Ao lado da pia, com um copo de vidro na mão, servindo suco de uva, Renato estava completamente alheio ao fato de estar sendo observado.
Mas, no momento em que se virou, se assustou com a silhueta parada no escuro e, no susto, o copo escapou de sua mão.
O vidro caiu no chão, se estilhaçando em vários pedaços.
— Droga… — murmurou, passando a mão pelos cabelos.
Como se tivesse sido puxada de volta à realidade, Sara percebeu o que havia acontecido.
— Me desculpa… eu não quis te assustar — disse, caminhando na direção dele.
— Não vem para cá… — alertou Renato, rápido. — O chão está cheio de cacos de vidro.
Mesmo com o aviso, ela não parou.
— Ai… — soltou, ao pisar em um dos pedaços.
O corte foi imediato e o sangue começou a escorrer.
Ao ver a cena, Renato se apressou imediatamente para ajudá-la. No impulso, tomado pelo medo de que ela se machucasse ainda mais, segurou-a pela cintura e a ergueu com facilidade, colocando-a sobre a bancada da pia.
— Você está bem? — perguntou, já se inclinando para examinar seu pé.
— Está tudo bem… — respondeu, tentando tranquilizá-lo. — Foi só um pequeno corte.
— Deixa eu ver…
Em silêncio, ela observava a proximidade e o toque dele. Tudo parecia mais intenso naquele momento.
— Pequeno ou não, ainda é um corte — retrucou, sério.
Como se soubesse o que fazer, Renato pegou um pedaço de papel toalha e água e começou a limpar o sangue. Seus dedos deslizaram pela pele dela com uma atenção que ia além do necessário e aquilo fez com que ela prendesse a respiração e se concentrasse em cada toque, como se seu corpo estivesse ainda mais sensível.
Quando terminou de limpar, Renato envolveu o pé dela com um pedaço de pano.
— Pronto… — disse, mais calmo.
Porém, não se afastou, pelo contrário, permaneceu ali, muito perto. Seus olhos subiram lentamente, encontrando os dela.
Naquela distância mínima entre os dois, além de ser possível ouvir a respiração descompassada de ambos, era impossível ignorar o que ainda existia ali. Ainda mais quando ele desceu o olhar e viu o quão curta era a camisola que ela estava vestindo, por baixo daquele roupão.
Passando a língua pelos lábios, num gesto nervoso, Renato hesitou. Pensou, repensou… Tentou se conter, mas era difícil.
Ela estava ali, sentada sobre a bancada, tão perto, tão irresistível. A posição deixava tudo ainda mais intenso e mais perigoso. A luz da cozinha desenhava o contorno do corpo dela, enquanto o roupão, levemente desalinhado, deixava à mostra mais do que ele deveria notar.
Ele desviou o olhar por um segundo, respirou fundo tentando se conter, mas, ao voltar a encará-la, se perdeu novamente.
Seus olhos encontraram os intensos olhos verdes dela e, naquele instante, o silêncio entre eles parecia dizer algo.
Sara também não se movia, nem recuava. Apenas o observava com a respiração levemente acelerada, como se esperasse pelo que ele iria fazer em seguida, e aquilo só tornava tudo ainda mais difícil.
Sem que percebesse, ele aproximou-se um pouco mais, como se fosse puxado. Naquele momento, sabia que estava perigosamente perto de cruzar um limite que talvez não conseguisse desfazer depois.
Os lábios dela ficaram entreabertos, como um convite que não deveria aceitar… mas aceitou. O ar entre os dois pareceu desaparecer quando ele percebeu aquilo.



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