Renato Salles
Eu vi o quanto ela parecia fria e distante e, no fundo, eu não a julgava por isso. Mesmo assim, eu não tinha atravessado tantas horas de voo para desistir na primeira barreira. Estava ali para buscá-la e vê-la ali na minha frente agora só me fazia ter mais vontade de me aproximar mais.
Tentando controlar o meu impulso de abraçá-la, me aproximei com paciência e cautela.
— Como você está? Ele te machucou? — perguntei, analisando o rosto e o corpo dela quase sem perceber.
No mesmo instante, Sara deu um passo para trás, como se meu simples gesto fosse uma ameaça.
— Me machucou? — repetiu, soltando uma risada carregada de sarcasmo. — Você veio até aqui para me perguntar isso?
Os olhos dela estavam cheios de incredulidade e a forma como falou deixou claro que aquela pergunta soava quase ofensiva.
— Eu estava preocupado — confessei. — Desde o dia em que descobri que aquele desgraçado estava com você, eu nem consegui dormir direito.
— Pois pode voltar para sua casa e dormir bem tranquilo — ela respondeu, irônica —, porque o desgraçado a quem você se refere me tratou melhor do que qualquer homem que eu já conheci na vida.
Suas palavras me atingiram em cheio. Eu senti um aperto no peito tão forte que precisei dar um passo instintivo para trás, como se o corpo tivesse reagido antes da mente. O que mais doeu não foi a comparação, foi o olhar dela. Eu pude ver ali a mágoa ainda viva e, naquele instante, ficou claro que não era Alessandro quem ocupava o lugar de vilão na história dela.
Era eu.
Engoli em seco, porque, pela expressão dela, ficava evidente que a ferida que eu havia deixado era muito mais profunda do que qualquer coisa que Alessandro pudesse ter feito.
Tentando me controlar, respirei fundo, medindo as palavras que deveria usar.
— A gente precisa conversar.
Ela não se moveu, pelo contrário… seu olhar pareceu ficar ainda mais fechado.
— Não temos nada para conversar — respondeu, fria.
— Temos, sim — insisti, mas sem elevar a voz. — E você sabe disso.
— Engraçado que quando fui eu quem disse que precisava conversar, você simplesmente virou as costas para mim e me tirou da sua casa, me jogando naquele carro como se eu fosse um lixo.
— Sara! — insisti. — Você não imagina o quanto eu estou arrependido por aquilo.
O olhar dela não vacilou, na verdade, ficou ainda mais frio.
— Acha que acredito em seu arrependimento? — questionou, me olhando com escárnio. — Eu não preciso e nem quero mais olhar em seu rosto, ainda mais depois de tudo o que me fez.
Soltando uma pequena risada sem humor, ela continuou.
— Porque, quando eu mais precisei que você pensasse assim… você não pensou.
— Deixa eu te explicar o que aconteceu. Eu fui enganado! Acha que consegui pensar no que estava acontecendo quando vi você e o Humberto daquele jeito? Eu só pensei na dor de ser traído novamente, ainda mais por alguém por quem eu estava nutrindo um sentimento tão puro.
Ela cruzou os braços, mantendo distância como se aquilo fosse uma barreira física entre nós.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!