Alguns meses depois.
No escritório da empresa, Sérgio Lemos mantinha os cotovelos apoiados sobre a mesa, enquanto escondia o rosto entre as mãos, como se tentasse, inutilmente, fugir da própria realidade.
O último cliente. O único que ainda sustentava o que restava do negócio havia acabado de cancelar todos os contratos e, com aquilo, não havia mais saída.
A falência já não era uma possibilidade, era um fato.
Soltando um suspiro pesado, passou as mãos pelo rosto antes de encarar os papéis espalhados à sua frente. Números, dívidas, prazos vencidos… tudo parecia se acumular diante dele como um lembrete constante de que havia perdido o controle.
Ele havia tentado, de todas as formas possíveis. Segurou as pontas, fez acordos, adiou pagamentos, engoliu o orgulho mais vezes do que gostaria de admitir… tudo desde o momento em que Renato Salles virou as costas para a sua família.
Mas não adiantou, as contas continuavam chegando. Os juros só aumentavam, os cobradores batiam à sua porta todos os dias e o telefone não parava de tocar, como se o mundo inteiro estivesse cobrando algo que ele já não tinha mais para dar.
Fechando os olhos por um instante, apoiou as costas na cadeira, sentindo o peso de tudo aquilo finalmente desabar sobre seus ombros.
Havia chegado ao fracasso e não sabia mais como sair dali.
Foi então que o telefone tocou.
Ele abriu os olhos lentamente, encarando o aparelho como se já soubesse que não viria nada de bom dali.
Ainda assim, estendeu a mão e atendeu.
— Alô…
Do outro lado da linha, uma voz veio direta.
— Senhor Sérgio Lemos?
Ele franziu o cenho.
— Sim. Quem fala?
— Aqui é do setor jurídico. Estamos entrando em contato para informar que o prazo final para regularização da dívida foi encerrado.
Sérgio apertou os olhos, sentindo uma dor forte na cabeça.
— Eu já disse que estou tentando resolver isso…
— Infelizmente, senhor, as tentativas não foram suficientes. — A resposta veio fria. — O processo de execução foi autorizado.
O silêncio tomou conta da sala.
— Isso significa o quê? — perguntou, mesmo já sabendo a resposta.
— Penhora de bens e bloqueio de contas.
Aquelas palavras foram como uma facada que faltava para ele sentir o golpe final.
— O senhor ainda pode tentar negociar, mas, neste momento, as medidas já estão em andamento.
Tomado pelo nervosismo, ele desligou o telefone, levantou-se de uma vez, empurrando a cadeira, e saiu do escritório sem olhar para trás. Minutos depois, já estava ao volante, dirigindo sem realmente prestar atenção no caminho, apenas deixando que a irritação o guiasse até em casa.
Ao entrar, a cena que encontrou só piorou tudo.
Soraya estava na sala, cercada por sacolas de compras, examinando um dos pares com expressão satisfeita. Aquilo foi o suficiente para o seu sangue ferver.
— O que é isso? — perguntou, já com a voz alterada.
Ela levantou os olhos, tranquila.
— São alguns sapatos que comprei.
A resposta simples soou como provocação.
— Você está louca, Soraya? — disparou, avançando alguns passos. — Seu armário está cheio de sapatos e você ainda inventa de comprar mais?
Ela franziu levemente o cenho, incomodada com o tom.
— Não começa, Sérgio…
— Não começa? — Ele riu, sem humor algum. — Você tem noção do que está acontecendo?
Soraya se levantou devagar, cruzando os braços.
Ela respirou fundo, tentando manter a calma.
— Eu sei… eu sei disso. Mas não podemos colocar esse peso nas costas da Raquel. Você sabe como ela é.
— Que se dane como ela é — respondeu, frio.
Aquilo fez Soraya arregalar os olhos.
— Sérgio…
— Se ela não quer arrumar alguém por conta própria… — ele continuou, já caminhando em direção ao escritório da casa — então vou dar um jeito nisso.
Seu tom não deixava espaço para dúvida.
Com o coração acelerado, Soraya foi atrás do marido.
— O que você quer dizer com isso?
Ele não respondeu de imediato.
Entrou no escritório, foi direto até a mesa e abriu uma das gavetas com pressa, revirando alguns papéis até encontrar o que procurava.
Um cartão.
Soraya parou na porta, observando.
— Sérgio… — chamou, mais tensa. — O que você está fazendo?
Ele ergueu o olhar para ela, segurando o cartão entre os dedos.
— Estou tentando salvar essa família.
— Como assim?
— Eu não vou me afundar na pobreza — disse ele, frio. — Não quando tenho uma filha bonita em casa… que pode muito bem se envolver com alguém capaz de nos ajudar financeiramente.

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