Depois que voltou ao quarto, Sara fechou a porta e correu para a janela, buscando ar como se os pulmões estivessem falhando.
O vento entrou, frio, batendo contra seu rosto, mas não foi suficiente para acalmar o furacão que estava sentindo por dentro. Apoiando as mãos no parapeito, olhou para fora, tentando se prender a qualquer coisa que não fosse a lembrança do que quase havia acontecido.
Levando os dedos aos lábios, ainda sentia o toque e o gosto do erro.
— Não seja fraca, Sara… — sussurrou para si mesma. — O que ele te fez não tem perdão.
Fechou os olhos com força, como se quisesse apagar tudo. Mas não apagava. Só voltava mais forte.
Ao se virar de costas para a janela, passou a mão pelos cabelos, inquieta, andando de um lado para o outro no quarto, tentando organizar os próprios pensamentos… mas era inútil.
Porque uma parte dela sabia que, se ele tivesse insistido um pouco mais, ela cederia, e aquilo a assustava, muito mais do que queria admitir.
— Droga… — murmurou, baixo.
Até que o barulho de batidas na porta a trouxesse de volta para a realidade.
— Sara…
A voz de Renato do outro lado a fez congelar.
Com medo do que poderia acontecer, ela não respondeu, apenas ficou parada, olhando para a porta, sentindo o coração acelerado.
Do outro lado, Renato apoiou a mão na porta, sem a menor intenção de desistir.
— A gente precisa conversar.
Mais uma vez houve o silêncio. Ela fechou os olhos, apertando os lábios, lutando contra o impulso de responder.
— Eu sei que você está aí — ele insistiu, agora mais baixo.
— Vai embora, Renato.
A resposta foi abafada, mas clara o suficiente.
— Não vou.
— Vai, sim — ela rebateu, tentando soar mais firme do que realmente estava. — Já falei tudo o que tinha para falar.
Renato encostou a testa na porta, fechando os olhos por um segundo.
— Você pode ter falado, mas eu não!
Houve o silêncio de novo.
— Sara… abre essa porta.
— Não.
A resposta veio rápida, na defensiva. Como se abrir aquela porta fosse muito mais do que apenas destrancar uma fechadura.
— Prometo que só quero conversar com você — ele continuou, controlando o tom — só não vou sair daqui fingindo que nada aconteceu.
Ela engoliu seco.
— É melhor esquecer tudo o que aconteceu, para o seu próprio bem.
Aquilo fez a mandíbula dele travar. Sua vontade era arrombar aquela porta e conversar com ela olhando em seus olhos.
— Para com isso.
— Com o quê?
— Com essa parede que você levanta toda vez que tento chegar perto.
Ela deu uma risada fraca, sem humor nenhum.
— Engraçado você falar isso.
Ele ficou em silêncio por um instante.
— Eu errei — disse, mais baixo. — Eu sei que errei com você.
— Sabe?
— Sei. E isso me consome muito. Mas eu não sei como consertar esse erro, por mais que eu queira.
— Já que sabe que não tem como consertar isso, é melhor parar de insistir, não acha?
Renato passou a mão pelo rosto, sem resposta imediata.
— Sei que deixar você em paz é o certo a se fazer, mas eu não consigo. Já disse que é mais forte do que eu — admitiu, por fim. — Eu queria voltar àquela noite e desfazer todo o meu erro, mas eu não posso. Tudo que posso fazer agora é tentar ser um homem melhor a ponto de um dia você olhar para mim e enxergar mais do que meus erros. Quero mostrar que mudei e te tratar do jeito que sempre deveria ter tratado.
Ele parou.
Respirou fundo.
— Eu te amo demais para desistir assim. Não é só desejo, é a vontade de estar perto que não me deixa ir.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!