Sara o observou por alguns segundos. Seu rosto ainda estava pálido, e o ombro estava imobilizado por uma faixa provisória que os médicos haviam colocado para evitar qualquer esforço desnecessário.
— Meu filho… — murmurou ela, com a voz fraca.
— Nosso filho está bem — ele respondeu imediatamente, enfatizando que o filho também era dele. — A enfermeira disse que os exames não mostraram nenhum problema.
Ela fechou os olhos por um instante, visivelmente aliviada.
— Graças a Deus…
O médico entrou na sala logo em seguida, acompanhado de outra enfermeira.
— Senhor Salles, precisamos mantê-la em observação por algumas horas — explicou em inglês.
Renato traduziu tudo para Sara, com calma.
— Eles querem deixar você aqui por um tempo para garantir que está tudo bem.
Ela assentiu.
— Tudo bem…
Nas horas seguintes, o tempo pareceu se arrastar. Sara permaneceu deitada na cama do hospital, ligada a alguns aparelhos simples de monitoramento. O ferimento no ombro havia sido limpo e enfaixado corretamente. Felizmente, o tiro não havia penetrado profundamente, apenas rasgado a pele de raspão.
Mesmo assim, os médicos preferiam não correr riscos por causa da gravidez.
Sentado em silêncio na cadeira ao lado da cama, Renato permaneceu o tempo todo ao lado dela. Às vezes, ele olhava para o monitor cardíaco, outras vezes, para o rosto dela e, sempre que Sara abria os olhos, o encontrava ali.
Em determinado momento, ela quebrou o silêncio.
— Foi o Alessandro… não foi?
Renato ergueu os olhos ao ouvir aquilo. Por um instante, ficou em silêncio. Mordeu levemente o lábio antes de responder.
— Tudo indica que sim.
Ela virou o rosto lentamente para o lado, ao sentir que uma lágrima solitária escorreria pelo canto de seus olhos.
— Eu devia prever isso… — sussurrou.
Percebendo a culpa em sua voz, ele se aproximou e tocou a sua mão.
— Você não tem culpa de nada, Sara — começou, percebendo o quanto aquilo parecia abalá-la.
Ela balançou a cabeça em negativa.
— Tenho sim. Fui ingênua, achando que ele estava me ajudando de verdade…
Renato se aproximou mais um pouco.
— Não diga isso.
— Mas é a verdade — respondeu, com a voz trêmula. — Eu confiei nele. Achei que, pela primeira vez na vida, alguém estava sendo bom comigo sem querer nada em troca.
Ela passou a mão pelo rosto, enxugando as lágrimas.
— Fui uma idiota.
Aquela confissão o atingiu em cheio, parecendo quebrar algo dentro dele.
— Não, você não passou de uma vítima. Tudo o que lhe aconteceu foi por minha culpa.
De repente, ela virou o rosto e seus olhos se encontraram.
— Era eu quem devia ter te protegido desde o começo — continuou ele. — Se eu tivesse acreditado em você naquele dia, nada disso teria acontecido.
O silêncio caiu pesado entre os dois, carregado de lembranças que ainda doíam. Querendo não sofrer também por aquilo naquele momento, Sara comentou.
— Não adianta mais pensar nisso.
— Para mim, adianta.
Ela o observou.
— Porque todos os dias eu penso no que fiz com você.

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