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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 203

Por mais que quisesse dizer que, dali em diante, ela não precisaria mais se preocupar com nada… que ele cuidaria dela pelo resto da vida, Renato entendeu perfeitamente o que Sara queria dizer.

Ela não precisava de alguém que a sustentasse, precisava de alguém que a respeitasse.

Por isso, apenas assentiu, porque, naquele momento, percebeu que amar Sara também significava permitir que ela fosse quem desejava ser… mesmo que isso não o incluísse totalmente ainda.

— Tudo bem… faremos como você quiser — respondeu, sem resistência.

Sara assentiu de leve, visivelmente aliviada por ele não insistir.

Sem dizer mais nada, deu alguns passos para o lado, fingindo se distrair com um dos móveis expostos na loja. Passou a mão de leve sobre a madeira do berço à sua frente, como se estivesse totalmente focada naquilo.

Mas não estava, aquilo era apenas uma forma de se recompor, de evitar aquele olhar que, aos poucos, parecia atravessar todas as suas defesas.

Quando terminaram as compras, que não foram poucas, o céu já começava a escurecer.

Ele sabia que ela estava cansada, mas não queria levá-la diretamente para o apartamento. Sabia que, ao deixá-la ali, corria o risco de ser afastado novamente… e ficar longe dela ainda era difícil demais de suportar.

Segurando o volante por alguns segundos, teve uma ideia.

— Você está com fome?

Surpresa com a pergunta, ela o encarou e pensou por um instante.

— Um pouco…

— Então… que tal a gente parar em algum lugar antes de voltar?

Ela hesitou, mas, ao mesmo tempo… A ideia de prolongar um pouco mais aquele momento também não lhe pareceu ruim.

— Pode ser.

Renato esboçou um pequeno sorriso, ligou o carro e começou a dirigir. Entrou em uma rua mais movimentada, procurando por um lugar agradável.

Minutos depois, estacionou em frente a um restaurante mais tranquilo. Entraram no local e ele fez questão de escolher uma mesa mais reservada, em um canto mais tranquilo, onde sabia que Sara se sentiria mais à vontade.

Puxando a cadeira para ela, aguardou até que ela se acomodasse, só então se sentou.

O garçom veio rapidamente e entregou os cardápios. Por alguns segundos, ficaram em silêncio, folheando o cardápio, no entanto, no fundo, nenhum dos dois estava realmente prestando atenção naquilo.

Depois que fizeram o pedido, o garçom se retirou.

Assim que ficaram sozinhos, Sara apoiou as mãos sobre a mesa, ainda um pouco cansada, enquanto Renato a observava com discrição.

— Você está bem?

Ela assentiu de leve.

— Estou… só um pouco cansada.

— Foi um dia cheio.

Ela soltou um pequeno sorriso.

— Foi mesmo.

Por alguns segundos, os dois permaneceram em silêncio novamente, até que Sara completou.

— Mas foi maravilhoso… Obrigada — disse, de repente.

— Você não precisa me agradecer.

Ela inclinou levemente a cabeça.

— Sei que não… mas eu quero mesmo assim.

Ela fez uma pequena pausa, como se estivesse reunindo coragem.

Seus dedos se entrelaçaram sobre a mesa.

— Renato… — começou, com cuidado.

Ele a olhou imediatamente, atento.

— Eu estava pensando em uma coisa.

— Sobre o quê?

Engolindo em seco, ela se remexeu inquieta na cadeira e, por mais que tentasse manter o controle, sentia que aquelas defesas que havia construído começavam, aos poucos, a enfraquecer. Porque, no fundo, ainda se importava e sentia demais.

O garçom trouxe a comida naquele instante, e aquilo foi quase um alívio para Sara. Ela abaixou o olhar para o prato e começou a comer em silêncio, fingindo prestar mais atenção na comida do que realmente estava.

Quando terminaram, Renato percebeu que já não havia mais desculpas para prolongar aquele momento. Pagou a conta e a levou de volta para o apartamento.

Assim que chegaram, fez questão de levar todas as sacolas para dentro, organizando tudo com cuidado.

— Está tudo aqui — disse, ao terminar.

Sara estava no meio da sala, parada, com o olhar um pouco distante.

— Os móveis devem chegar amanhã… — continuou ele. — Quando chegarem, eu providencio um montador para deixar tudo pronto.

— Tudo bem… — respondeu ela, um pouco nervosa.

O silêncio se instalou. Os dois se encararam por alguns segundos, como se nenhum soubesse exatamente o que fazer a seguir.

Até que Renato respirou fundo.

— Eu já vou indo… — disse, com calma, mesmo que não quisesse fazer aquilo de verdade. — Vou deixar você descansar.

Ele deu um passo para trás, mas, antes que pudesse se virar, ouviu a voz dela sair rápida, quase impulsiva.

— Espera.

Parando no mesmo instante, encarou-a com a sobrancelha erguida.

— O que foi, Sara?

O coração dela disparou. Sabia que não deveria, que aquilo poderia complicar tudo, porém, ao mesmo tempo, sabia o quanto se sentia mais segura com ele por perto.

— Por que você não fica aqui… mais uma noite?

Surpreso com o convite, ele ficou estático.

— Eu… — ela hesitou por um segundo — vou me sentir mais segura… sabendo que você está por perto.

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