Entrar Via

Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 206

Depois que voltou ao quarto, Sara fechou a porta e correu para a janela, buscando ar como se os pulmões estivessem falhando.

O vento entrou, frio, batendo contra seu rosto, mas não foi suficiente para acalmar o furacão que estava sentindo por dentro. Apoiando as mãos no parapeito, olhou para fora, tentando se prender a qualquer coisa que não fosse a lembrança do que quase havia acontecido.

Levando os dedos aos lábios, ainda sentia o toque e o gosto do erro.

— Não seja fraca, Sara… — sussurrou para si mesma. — O que ele te fez não tem perdão.

Fechou os olhos com força, como se quisesse apagar tudo. Mas não apagava. Só voltava mais forte.

Ao se virar de costas para a janela, passou a mão pelos cabelos, inquieta, andando de um lado para o outro no quarto, tentando organizar os próprios pensamentos… mas era inútil.

Porque uma parte dela sabia que, se ele tivesse insistido um pouco mais, ela cederia, e aquilo a assustava, muito mais do que queria admitir.

— Droga… — murmurou, baixo.

Até que o barulho de batidas na porta a trouxesse de volta para a realidade.

— Sara…

A voz de Renato do outro lado a fez congelar.

Com medo do que poderia acontecer, ela não respondeu, apenas ficou parada, olhando para a porta, sentindo o coração acelerado.

Do outro lado, Renato apoiou a mão na porta, sem a menor intenção de desistir.

— A gente precisa conversar.

Mais uma vez houve o silêncio. Ela fechou os olhos, apertando os lábios, lutando contra o impulso de responder.

— Eu sei que você está aí — ele insistiu, agora mais baixo.

— Vai embora, Renato.

A resposta foi abafada, mas clara o suficiente.

— Não vou.

— Vai, sim — ela rebateu, tentando soar mais firme do que realmente estava. — Já falei tudo o que tinha para falar.

Renato encostou a testa na porta, fechando os olhos por um segundo.

— Você pode ter falado, mas eu não!

Houve o silêncio de novo.

— Sara… abre essa porta.

— Não.

A resposta veio rápida, na defensiva. Como se abrir aquela porta fosse muito mais do que apenas destrancar uma fechadura.

— Prometo que só quero conversar com você — ele continuou, controlando o tom — só não vou sair daqui fingindo que nada aconteceu.

Ela engoliu seco.

— É melhor esquecer tudo o que aconteceu, para o seu próprio bem.

Aquilo fez a mandíbula dele travar. Sua vontade era arrombar aquela porta e conversar com ela olhando em seus olhos.

— Para com isso.

— Com o quê?

— Com essa parede que você levanta toda vez que tento chegar perto.

Ela deu uma risada fraca, sem humor nenhum.

— Engraçado você falar isso.

Ele ficou em silêncio por um instante.

— Eu errei — disse, mais baixo. — Eu sei que errei com você.

— Sabe?

— Sei. E isso me consome muito. Mas eu não sei como consertar esse erro, por mais que eu queira.

— Já que sabe que não tem como consertar isso, é melhor parar de insistir, não acha?

Renato passou a mão pelo rosto, sem resposta imediata.

— Sei que deixar você em paz é o certo a se fazer, mas eu não consigo. Já disse que é mais forte do que eu — admitiu, por fim. — Eu queria voltar àquela noite e desfazer todo o meu erro, mas eu não posso. Tudo que posso fazer agora é tentar ser um homem melhor a ponto de um dia você olhar para mim e enxergar mais do que meus erros. Quero mostrar que mudei e te tratar do jeito que sempre deveria ter tratado.

Ele parou.

Respirou fundo.

— Eu te amo demais para desistir assim. Não é só desejo, é a vontade de estar perto que não me deixa ir.

Renato fechou os olhos, tentando controlar o choro.

— E eu não posso aceitar isso para mim — ela completou. — Não mais.

Respirando fundo, continuou:

— Então, por mais que doa… eu não posso tentar alguma coisa com você sabendo que, no fundo, eu vou estar esperando o momento em que você vai me machucar de novo.

— Eu não farei isso nunca mais, Sara… — disse ele, baixo.

— Mas fez — ela rebateu, sem hesitar.

Aquilo o fez travar.

— E é isso que eu não consigo ignorar. Então… é melhor fazermos como falamos antes. Eu não vou te afastar… Nem vou te impedir de ficar por perto.

Renato permaneceu imóvel.

— Você pode acompanhar… ver nosso filho nascer… fazer parte disso. Mas eu não quero nada além disso com você.

As palavras foram claras, sem margem para interpretação.

Renato baixou o olhar, absorvendo cada palavra.

— Entendi… — respondeu, depois de alguns segundos.

Mas não soou convencido, soou contido.

— É o melhor assim — ela completou, quase num sussurro.

Ele soltou um ar curto pelo nariz, passando a mão pelos cabelos.

— Para você, talvez seja.

Sara fechou os olhos, mas não hesitou em responder.

— Para mim, é o único jeito.

Renato ficou em silêncio por um instante.

— Eu vou respeitar, mas não confunda isso com desistir, Sara. Porque eu nunca farei isso.

Após dizer isso, ele se virou e saiu dali.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!