A médica movimentou o aparelho com cuidado, observando a tela por alguns segundos antes de sorrir.
— Bom… — disse, com um tom alegre — já dá para ver com bastante clareza. Vocês estão esperando um menino.
O silêncio que se seguiu durou apenas um segundo, mas pareceu uma eternidade.
Emocionada, Sara levou a mão à boca.
— Um menino… — sussurrou, ainda tentando absorver a ideia.
Ao lado dela, Renato não disse nada, já que não conseguiu. Seus olhos continuavam fixos na tela, mas, dessa vez… estavam marejados.
Ele piscou algumas vezes, tentando conter-se e manter-se firme, porém não conseguiu. Até que uma lágrima escapou, seguida de outra.
Ao perceber aquilo, Sara não deixou de observá-lo.
— Renato…
Ele soltou um riso baixo, sem graça, passando a mão pelo rosto na tentativa de disfarçar.
— Desculpa… — disse, com a voz falhando. — Eu… eu não sei o que está acontecendo comigo.
A médica sorriu, compreensiva.
— Isso é mais comum do que você imagina.
Mas Renato mal a ouviu, seus olhos voltaram para Sara, depois… para a barriga dela.
— É um menino… — repetiu, como se precisasse ouvir aquilo de novo. — Um filho meu e seu…
Seu tom de voz estava emocionado demais para poder falar qualquer outra coisa.
Ao perceber a emoção dos dois, a médica continuou o exame em silêncio, deixando que o momento fosse apenas deles.
Quando o exame terminou e foi confirmado que o bebê estava muito bem de saúde, o casal saiu do consultório em silêncio. Caminharam lado a lado até o estacionamento e entraram no carro sem dizer uma palavra.
Renato fechou a porta, apoiou as mãos no volante… mas não ligou o carro. Ficou ali por alguns segundos, pensando. Sentia que precisava dizer alguma coisa.
Virando-se lentamente para Sara, percebeu que ela estava olhando para a frente com a mão repousada sobre a barriga.
— Sara…
Ela se virou no mesmo instante, o que o fez hesitar por um momento, como se não soubesse por onde começar.
— Eu… — passou a mão pelos cabelos, nervoso — eu não sei nem o que dizer.
Soltou um pequeno riso sem graça.
— Acho que nunca fiquei tão sem palavras na minha vida… mas queria muito te agradecer por me deixar viver isso com você hoje — disse, com sinceridade.
— Estou feliz por você estar presente… — ela revelou, em voz baixa.
O que chamou a sua atenção.
— Eu sempre imaginei como seria esse momento… — ela continuou. — E agora… independente de tudo… fico feliz por ter compartilhado com alguém que realmente se importa com esse bebê tanto quanto eu.
De tudo o que ele imaginou que ela pudesse dizer, aquilo definitivamente não era uma possibilidade.
— Eu me importo… mais do que você imagina — respondeu, com sinceridade.
Fez uma pequena pausa.
— Não só com ele…
O olhar dele se manteve firme no dela.
— Com você também.
— Eu sei… — Ela respondeu, desviando o olhar para a janela do carro, tentando não perder o controle ali.
Sem querer deixá-la constrangida, Renato decidiu mudar de assunto.
— O que acha de comprarmos algumas coisas para ele? — perguntou, com um entusiasmo que já não fazia questão de esconder. — Imagino que, como você ainda não sabia o sexo do bebê, não tenha comprado muita coisa…
Depois de finalizarem as compras, seguiram para uma loja de móveis. Lá, começaram a olhar berços, cômodas, armários, já imaginando o quarto.
Foi então que, enquanto analisavam um dos berços, Renato comentou:
— Olha… eu sei que talvez não seja o melhor momento para falar sobre isso…
Sara o olhou.
— Mas acho que montar o quarto dele na fazenda seria mais confortável.
Ela ficou em silêncio.
— Lá tem mais espaço… — continuou. — E ele poderia crescer em contato com a natureza.
Seus olhos suavizaram ao imaginar.
— A gente pode colocar uma poltrona de amamentação perto da janela… com o ar fresco entrando… Seu quarto pode ser ao lado do dele, com total privacidade, claro — ressaltou.
Naquele momento, Sara sentiu um leve aperto no peito. A ideia era bonita, quase perfeita. Mas, só de pensar em voltar para aquele lugar, já lhe gerava gatilhos tão fortes que a alegria que estava sentindo parecia querer ir embora no mesmo instante.
— Eu não quero — respondeu, rápida.
O tom saiu mais ríspido do que pretendia, o que o fez ficar em silêncio na mesma hora.
— Aquele lugar é muito lindo, eu confesso… — continuou, tentando manter a calma. — Mas não me traz nenhuma lembrança boa. E, por isso… prefiro ficar onde estou.
Renato a ouviu em silêncio.
— Claro que eu não pretendo ficar no apartamento para sempre — explicou rapidamente. — Quando o bebê nascer e estiver um pouco maior… eu quero dar um rumo à minha vida. Quero arrumar um emprego… e procurar uma casa para nós dois.
— Sara… — a interrompeu, franzindo o cenho. — Você não precisa sair de lá. Eu quero que você fique segura… e sem preocupações.
Respirando fundo, ela respondeu:
— Eu só vou deixar de ter preocupações na minha vida… quando eu for dona de mim mesma.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!