— Olha… — ele continuou, um pouco receoso antes de tocar no assunto.
Estava hesitante, como se estivesse escolhendo bem as palavras.
— O que você acha de ir ao médico… ver como o bebê está? Depois de tudo o que você passou nesses últimos dias… acho importante fazer alguns exames. Só para ter certeza de que está tudo bem.
Houve um pequeno silêncio antes de ela responder.
— É uma boa ideia.
A resposta veio rápida e simples, surpreendendo Renato. Por um instante, ele apenas a encarou, como se não esperasse que ela concordasse tão facilmente.
— Então… — disse ele, tentando disfarçar a leve surpresa — posso marcar uma consulta ainda hoje?
Sara assentiu.
— Pode.
— E eu queria muito ir com você… — acrescentou ele, com cautela.
— Tudo bem — respondeu, sem hesitar.
Renato pareceu surpreso outra vez.
— E… entrar na sala de consulta também — completou, como se quisesse deixar claro, achando que ela talvez não tivesse entendido.
Sara manteve o olhar nele por alguns segundos.
— Eu entendi, Renato.
A resposta foi calma e sem resistência.
Ele assentiu de leve, absorvendo aquilo.
— Obrigado.
Antes de continuar a falar, ela mordeu levemente os lábios.
— Esse bebê também é seu — disse, em tom mais baixo. — E por mais que tenhamos as nossas diferenças, você tem o direito de acompanhar.
Naquele instante, ele abriu um sorriso largo. Era a primeira vez em dias que se sentia verdadeiramente bem. O que Sara havia acabado de dizer despertou algo novo dentro dele, um ânimo que já nem lembrava mais como era.
Seu semblante, antes cansado e abatido, mudou aos poucos, dando lugar a uma expressão mais leve… quase esperançosa, e seus olhos ganharam um brilho diferente, como se, finalmente, enxergasse uma pequena luz no meio de tudo o que havia vivido.
— Obrigado… — repetiu, em voz baixa. — Obrigado mesmo.
Mesmo sem querer, Sara percebeu a mudança nele e aquilo não passou despercebido. Porque naquele instante não era o Renato frio e arrogante que estava diante de si, e sim alguém que parecia, de verdade, disposto a recomeçar.
— Vou organizar tudo — disse ele, visivelmente mais animado. — Agora descanse mais um pouco. Assim que eu tiver o horário da consulta, pedirei para a Odete te avisar.
— Tudo bem.
Ele assentiu e se afastou do quarto. Assim que a porta se fechou atrás de si, caminhou alguns passos pelo corredor… até parar no meio do caminho.
Como se tentasse conter tudo o que estava sentindo, levou a mão ao peito, respirando fundo.
— Obrigado, meu Deus… — murmurou, fechando os olhos por um instante, como se fizesse uma prece silenciosa.
O que sentia era mais do que alívio, era esperança.
No mesmo instante, Odete apareceu no corredor. Ao vê-lo ali, parado daquela forma, com uma expressão tão diferente da que estava antes, ela abriu um sorriso discreto.
Não precisou perguntar nada, só de olhar, já havia entendido. A conversa naquele quarto havia dado certo.
— Parece que as coisas estão melhorando, senhor — comentou, com leveza.

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