As palavras preencheram o ambiente, fazendo com que aquele espaço entre eles ficasse minúsculo. Nervosa com aquela situação, ela desviou o olhar rapidamente para a janela. Lá fora, a noite continuava infinita.
Era a primeira vez que recebia uma declaração de amor tão sincera. Ainda assim, o efeito dentro dela não foi o esperado. A mágoa que carregava era profunda demais para simplesmente aceitar aquelas palavras e agir como se nada do que havia acontecido entre eles pudesse ser apagado tão facilmente.
Após alguns segundos refletindo, ela murmurou:
— Você devia ter percebido isso antes.
— Eu sei, e pode ter certeza, isso é o que mais dói em mim — confessou.
Depois daquilo, o silêncio voltou a reinar. Mesmo assim, ele decidiu não sair do lado dela. Entretanto, respeitou o espaço, não tentou se aproximar, nem tocar nela. Apenas permaneceu sentado ali, respeitando a distância que ainda existia entre eles.
Alguns minutos se passaram, até que Sara levou a mão até o ombro enfaixado e fez uma pequena careta. Renato percebeu no mesmo instante.
— Está doendo?
Ela hesitou antes de responder.
— Um pouco.
Ele se levantou.
— Vou pegar o remédio que o médico deixou.
— Não precisa… — ela tentou dizer.
Mas ele já havia ido até o pequeno compartimento onde a comissária havia deixado alguns itens médicos. Pouco depois, voltou com uma garrafa de água e o comprimido.
— Toma.
Sara olhou para ele por um momento, havia algo estranho naquela situação. Durante meses, ele havia sido a pessoa que mais a machucou e agora estava ali, preocupado para que ela tomasse um remédio.
Pegando o comprimido, agradeceu:
— Obrigada.
Depois que ela tomou o remédio, ele fez questão de perguntar se ela queria mais alguma coisa, mas Sara apenas negou.
— Ainda faltam algumas horas de voo, tente descansar — disse ele.
— Vou tentar.
Apoiando a cabeça no encosto da poltrona, Sara tentou relaxar, sentindo o cansaço começar finalmente a vencê-la. Mas, pouco antes de fechar os olhos, ela falou novamente.
— Renato…
— Sim?
Ela demorou alguns segundos para continuar.
— Por que você se jogou na frente daquele homem?
A pergunta o pegou de surpresa.
— Você sabe por quê.
Ela abriu os olhos e o encarou.
— Eu quero ouvir você dizer.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, até responder com simplicidade.
— Porque eu prefiro morrer do que ver alguma coisa acontecer com você.
As palavras saíram sinceras, sem drama ou exagero.
Ela fechou os olhos, sentindo que algo dentro de si sentia mais do que deveria ao ouvir aquilo.
— Você diz isso agora… — murmurou.
— Eu diria isso em qualquer momento.
O silêncio voltou, mas, dessa vez, Sara não parecia tão na defensiva. Em poucos minutos depois, finalmente adormeceu.
Percebendo, Renato então se levantou, foi até o fundo da cabine, pegou uma pequena manta que estava dobrada em outra poltrona e, com cuidado, colocou sobre ela.

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