Entrar Via

Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 207

Alguns meses depois.

No escritório da empresa, Sérgio Lemos mantinha os cotovelos apoiados sobre a mesa, enquanto escondia o rosto entre as mãos, como se tentasse, inutilmente, fugir da própria realidade.

O último cliente. O único que ainda sustentava o que restava do negócio havia acabado de cancelar todos os contratos e, com aquilo, não havia mais saída.

A falência já não era uma possibilidade, era um fato.

Soltando um suspiro pesado, passou as mãos pelo rosto antes de encarar os papéis espalhados à sua frente. Números, dívidas, prazos vencidos… tudo parecia se acumular diante dele como um lembrete constante de que havia perdido o controle.

Ele havia tentado, de todas as formas possíveis. Segurou as pontas, fez acordos, adiou pagamentos, engoliu o orgulho mais vezes do que gostaria de admitir… tudo desde o momento em que Renato Salles virou as costas para a sua família.

Mas não adiantou, as contas continuavam chegando. Os juros só aumentavam, os cobradores batiam à sua porta todos os dias e o telefone não parava de tocar, como se o mundo inteiro estivesse cobrando algo que ele já não tinha mais para dar.

Fechando os olhos por um instante, apoiou as costas na cadeira, sentindo o peso de tudo aquilo finalmente desabar sobre seus ombros.

Havia chegado ao fracasso e não sabia mais como sair dali.

Foi então que o telefone tocou.

Ele abriu os olhos lentamente, encarando o aparelho como se já soubesse que não viria nada de bom dali.

Ainda assim, estendeu a mão e atendeu.

— Alô…

Do outro lado da linha, uma voz veio direta.

— Senhor Sérgio Lemos?

Ele franziu o cenho.

— Sim. Quem fala?

— Aqui é do setor jurídico. Estamos entrando em contato para informar que o prazo final para regularização da dívida foi encerrado.

Sérgio apertou os olhos, sentindo uma dor forte na cabeça.

— Eu já disse que estou tentando resolver isso…

— Infelizmente, senhor, as tentativas não foram suficientes. — A resposta veio fria. — O processo de execução foi autorizado.

O silêncio tomou conta da sala.

— Isso significa o quê? — perguntou, mesmo já sabendo a resposta.

— Penhora de bens e bloqueio de contas.

Aquelas palavras foram como uma facada que faltava para ele sentir o golpe final.

— O senhor ainda pode tentar negociar, mas, neste momento, as medidas já estão em andamento.

Tomado pelo nervosismo, ele desligou o telefone, levantou-se de uma vez, empurrando a cadeira, e saiu do escritório sem olhar para trás. Minutos depois, já estava ao volante, dirigindo sem realmente prestar atenção no caminho, apenas deixando que a irritação o guiasse até em casa.

Ao entrar, a cena que encontrou só piorou tudo.

Soraya estava na sala, cercada por sacolas de compras, examinando um dos pares com expressão satisfeita. Aquilo foi o suficiente para o seu sangue ferver.

— O que é isso? — perguntou, já com a voz alterada.

Ela levantou os olhos, tranquila.

— São alguns sapatos que comprei.

A resposta simples soou como provocação.

— Você está louca, Soraya? — disparou, avançando alguns passos. — Seu armário está cheio de sapatos e você ainda inventa de comprar mais?

Ela franziu levemente o cenho, incomodada com o tom.

— Não começa, Sérgio…

— Não começa? — Ele riu, sem humor algum. — Você tem noção do que está acontecendo?

Soraya se levantou devagar, cruzando os braços.

Ela respirou fundo, tentando manter a calma.

— Eu sei… eu sei disso. Mas não podemos colocar esse peso nas costas da Raquel. Você sabe como ela é.

— Que se dane como ela é — respondeu, frio.

Aquilo fez Soraya arregalar os olhos.

— Sérgio…

— Se ela não quer arrumar alguém por conta própria… — ele continuou, já caminhando em direção ao escritório da casa — então vou dar um jeito nisso.

Seu tom não deixava espaço para dúvida.

Com o coração acelerado, Soraya foi atrás do marido.

— O que você quer dizer com isso?

Ele não respondeu de imediato.

Entrou no escritório, foi direto até a mesa e abriu uma das gavetas com pressa, revirando alguns papéis até encontrar o que procurava.

Um cartão.

Soraya parou na porta, observando.

— Sérgio… — chamou, mais tensa. — O que você está fazendo?

Ele ergueu o olhar para ela, segurando o cartão entre os dedos.

— Estou tentando salvar essa família.

— Como assim?

— Eu não vou me afundar na pobreza — disse ele, frio. — Não quando tenho uma filha bonita em casa… que pode muito bem se envolver com alguém capaz de nos ajudar financeiramente.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!