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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 186

A notícia de que poderia retornar ao Brasil a deixou empolgada por alguns milésimos de segundos. O país onde estava era frio e completamente diferente de tudo com que estava acostumada. Nas últimas semanas, havia se sentido deslocada ali, como se não pertencesse àquele lugar. A simples ideia de poder voltar, ouvir novamente o idioma que entendia perfeitamente e sentir o calor de seu país fez seu coração se encher de esperança por um breve instante.

Mas logo o entusiasmo desapareceu, dando lugar a um pensamento incômodo. Para onde ela voltaria?

A ideia de retornar para a fazenda simplesmente não descia pela sua garganta. Só de imaginar aquele lugar novamente, um peso se formava em seu peito. Não queria voltar para lá, não depois da última lembrança que carregava daquele lugar.

A cena ainda estava viva em sua memória e pensar naquilo inevitavelmente a fez se lembrar de Lorena e da realidade de que ela estava esperando um filho de Renato.

Essa lembrança trouxe um gosto amargo à sua boca, fazendo seu estômago se revirar levemente. Engolindo em seco, desviou o olhar para a janela, como se a vista da cidade fosse mais interessante do que qualquer coisa naquele quarto.

Renato percebeu o desconforto dela no mesmo instante.

— Sara… — disse, tentando manter o tom de voz brando. — Eu sei o que você está pensando…

— Não, você não sabe — ela o cortou imediatamente, sem sequer olhar para ele.

Aceitando a reação dela, Renato assentiu devagar, mas não desistiu de continuar.

— Talvez eu não saiba exatamente o que passa na sua cabeça — disse com calma. — Mas acredito que a ideia de voltar ao Brasil deixa de ser tão boa quando você lembra que não sabe para onde vai.

Sara continuou olhando pela janela.

— Quanto a isso… prometo que darei um jeito.

Ela virou finalmente o rosto, encarando-o com certa desconfiança.

Renato continuou:

— Tenho um apartamento na cidade que quase não uso. Eu praticamente nunca fico lá, porque acabo passando mais tempo na fazenda.

Sara permaneceu em silêncio, escutando.

— Você pode ficar lá — completou ele. — Sozinha, se quiser. Prometo que nada e nem ninguém vai te incomodar naquele lugar.

Ela estreitou levemente os olhos. Queria negar. Queria dizer que não precisava daquilo e que poderia se virar sozinha, mas, no fundo, sabia que estaria mentindo.

Mais uma vez teria que deixar o orgulho de lado e simplesmente aceitar a ajuda. Já havia sentido na pele o que era não ter para onde ir. Já havia passado pela humilhação de estar sozinha na rua, sem ninguém para recorrer, e sabia o quão desesperadora era aquela sensação. Não queria passar por aquilo novamente, ainda mais grávida.

Respirou fundo antes de responder.

— Tudo bem… eu aceito — disse, resignada.

Mesmo percebendo o esforço por trás daquela resposta, Renato sentiu um pequeno alívio.

— Você não vai se arrepender — respondeu com calma. — Vou organizar tudo para podermos voltar ao Brasil ainda hoje.

Ela levantou os olhos.

— Hoje?

— Sim. Quanto mais cedo sairmos daqui, melhor. O que acha?

Sara olhou novamente para a janela.

— É uma boa ideia — murmurou ela, assentindo, sem acrescentar nada.

Ainda era difícil para ela aceitar qualquer coisa que viesse dele, mas, naquele momento, era a decisão mais sensata.

Pegando o celular, Renato começou a enviar algumas mensagens providenciando o voo para o Brasil. Sabia que o retorno não significava apenas uma viagem, significava recomeçar uma história que havia sido interrompida da pior maneira possível, mas dessa vez… Ele não pretendia cometer os mesmos erros.

Já era noite quando entraram no jatinho particular dele. O interior da aeronave estava silencioso, iluminado apenas por uma luz que tornava o ambiente confortável para a viagem. Olhando rapidamente ao redor enquanto ambos avançavam pelo pequeno corredor, Renato, instintivamente, pensou em se sentar perto dela, mas Sara tomou a frente.

Sem dizer uma palavra, caminhou até a última poltrona da cabine e se sentou ali, próxima à janela, mantendo uma distância clara entre os dois. Por um segundo, ele pensou em insistir, porém logo desistiu.

Se ela queria espaço, ele respeitaria.

Sem dizer nada, ele escolheu um assento mais à frente. Durante os primeiros minutos da decolagem, nenhum dos dois falou.

Mantendo o olhar voltado para a janela, Sara observava as luzes da cidade se afastarem lentamente enquanto o avião ganhava altitude. Era estranho deixar aquele país depois de tudo o que havia acontecido ali. Estranho… e ao mesmo tempo necessário.

Por sua vez, Renato olhava ocasionalmente para trás, mesmo à distância, não conseguia deixar de se preocupar com ela, todavia manteve-se em silêncio. Sabia que qualquer tentativa de aproximação naquele momento poderia apenas afastá-la ainda mais.

Então fez a única coisa que podia fazer, respeitou o espaço que ela havia escolhido manter entre eles.

[Algumas horas depois…]

Sara continuava sentada na última poltrona da aeronave, com o olhar perdido na escuridão do céu. Não estava dormindo, muito pelo contrário, sua mente parecia mais desperta do que nunca. De tempos em tempos, levava a mão até a barriga, como se aquele gesto a auxiliasse a se manter firme.

Algumas fileiras à frente, Renato também permanecia acordado. Tentava se concentrar em algumas mensagens não lidas no celular, mas a cada poucos minutos seu olhar acabava se voltando para trás.

Para ela.

Finalmente, depois de quase três horas naquele silêncio incômodo, ele se levantou.

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