Naquele momento, Renato se sentiu dividido entre a cruz e a espada.
De um lado, havia um filho seu correndo risco de vida. Do outro… Sara, que também carregava um filho seu e que, ele sabia, precisava ser resgatada das mãos de Alessandro.
Seu peito apertou com força, mas aquele não era o momento de se perder nos próprios conflitos.
— Claro, estou indo — disse, voltando a acompanhar o médico.
Eles seguiram pelo corredor em silêncio. O som dos passos ecoava no piso claro do hospital, enquanto o nervosismo dentro dele só aumentava.
Poucos segundos depois, o médico empurrou uma porta de vidro.
— Pode entrar.
Renato atravessou a porta… e parou. Lorena estava deitada no leito da sala de terapia intensiva, pálida, visivelmente abatida. Um soro corria lento pelo acesso em seu braço, enquanto monitores ao lado da cama marcavam seus sinais vitais com bipes ritmados.
Por um instante, ele apenas observou. Aquela não era a Lorena de sempre. Ela parecia frágil, vulnerável. Como se tivesse encolhido dentro de si.
Quando percebeu a presença dele, Lorena virou o rosto com esforço. Seus olhos estavam úmidos.
— Renato… — chamou, com a voz fraca.
Ele se aproximou devagar do leito.
— Estou aqui.
Os dedos dela se moveram levemente sobre o lençol, como se buscassem apoio.
— Nosso bebê… — murmurou, com medo evidente na voz.
Mantendo certa distância do leito, Renato estava com os ombros rígidos e a expressão séria demais para esconder a preocupação que sentia.
— O médico já me explicou a situação — disse, num tom controlado. — Você teve um sangramento, mas eles conseguiram te estabilizar por enquanto.
Como se buscasse algo a mais no rosto dele, Lorena o observava atenta. Mas Renato não se aproximou, nem tocou nela. Não havia nenhum gesto de carinho.
— As próximas horas vão ser importantes — continuou ele. — Então você precisa ficar calma e seguir tudo o que os médicos mandarem.
Os dedos dela se fecharam sobre o lençol.
— Renato… eu estou com medo…
Por um breve segundo, o olhar dele vacilou, mas só por um segundo.
— Eu sei — respondeu, sem suavizar demais a voz. — Mas agora o melhor que você pode fazer é se manter tranquila. Estresse só piora a situação.
Lorena engoliu em seco, ainda com os olhos presos nele, parecia haver expectativa ali, mas Renato não se moveu. Pelo contrário, permaneceu a uma distância segura do leito, com as mãos nos bolsos. Porque, apesar da preocupação evidente… não havia proximidade entre eles. O que os mantinha ligados naquele quarto era apenas uma coisa.
O bebê.
E, embora soubesse disso, Lorena preferia insistir. Queria usar aquela situação para se aproximar dele… ou, pelo menos, fazer com que o coração de Renato amolecesse.
— Se algo acontecer com esse bebê… eu não sei o que fazer — disse, com a voz frágil de propósito.
— Então, apenas se cuide e descanse — respondeu, direto.
As palavras foram corretas… mas frias.
— Você não está sozinha, uma enfermeira vai te acompanhar. Além do mais, vou pedir que a Eliene venha ficar com você — respondeu.
— Você sabe que não é disso que eu estou falando! — ela rebateu, já mais nervosa. — Se alguma coisa acontecer enquanto você não estiver aqui… eu não vou te perdoar.
Mesmo tentando manter a calma, Renato percebeu com clareza a pressão psicológica que Lorena tentava exercer sobre ele e aquilo o deixou mais tenso. Desta vez, porém, ele se aproximou do leito e a encarou diretamente nos olhos.
— Escuta aqui, Lorena. Estou tentando manter o controle dessa situação… então te peço que seja mais compreensiva.
A voz dele saiu contida, mas cheia de autoridade.
— Eu sei que o que você está passando é pesado. E pode acreditar… eu também não estou nada em paz com isso.
Ele fez uma breve pausa, endurecendo o olhar. Sabia que aquele não era o momento apropriado para tocar naquele assunto, ainda mais com ela fragilizada daquele jeito. Mesmo assim, a raiva o consumia ao lembrar que Lorena também havia se aproveitado e muito da fragilidade de Sara.
— Mas não venha com essa história de perdão ou não.
O ar pareceu gelar ao redor dos dois.
— Porque, se tem alguém aqui que não merece ser perdoada pelo que fez… é você.
A expressão dela empalideceu no mesmo instante. Seus olhos se arregalaram ainda mais ao ver o quanto ele estava sério e determinado, sem espaço para manipulação.
— Renato, não se esqueça de que estamos falando do nosso filho — ela tentou apelar.
— Sei disso — ele rebateu depressa. — Mas creio que você também saiba… que ele não é o único filho com quem devo me preocupar.
Ao dizer isso, ele apenas se despediu e saiu dali sem olhar para trás. No mesmo instante, os olhos dela se encheram de lágrimas, não de tristeza por sua partida, mas de raiva ao perceber que nem mesmo vê-la ali, sofrendo no hospital, foi suficiente para amolecer o seu coração a ponto de fazê-lo ficar.

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