Aquele convite foi mais do que bem aceito por ele. Mesmo sabendo que ficaria no quarto de hóspedes, aquilo já era o suficiente.
Muito mais do que esperava, até.
Soltando um suspiro, como se aquilo já tivesse tirado um peso enorme de seus ombros, respondeu, tentando manter a calma, mesmo que seu coração estivesse acelerado.
— Claro… Eu fico o tempo que você quiser.
Sara assentiu de leve, desviando o olhar logo em seguida, como se quisesse esconder o quanto aquela decisão também a afetava.
— Vou ver se o quarto está arrumado — disse, caminhando em direção ao corredor.
— Não precisa… eu me viro — respondeu ele.
Mas, ainda assim, ela seguiu até o quarto de hóspedes, numa forma de tentar esconder um pouco o nervosismo e não pensar demais.
Quando entrou no quarto, procurou algum defeito no quarto que Odete havia deixado perfeitamente arrumado. Ela abriu os armários, conferiu os lençóis e percebeu que tudo estava impecavelmente no lugar. Vendo que não tinha nada que fazer ali, se virou para sair, mas no mesmo instante, parou, se deparando com Renato parado no meio da porta, bloqueando parcialmente a sua passagem.
A forma como ele estava ali ocupando o espaço fez um arrepio percorrer seu corpo. Ela engoliu em seco e, contra a própria vontade, percebeu que a sua mente foi longe demais.
Lembrou-se do toque dele, da forma como, um dia, aqueles braços a envolveram e de tudo o que havia sentido. Seu rosto esquentou no mesmo instante, as bochechas queimaram.
Tentou desviar o olhar rapidamente, como se aquilo fosse suficiente para esconder o que estava sentindo por dentro.
— Acho que tudo está em ordem… — disse, percebendo que a sua voz saiu um pouco trêmula. — Você pode descansar.
Ele não respondeu de imediato, continuou parado na porta, apenas observando-a com aquele olhar penetrante, como se estivesse imaginando o mesmo que ela.
— Sara… — disse, por fim, em voz baixa.
Ela levantou o olhar e, naquele instante, a distância entre os dois pareceu menor do que deveria.
— O que foi?
Diminuindo a distância entre os dois, Renato deu um passo à frente. No mesmo instante, o perfume dele invadiu o espaço de uma forma intensa, quase avassaladora.
Ela precisou fechar os olhos por um breve segundo, sentindo o corpo estremecer. Seu coração acelerou, como se cada sentido de seu corpo estivesse em alerta.
Ele a observou de perto, tão perto que podia perceber cada reação.
— Eu queria… — Ele continuou, erguendo a mão lentamente, como se tivesse a intenção de tocá-la, mas, no mesmo instante, parou. Lembrando-se de que ainda não era o momento.
Respirando fundo, baixou a mão e recuou.
— Queria te agradecer… — completou, contendo a voz. — Por me deixar ficar aqui.
Sara abriu os olhos e, por um segundo, sentiu falta daquela proximidade.
Mas não disse nada, apenas assentiu de leve.
— Não há o que agradecer, de qualquer forma, esse apartamento é seu.
Porém, mesmo assim, a vontade permanecia.
[…]
No meio da madrugada, Sara despertou com uma dor incômoda no ombro. Franzindo o cenho, levou a mão até o local, tentando aliviar o desconforto, mas não passou. Com cuidado, sentou-se na cama e abriu a gaveta da mesa de cabeceira, procurando pelo remédio que o médico havia receitado.
Quando encontrou a cápsula, levantou-se e caminhou até a jarra de vidro que Odete havia deixado ali, mas, ao tentar servir a água, percebeu que estava vazia.
Frustrada, soltou um suspiro baixo. Precisava tomar o remédio. Rapidamente, vestiu um roupão, cobrindo a camisola curta que usava, e saiu do quarto em direção à cozinha.
O apartamento estava silencioso e escuro, mas, ao se aproximar da cozinha, percebeu algo estranho. A luz estava acesa.
Pensou que poderia ser Odete que ainda estava acordada, porém, ao atravessar o batente da porta, seu coração falhou por um segundo.
Ao lado da pia, Renato estava de pé, sem camisa, apenas com uma toalha envolta na cintura. Seus cabelos estavam levemente úmidos, como se tivesse acabado de sair do banho.
Ele não notou sua presença e aquilo fez com que Sara tivesse tempo para observá-lo por mais tempo. Seus olhos percorreram, quase sem permissão, cada detalhe daquele corpo. Os ombros largos, peitos fortes, a linha firme do abdômen. Engolindo em seco, sentiu mais uma vez o corpo reagir.
“Ah… como daria tudo para senti-lo, nem que fosse por um instante”, pensou.
Sabia que era errado, que não deveria sequer pensar naquilo, depois de tudo o que havia passado. Mas, ainda assim, só de lembrar das mãos dele, percorrendo seu corpo, já era o suficiente para despertar sensações que há muito tempo não sentia.
O que aconteceria se cedesse, apenas uma vez, e depois fingisse no outro dia que nada aconteceu?

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