Quando percebeu que ela estava prestes a ir embora, Renato avançou um passo e segurou seu braço. O gesto foi impulsivo, mais desespero do que intenção, mas, no mesmo instante, ele viu o olhar dela cair sobre a própria mão que a segurava.
Sara estreitou os olhos, devagar, como se aquele simples toque fosse algo que ela já não aceitava mais.
— Sara… por favor — ele implorou, com a voz baixa, quase como a de um menino com medo de se perder da mãe no meio de uma multidão.
Ela não respondeu de imediato, primeiro olhou para a mão dele em seu braço, depois levantou o olhar para encará-lo.
— O que você pensa que está fazendo? — perguntou. — Acha que pode tocar em mim quando quiser?
Renato percebeu na mesma hora que havia ultrapassado um limite, mesmo assim não a soltou imediatamente, porque sabia que, se a deixasse ir naquele momento, talvez não tivesse outra chance.
— Eu… — começou, mas a voz falhou por um instante.
Ele respirou fundo, como se finalmente estivesse aceitando algo que vinha tentando negar por muito tempo. Então afrouxou a mão no braço dela, mas não se afastou.
— Eu estive errado esse tempo todo — confessou. — Em tudo.
O silêncio entre os dois se alongou.
— Errei quando não te ouvi… errei quando deixei a raiva falar mais alto… e errei ainda mais quando escolhi acreditar no pior sobre você.
Os olhos dele baixaram por um segundo, como se admitir aquilo exigisse mais coragem do que qualquer outra coisa que já tivesse feito.
— Eu sei que não mereço que você me escute — continuou. — Muito menos que me perdoe.
Sara permaneceu imóvel, com o olhar ainda duro, no entanto, Renato continuou mesmo assim.
— Só que estou muito arrependido. Mais do que você imagina.
A mão dele finalmente caiu ao lado do corpo.
— Eu penso nisso todos os dias… em tudo o que fiz com você. E quanto mais eu penso… mais eu percebo o tamanho do erro que cometi.
Ele ergueu o olhar novamente, dessa vez direto para ela.
— Eu vim até aqui porque não consigo mais ignorar tudo o que aconteceu. — A voz saiu mais rouca agora. — Preciso consertar isso, mesmo que você ache que não tem mais conserto. Quero você perto de mim — confessou. — E, para isso, estou disposto a fazer qualquer coisa. O que você me pedir.
Ela ergueu as sobrancelhas, incrédula.
— E por que você acha que quero algo de você? — indagou, soltando uma pequena risada sarcástica. — Por que acha que eu aceitaria ficar ao lado de um homem que só me machucou?
Renato engoliu seco.
— Eu sei que errei — insistiu. — E estou disposto a mudar tudo.
Ele deu um passo mais perto, sem invadir o espaço dela.
Renato mordeu o lábio, sentindo o peso daquela verdade esmagar qualquer palavra que tentasse formar, porque ele já conseguia imaginar o olhar dela e a expressão de decepção no instante em que Sara descobrisse que Lorena também estava grávida.
Tentando manter o controle, ele endireitou o corpo e fechou os olhos por um instante, como se precisasse reunir coragem antes de continuar.
— Você tem razão — disse, por fim. — Nada justifica o que eu fiz.
O ar saiu pesado de seus pulmões.
— Eu estava bêbado… e com raiva. A Lorena apareceu e se aproveitou de um momento em que eu estava vulnerável — confessou, sentindo a vergonha queimar em seu rosto. — Eu sei que deve ter sido horrível para você ver aquilo — continuou. — Mas eu juro… não passou daquela noite.
Ele passou a mão pelo rosto, claramente desconfortável com a própria lembrança.
— Depois daquilo, eu nunca mais deixei que ela se aproximasse de mim. Porque, mesmo achando que você tinha me enganado… eu não conseguia negar o que sentia por você.
Renato levantou o olhar novamente.
— Eu ainda não consigo, Sara. E o meu maior erro foi não ter confessado abertamente que estava mais do que gostando de você… eu estava te amando.
— O seu amor não me serve de nada, Renato — disse ela, fria. — Ainda mais agora que sei que você e a Lorena estão ligados por um laço que nada pode desfazer.
Os olhos dele se arregalaram no mesmo instante…
Então, ela já sabia do filho que Lorena esperava?

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