Odete arregalou os olhos ao ouvir o que a mulher acabara de dizer e ficou paralisada por alguns segundos, me encarando como se esperasse que eu reagisse. Mas eu não disse nada. Afinal, o que poderia dizer?
Nem eu sabia o que estava fazendo naquela casa.
— O que está esperando? — Constança gritou, vendo que Odete não se movia.
— Estou indo agora mesmo, senhora — respondeu ela, saindo do quarto.
Apressada, Odete atravessou o corredor em direção à lavanderia dos empregados. Mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, foi surpreendida por Lorena, que bloqueou seu caminho com um olhar cortante, quase acusador.
— Onde pensa que está indo? — Lorena perguntou, curiosa.
— A senhora Constança pediu que eu pegasse um uniforme.
— Uniforme? — Arqueou uma sobrancelha, confusa. — Para quem? Por acaso vai chegar algum empregado aqui e eu não sei?
— Não é isso. Ela pediu que eu levasse para a senhorita Sara.
— Sara? — Surpresa, ela se aproximou mais. — A mulher que o Renato trouxe para casa ontem à noite, apresentando-a como a sua esposa?
— Isso mesmo.
— Como assim, Odete?
— Eu não sei te responder, mas neste exato momento a senhora Constança está no quarto da Sara… brigando com ela.
— Brigando? — A curiosidade de Lorena cresceu a cada palavra de Odete.
Sem querer prolongar mais a conversa, Odete caminhou até o armário onde ficavam os uniformes e procurou um que servisse no corpo magro de Sara. Pegou um, fechou o armário e estava prestes a sair, quando Lorena tomou o uniforme de suas mãos:
— Deixa que eu mesma levo. Preciso ver com meus próprios olhos o que está acontecendo naquele quarto.
Dizendo isso, Lorena correu pelo corredor em direção ao quarto. Ao entrar, parou abruptamente. O rosto de Sara estava vermelho, como se tivesse acabado de apanhar, e a expressão de dor no rosto dela se misturava com medo e indignação.
— Que bom que você está aqui, Lorena — disse Constança assim que a viu entrar no quarto. — Sei que, por a casa ser muito grande, às vezes alguns cômodos acabam sendo negligenciados. Por isso, a Sara vai ficar responsável por eles de agora em diante.
— Mas, senhora… — Lorena se aproximou, ainda encarando o rosto vermelho de Sara. — O senhor Renato sabe que está querendo colocar a esposa dele para fazer os serviços domésticos?


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