— Como? — disse ele, incrédulo.
Sara percebeu imediatamente o olhar surpreso dele e não deixou aquilo passar.
— Achou que eu não descobriria? — questionou, abrindo um sorriso frio. — Você realmente me subestimou, Renato.
Ela cruzou os braços.
— Não bastou tudo o que me fez… ainda achou que me encontraria do mesmo jeito? Uma burra e ingênua que cairia nas suas conversas?
As palavras vieram duras e sem nem uma gota de hesitação.
— Eu sei muito bem que a Lorena está esperando um filho seu — continuou. — E que vocês dois estão muito próximos por causa disso.
— Isso não é verdade! — Ele rebateu imediatamente.
— Ah, não? — ela replicou, arqueando uma sobrancelha. — Vai mesmo negar que ela está grávida?
Renato engoliu em seco, seus punhos se fecharam ao lado do corpo. Ele sabia que não podia mentir sobre aquilo.
— Não… — respondeu, por fim. — Não é mentira sobre a gravidez dela, mas…
— Chega de “mas”! — Ela o cortou no mesmo instante. — Quer saber de uma coisa? Minha vida sempre foi uma merda — confessou.
A voz de Sara saiu firme, como se estivesse soltando algo que estava preso há muito tempo. Renato ficou em silêncio e ela continuou, sem recuar.
— Primeiro na casa dos meus pais… depois na sua. E agora que estou aqui, eu até poderia dizer o mesmo, mas existe uma diferença. Por mais que eu não tenha tido uma boa impressão do Alessandro no começo… ele foi a única pessoa que me tratou bem na vida.
As palavras vieram pesadas.
— Nunca, em hipótese alguma, desde o dia em que ele me encontrou no meio da rua, debaixo da chuva, descartada como se eu fosse um papel sem valor…
A voz dela falhou por um segundo.
— …sabendo de toda a minha vulnerabilidade, ele se aproveitou de mim. Nem deixou que ninguém fizesse isso. Bem ao contrário do que você fez.
O silêncio ao redor dos dois parecia se apertar.
— Então eu não vou dar ouvidos a você — concluiu. — Mesmo sabendo que meu futuro aqui também é incerto, ainda mais agora que eu estou…
Ela parou no meio da frase, no mesmo instante. Como se tivesse percebido tarde demais o que estava prestes a dizer.
— Ainda mais o quê? — ele perguntou imediatamente. — Fala!
Tentando se recompor, Sara desviou o olhar por um segundo.
— Eu já disse desde o início que não temos nada para conversar — rebateu, tentando mudar o rumo da conversa.
Mas Renato não recuou.
— Não tente esconder as coisas de mim também, Sara.
Ela voltou a encará-lo, tensa. Então ele disse, sem rodeios:
— Eu sei que você está esperando um filho… e que essa criança é minha.
Dessa vez, foi ela quem engoliu em seco. Por um instante, ela ficou sem saber o que dizer… ou como conduzir aquela situação que havia acabado de sair completamente do controle.
— E também sei que você iria me contar naquela noite… — continuou ele. — Na noite em que armaram tudo contra você.
Sara permaneceu em silêncio.
— Seja sincera consigo mesma, Sara. Você realmente acredita que ele não vai querer nada em troca?
Ela sustentou o olhar por alguns segundos, mas não disse nada. Porque sabia que todas as pessoas sempre queriam algo em troca e com Alessandro não seria diferente. No entanto, na última conversa que tiveram, ele confessou que ela já não era o seu alvo de vingança contra Renato.
Sara estreitou os olhos.
— Você está tentando me colocar contra ele porque sabe que não tem mais espaço na minha vida.
Renato negou com a cabeça lentamente.
— Eu estou tentando fazer você enxergar o que está bem na sua frente.
— Não — ela rebateu. — Você está tentando criar um novo vilão para justificar o que fez comigo.
— Sara… eu conheço o Alessandro.
Ela riu, descrente.
— Você quer saber a verdade? — disse, por fim. — Prefiro lidar com um futuro incerto ao lado de alguém que me respeitou… do que voltar para o inferno que foi a minha vida ao seu lado. Suma da minha vida, Renato!
As palavras atingiram-no em cheio e, por mais que ele quisesse rebater, ela não lhe deu espaço, apenas virou as costas e saiu dali, entrando na casa.
Renato ainda tentou ir atrás dela, mas Sara bateu a porta em sua cara. Quando estava prestes a bater na porta e insistir para conversarem, o som de palmas ecoou do lado da casa.
Rapidamente, ele virou o rosto e foi então que viu Alessandro sair por um pequeno portão na lateral da propriedade. Ele caminhava com calma, como se estivesse assistindo a um espetáculo particular.
— Bravo — disse ele, batendo mais uma vez as mãos, com um sorriso frio nos lábios. — Isso foi muito bom, não acha?
O olhar de Renato se endureceu no mesmo instante, porque bastou um segundo para perceber que Alessandro estava ali há tempo suficiente para ouvir tudo o que ele e Sara conversaram.

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