No avião em direção aos Estados Unidos, Alessandro estava acomodado na primeira classe com um sorriso tão largo que qualquer um que o visse perceberia o quanto seu humor estava excelente.
Em sua mente, todo o plano de ferir Sara diante de Renato havia sido um sucesso.
Ele gostaria de ter ficado para ver a expressão do ex-amigo ao presenciar a mulher que amava sendo morta diante de seus olhos. Aquela era a cena que havia imaginado tantas vezes. Infelizmente, seu voo já estava programado, e ele não podia se dar ao luxo de permanecer ali para assistir ao desfecho completo do espetáculo.
Ainda assim, aquilo pouco importava.
Naquele momento, imaginava Renato consumido pela dor, esmagado pelo desespero de não ter conseguido protegê-la. E a simples ideia de que ele pudesse estar sofrendo tanto a ponto de desejar tirar a própria vida arrancava de Alessandro uma satisfação quase cruel.
Era uma sensação estranha, leve, quase libertadora. Pela primeira vez em muito tempo, sentia que havia vencido.
Apoiando a cabeça no encosto da poltrona, soltou uma risada baixa.
— Você nunca se sentiu tão desesperado, não é mesmo, Renato? — murmurou para si mesmo.
Em sua mente, ele imaginava Renato olhando para Sara ferida, percebendo que não havia conseguido protegê-la.
Aquele pensamento o enchia de satisfação.
— Agora você sabe como é perder.
Durante anos, se sentiu vivendo à sombra de Renato. Nos negócios, na vida, nas amizades. Sempre era Renato quem recebia os elogios e a admiração.
Parecia que Renato sempre conseguia tudo o que queria. E ele?
Ele sempre ficava em segundo plano. Era sempre o coadjuvante, o homem que ninguém levava realmente a sério. Aquilo o corroía por dentro havia anos.
— Mas isso acabou — murmurou.
Porque agora tudo havia mudado, havia destruído a vida de Renato.
Primeiro, tirou Sara dele, depois fez com que o próprio Renato pagasse uma fortuna para recuperá-la.
Cem milhões.
Apenas pensar naquele número fazia seu sorriso crescer. Agora tinha dinheiro suficiente para mudar completamente sua vida. Nunca mais precisaria se preocupar com nada, tinha dinheiro suficiente para provar, de uma vez por todas, que ele não era o fracassado que todos pensavam.
— Você realmente me surpreendeu dessa vez, Renato.
Nunca imaginou que Renato aceitaria pagar tanto, mas, ao perceber que Sara era realmente o seu ponto fraco, não hesitou em apostar todas as suas fichas.
Por um breve instante, lembrou-se do rosto dela, do jeito como o havia olhado tantas vezes, desconfiada, ferida, mas ainda assim tentando acreditar em suas palavras.
— Ingênua. Você realmente foi muito fácil de enganar, Sara.
Esticou as pernas e relaxou na poltrona. A aeromoça passou pelo corredor naquele momento.
— Deseja alguma coisa, senhor?
Ele ergueu os olhos e sorriu.
— Um uísque.
— Claro.
Ela se afastou e voltou alguns minutos depois com uma taça. Quando ficou novamente sozinho, levantou o copo no ar.
— Um brinde… — murmurou, com os olhos brilhando. — À minha nova vida.
Bebeu devagar, sentindo o calor do álcool descer pela garganta.
Mas, enquanto saboreava aquele momento de vitória, havia algo que ele ainda não sabia. Algo que ainda não havia chegado ao seu conhecimento. Porque, naquele mesmo momento, do outro lado da fronteira, as autoridades já estavam procurando por ele.

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