Percebendo o quanto ela parecia incomodada com aquela situação, Renato passou a mão pelos cabelos e explicou:
— Eu… reservei o mesmo quarto que já estava usando.
Cruzando os braços, ainda um pouco desconfiada, ela questionou:
— E não tinha outro para mim?
— Posso solicitar outro quarto agora mesmo se você quiser, mas, para ser sincero… prefiro que fique aqui comigo — confessou. — Tenho medo de que alguém tente fazer alguma coisa contra você de novo, Sara.
Ela ficou alguns segundos em silêncio, o cansaço era evidente em seu rosto. Estava exausta fisicamente e emocionalmente.
— Tudo bem… — disse por fim. — Estou cansada demais para discutir isso agora.
Aliviado, Renato assentiu.
— Você pode ficar com a cama.
— E você?
— Eu fico no sofá.
Olhando na direção do sofá no canto do quarto, Sara percebeu que ele não era grande, porém serviria. De qualquer forma, nem por um segundo passou por sua mente a ideia de dividir a cama com ele.
— Tudo bem.
Caminhando até o frigobar, Renato pegou uma garrafa de água e entregou a ela.
— Você precisa tomar um pouco.
Ela bebeu alguns goles, depois caminhou lentamente até a cama e se sentou.
— Pedi que trouxessem as suas malas que ficaram no carro, lá no aeroporto — ele anunciou. — Acredito que devem chegar em breve.
Agradecida, ela assentiu.
— Tome um banho e tente relaxar um pouco — continuou Renato.
Ela olhou para o próprio ombro e fez uma pequena careta.
— Não sei se vou conseguir tomar banho… tenho medo de molhar a faixa.
Observando o curativo por um momento, Renato analisou a forma como estava preso. Sem malícia alguma, disse com naturalidade:
— Posso te ajudar no banho, se quiser.
Os olhos dela se arregalaram no mesmo instante. Foi então que ele percebeu como aquilo poderia soar. Imediatamente levantou as mãos, como quem tentava desfazer um mal-entendido.
— Não… espera… não foi isso que eu quis dizer — apressou-se em explicar. — Eu só quis dizer que posso te ajudar a proteger o curativo, só isso. Do mesmo jeito que me ajudou quando eu estava ferido, se lembra?
Percebendo o nervosismo no olhar dele, Sara acabou sorrindo levemente.
— Tudo bem — disse com calma. — Acho que consigo sozinha.
Um pouco aliviado, ele soltou o ar devagar.
— Se precisar de alguma coisa… eu estou aqui.
Sem prolongar mais aquela conversa, Sara se levantou e seguiu para o banheiro. Não demorou muito para que ele ouvisse o som do chuveiro sendo ligado.
Em silêncio, ele se sentou no sofá e começou a refletir… Sara estava ali, tão perto… e ao mesmo tempo tão distante dele.
Como os ciclos da vida passavam tão rápido? Há pouco tempo, dividiam o mesmo teto, a mesma rotina, a mesma cama. Agora, estavam novamente no mesmo quarto… mas separados por tudo o que havia acontecido entre eles.
Passando a mão pelo rosto, soltou um suspiro baixo. A verdade era que ainda lhe parecia irreal tê-la ali novamente. Mesmo ferida, magoada e sem confiar nele… Ainda assim… ela estava ali. E, naquele momento, percebeu uma coisa com clareza: não importava o quanto fosse difícil reconquistar a confiança dela, estava disposto a tentar, quantas vezes fosse preciso.
Uma batida na porta o fez sair do transe. Rapidamente, ele se levantou e foi até a porta. Ao abri-la, viu um funcionário do serviço de quarto segurando as malas.
— Senhor, suas bagagens.
— Obrigado — respondeu, pegando as malas.
O funcionário assentiu educadamente e se afastou pelo corredor.
Ao fechar a porta, levou as malas para o interior do quarto. Primeiro, abriu a sua, escolhendo uma roupa limpa que usaria depois do banho. Em seguida, olhou para a mala de Sara.

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