Ao perceber o que havia feito, Constança se deu conta de que tinha passado dos limites, ainda mais quando viu Lorena levar a mão à barriga e começar a gemer de dor.
— Ai… — Lorena continuou gemendo, até se abaixar no chão, visivelmente abalada.
Sem saber o que fazer, Constança passou por ela e saiu correndo do escritório. Na pressa, acabou esbarrando em Eliene, que vinha pelo corredor carregando algumas toalhas de banho dobradas.
— Me desculpe, senhora — disse a funcionária, assustada.
Mas Constança não respondeu. Apenas a ignorou e seguiu apressada, como se precisasse fugir dali o mais rápido possível.
Estranhando a atitude da patroa, Eliene virou o rosto e a acompanhou com os olhos até ela desaparecer de vista. Em seguida, olhou na direção de onde ela havia saído e decidiu ir até lá para entender o que havia acontecido.
Quando se aproximou do escritório do chefe, escutou um pequeno grunhido.
A porta estava entreaberta.
Movida pela preocupação, ela espiou… até ver Lorena caída no chão. Seus olhos se arregalaram no mesmo instante.
— Meu Deus…
Eliene entrou rapidamente na sala e se abaixou ao lado dela.
— Lorena, o que houve?
— Aquela mulher… — Lorena tentou falar, mas a dor parecia mais forte que ela.
Eliene franziu a testa, alarmada.
— Dona Constança?
Lorena não respondeu com palavras. Apenas assentiu, ainda pressionando a barriga.
Eliene engoliu seco.
— Quer que eu faça alguma coisa por você?
Lorena respirou com dificuldade antes de dizer, com urgência:
— Chame o Renato… imediatamente.
Sem perder tempo, Eliene deixou as toalhas caírem no chão e saiu às pressas do escritório, em busca do chefe, que provavelmente estava em seu quarto.
Desesperada, chegou ao corredor e bateu na porta com urgência. Não demorou muito, Renato abriu a porta com o semblante tenso, claramente incomodado por ser interrompido daquela forma.
— O que está fazendo? — perguntou ao ver Eliene ali, ofegante.
— Senhor Renato… vá até o escritório agora mesmo!
O cenho dele se franziu na mesma hora.
— Por quê? O que houve?
— A Lorena está caída no chão… e parece ferida.
— O quê?
A expressão dele mudou instantaneamente.
Sem esperar por mais explicações, Renato saiu do quarto em passos largos e seguiu pelo corredor. Quando chegou ao escritório, parou bruscamente. Seus olhos caíram sobre a cena diante dele.
— Lorena? O que aconteceu? — perguntou, abaixando-se rapidamente para observá-la mais de perto.
Com o rosto pálido e a mão ainda pressionando a barriga, Lorena respirava com dificuldade.
— Me… me ajuda, Renato — disse, com a voz fraca. — A sua mãe… jogou aquilo…
Com esforço, ela apontou para o abajur caído no chão, o mesmo objeto que Constança havia usado.
— … na minha barriga…
O sangue dele gelou.
— Meu Deus — murmurou, visivelmente espantado.
Uma equipe se aproximou rapidamente ao ver o estado de Lorena.
— O que aconteceu? — perguntou uma das enfermeiras, já trazendo uma maca.
— Ela está grávida e começou a sangrar — respondeu, tenso. — Quero que ela seja examinada agora. Imediatamente.
Sem perder tempo, os profissionais acomodaram Lorena na maca.
— Senhor, precisamos levá-la para avaliação — disse a enfermeira, já empurrando a maca pelos corredores.
Lorena estendeu a mão trêmula na direção dele.
— Renato…
Ele segurou a mão dela por um segundo, mas a soltou no mesmo instante. A equipe a levou para o interior da área restrita e as portas se fecharam diante dele.
Sem ter mais o que fazer naquele instante, ele caminhou até uma das poltronas da recepção e se deixou cair ali, com o corpo inteiro tenso. Passou as mãos pelo rosto, respirando fundo, mas nem isso foi suficiente para acalmar o nervosismo dentro dele.
Não conseguia acreditar no que estava acontecendo, ainda mais sabendo que sua própria mãe tinha sido a responsável por tudo. Tirando o celular do bolso, ele discou o número da mãe. Em apenas dois toques, ela atendeu.
— Alô? — A voz de Constança soou do outro lado da linha.
— A senhora perdeu a noção? — ele questionou, sem rodeios.
— Do que está falando?
— Não se faça de tola — disse, nervoso. — Não bastava tudo o que a senhora já fez… ainda resolveu partir para a agressão?
Do outro lado, houve um breve silêncio.
Ele se inclinou para frente na poltrona, passando a mão livre pelos cabelos.
— A Lorena está no hospital, sangrando — continuou. — Se alguma coisa acontecer com esse bebê…
— O que você vai fazer? — Ela o cortou no mesmo instante. — Pare de ser hipócrita, Renato. Você está nervoso comigo, mas aposto que, no fundo, deve estar torcendo para ela perder o bebê… só para poder ir atrás daquela mulherzinha.

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