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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 208

— Sérgio, não invente de tomar nenhuma decisão sem avisar a nossa filha.

— Avisar? — repetiu, soltando uma risada irônica. — Engraçado… quando ela decidiu nos jogar nessa situação, não avisou a ninguém.

— Você sabe que ela sofre com isso.

— E o que me importa o sofrimento dela? — rebateu, frio. — Eu não estou em posição de ficar parado enquanto ainda existe uma saída.

Soraya franziu o cenho.

— Que saída é essa? De quem é esse cartão?

Ele nem se deu ao trabalho de responder.

— Não me faça perguntas agora, mulher. — respondeu secamente. — Só me deixe sozinho. Preciso fazer uma ligação muito importante.

Soraya o encarou por alguns segundos, tentando encontrar algum resquício de bom senso naquele olhar, mas não havia. Só havia decisão e aquilo a fez recuar.

— Tudo bem… — disse, por fim, resignada. — Vou sair. Mas espero que você saiba muito bem o que está fazendo.

Ele não respondeu, nem sequer olhou para ela. Apenas esperou a porta se fechar e então pegou o telefone e discou o número do cartão.

No terceiro toque, a ligação foi atendida.

— Aqui é Sérgio Lemos — disse direto. — Estou ligando para saber se a proposta que me fez antes ainda está de pé.

Do outro lado, houve um breve silêncio, como se a pessoa estivesse avaliando cada palavra.

— Está, sim.

A resposta veio calma e segura.

Aquilo fez Sérgio se ajeitar na cadeira, relaxando o corpo levemente, como se finalmente enxergasse uma saída concreta.

— Ótimo — murmurou. — Então vamos direto ao ponto… como devemos proceder?

No mesmo instante, a pessoa do outro lado da linha começou a passar as instruções, uma a uma, com uma calma que chegava a ser perturbadora. Sérgio ouviu tudo em silêncio, atento a cada detalhe, como se estivesse absorvendo não apenas as palavras… mas o peso da decisão que acabava de tomar.

Assentiu algumas vezes, mesmo sem ser visto.

Quando a ligação terminou, o silêncio tomou conta do escritório.

Ele permaneceu imóvel na cadeira, com o telefone ainda na mão, olhando fixamente para um ponto qualquer da parede.

Sabia exatamente que, quando Raquel descobrisse, o odiaria. Talvez para sempre.

Mas, naquele momento… nada disso parecia importar.

O que importava era não perder tudo e ser reduzido a nada.

Depois de alguns segundos, soltou o ar lentamente, colocou o telefone sobre a mesa e se levantou, decidido.

Saiu do escritório e seguiu pelo corredor até o quarto da filha. Parou diante da porta e bateu.

— Pode entrar.

Sérgio girou a maçaneta e abriu a porta.

Assim que entrou, encontrou a filha sentada na cama, ao lado da mãe.

A cena fez seu olhar escurecer na mesma hora.

— O que você está fazendo aqui, Soraya?

— Nada demais — respondeu ela, naturalmente. — Só estou conversando com a nossa filha.

Ele soltou um riso descrente.

— Duvido muito.

Raquel franziu o cenho, olhando de um para o outro.

— O que está acontecendo?

Sérgio deu alguns passos para o interior do quarto.

— Tenho certeza de que você veio até aqui para contar à Raquel sobre os planos que tenho para ela. — Disse para a esposa, ignorando a filha.

O clima no quarto mudou instantaneamente.

— Planos? — Raquel repetiu, olhando diretamente para o pai. — Que planos?

Soraya se levantou devagar.

— Sérgio, não faz isso…

Mas ele ignorou completamente.

— Arranjei um bom partido para você.

Mas ele a cortou na mesma hora.

— Cala a boca, mulher! — disparou, alterado. — Ou você me ajuda com isso… ou nós três vamos acabar debaixo de uma ponte!

Chocada, Soraya recuou.

— O senhor perdeu completamente o controle — disse Raquel, com a voz chorosa.

— Eu estou tentando salvar essa família!

— Não — ela rebateu, encarando-o sem recuar. — O senhor está querendo destruir a minha vida!

— Pare de drama e aceite de uma vez — disse ele, voltando-se para ela com impaciência. — Você vai se casar amanhã… com o homem que escolhi.

Por um segundo, o mundo pareceu parar. Raquel ficou imóvel, encarando o pai, como se não tivesse ouvido direito.

— O quê?

— Você ouviu muito bem — ele confirmou, frio. — Está tudo resolvido.

O choque se transformou em revolta.

— Eu não vou fazer isso! — ela gritou, deixando a voz ecoar pelo quarto.

Soraya levou a mão à boca, completamente abalada.

— Sérgio… isso é loucura!

— Loucura é perder tudo e ficar parado — ele rebateu, sem elevar o tom, mas com uma firmeza que assustava.

Raquel deu um passo para trás, negando com a cabeça.

— O senhor não pode decidir isso por mim!

— Posso, sim — respondeu, seco. — E já decidi.

— Eu não sou um objeto! — ela retrucou, com a voz tremendo entre raiva e desespero. — Não sou uma coisa que o senhor negocia!

— Então comece a agir como alguém que entende a situação em que está — ele cortou.

— Eu entendo! — ela respondeu, quase chorando. — Só não aceito!

— Não é sobre aceitar, Raquel. É sobre fazer o que precisa ser feito.

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