosa que fui colocando um garfo após o outro na boca. Quando olhei para Odete, percebi que ela observava minha pressa e até se admirava.

— Me desculpe — pedi, tentando me recompor. — É que eu estava mesmo com fome.

— Não se preocupe comigo — disse Odete, abrindo um sorriso terno.

Ela realmente parecia uma boa pessoa. E, por mais que dissesse estar apenas cumprindo suas obrigações, eu sentia que havia algo genuíno em sua preocupação comigo, algo que, naquele lugar cheio de desprezo, se destacava como um pequeno refúgio de humanidade.

Quando eu estava quase terminando de comer, notei que Odete parecia querer dizer algo, mas se segurava. Então decidi iniciar a conversa.

— Tem algo a falar, Odete? — perguntei.

— Oh, não — disse ela, mexendo as mãos nervosamente.

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