Quando a mãe disse aquilo, Renato paralisou no mesmo instante. Por alguns segundos, ele não conseguiu responder, porque a crueldade das palavras demonstrava o quanto a mãe era fria.
De fato, se aquela criança não viesse ao mundo, ele não teria mais que lidar com Lorena. Seria um problema a menos.
A ideia passou pela sua mente rápida, incômoda e difícil de ignorar. Mas, no instante seguinte, o peso daquilo caiu sobre ele.
A que custo?
Fechando os olhos por um momento, sentiu uma forte dor de cabeça. Eles estavam falando de uma vida, de um bebê que, mesmo ainda não tendo nascido, não tinha culpa nenhuma dos erros deles. Se havia um inocente naquela história entre ele e Lorena, era aquela criança e foi exatamente isso que fez o peito dele apertar de um jeito que não conseguiu e nem quis ignorar.
— Como a senhora tem coragem de dizer algo tão frio? — ele perguntou, indignado.
Do outro lado da linha, Constança soltou uma respiração impaciente.
— Frio? — rebateu ela. — Eu estou sendo realista.
— Não. A senhora está sendo cruel.
Houve um breve silêncio.
— Estamos falando de uma vida — continuou, mais controlado. — De um bebê que não tem culpa dos meus erros. Essa criança é inocente!
— Que se dane! — Constança disparou, nervosa. — Tudo isso aconteceu porque a Lorena me provocou e testou a minha paciência. Acha mesmo que eu queria chegar a esse ponto?
— Como não posso achar… depois de tudo o que já vi a senhora fazer ao longo desse tempo? A senhora é má, mãe.
Do outro lado, Constança ficou muda por um instante, até que soltou:
— Nada disso teria acontecido se você tivesse me ouvido desde que aquela mulher te abandonou no altar. Você devia ter me contado o que havia acontecido… antes de deixar outra mulher entrar naquela igreja. No fim das contas, a culpa é toda sua, Renato.
Ele ficou em silêncio por um segundo, mas a acusação não o derrubou como antes teria feito.
— Não, mãe. A senhora pode tentar virar essa história do jeito que quiser… mas a responsabilidade pelo que fez hoje é só sua.
Do outro lado, ela puxou o ar com força, claramente contrariada.
Renato continuou, agora mais duro:
— Eu já cometi erros, e não estou fugindo deles. Mas nada, absolutamente nada, justifica a senhora ter levantado a mão contra uma mulher grávida.
— Do jeito que você fala, até parece que se importa com a Lorena — provocou Constança.
— A senhora tem razão — disse ele, rápido.
Houve um breve silêncio do outro lado.
— Eu não vou ser hipócrita e dizer que me importo com a Lorena… porque ela é tão má e calculista quanto a senhora. Mesmo assim — continuou —, o que fez passou de todos os limites.
Ele respirou fundo, sentindo o peso da situação.
— Existe uma criança no meio disso tudo e essa criança não tem culpa de nada, e é por isso que você vai pagar.
— O que você está insinuando, Renato?
Os olhos dele escureceram.
— O que cometeu foi um crime e, se depender de mim… a senhora vai pagar.
Do outro lado da linha, Constança permaneceu em silêncio por alguns segundos. Mas Renato já não tinha mais disposição para aquela conversa, por isso, resolveu desligar.
— Eu não estou falando de protocolo. Estou falando que, se for necessário um hospital melhor ou um tratamento mais eficaz, quero que saiba que não precisa hesitar, eu tenho condições para arcar com todos os custos. O importante é que esse bebê fique bem.
— E é exatamente isso que estamos tentando fazer. — O médico concordou. — Nesta fase da gestação, o mais importante é estabilizar a mãe, controlar o sangramento e acompanhar a evolução do embrião.
Ele fez uma pequena pausa antes de completar:
— Infelizmente, dinheiro não muda a biologia, mas pode ficar tranquilo que ela está recebendo o melhor atendimento possível.
— Tudo bem — ele consentiu, percebendo que não havia muito mais que pudesse fazer naquele momento.
— Se o senhor quiser, pode ficar ao lado da paciente.
Renato assentiu.
— Quero, sim.
Sem hesitar, seguiu o médico pelo corredor, todavia, no meio do caminho, seu celular vibrou na mão. Num gesto automático, ele baixou o olhar para a tela.
Era uma notificação de um dos seus detetives. Seu coração acelerou antes mesmo de abrir a mensagem.
“Conseguimos encontrar a localização da senhorita Sara. Ela está em Toronto, Canadá.”
Ele parou no mesmo instante no meio do corredor. Não conseguia acreditar que tinham encontrado Sara tão rápido. A vontade de vê-la queimou mais forte do que qualquer outra coisa.
Notando que ele havia parado de caminhar, o médico se virou e perguntou:
— Senhor… não vai me acompanhar?

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